Não sou de criar “cristos” para fazer prevalecer posições. A vida me ensinou que fatos são fatos. Inflexíveis, arrasam qualquer posição.

Quando afirmo que o Athletico, ao derramar no mercado R$60 milhões para formar o atual time, o fez aumentando o risco do erro.

É de se presumir que o gasto dessa fortuna implicaria na formação de um grande time. E o que se tem hoje é um time que, na falta de qualidade técnica, obriga o seu treinador a fazê-lo jogar exaurindo-se fisicamente, que é a versão romântica de jogar com “a alma”.

Sou crítico de Mario Celso Petraglia quando se trata da sua intromissão no futebol e o desprezo pelo qual trata a torcida. Mas uma coisa nunca lhe neguei: a gestão racional e responsável que transformou o Athletico no modelo de referência de administração no futebol brasileiro.

No momento em que acertar a conta da Baixada, alcançará a perfeição.

Surpreende-me, então, que Petraglia, ao criar o cargo de CEO de Negócios, tenha o entregue a Alexandre Mattos. Não há profissional mais perigoso para a administração de um clube. Com a sua conversa mansa, a sua retórica decorada e com a sua presença diária em redes sociais, domina o ambiente e consegue a chave do cofre.

Com ele de referência, o Cruzeiro há três anos está na Segundona, e com uma dívida de R$1 bilhão. Com Mattos, o Palmeiras arrecadou R$600 milhões, e ainda, ficou com uma dívida de R$165 milhões, só a enfrentando por ter um banco da presidente Leila a ampará-lo. 

No futebol brasileiro já tratam esses fatos com ironia com a expressão “caiu no conto de Mattos”.  Na ironia, há só verdade.

Seria bom Petraglia consultar o saber que adquiriu no passado, e que fez o Athletico a potência que é. Se desprezar a prudência responsável pelos tempos felizes, a sua administração pode perder a força vital.

Não se explica que depois de um gasto milionário o Athletico tenha que usar a alma como amparo para voltar a ganhar. Só culpar a crise de técnico é criar uma área de escape na qual só o Athletico está saindo machucado.

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