Sensibilizado por conseguir revender as suas cotas da Sociedade de Futebol Coxa S/A, recebendo o valor do capital (R$15 milhões) e alguns trocados de lucro (R$ 500 mil), o ex-presidente do Coritiba, Joel Malucelli, ao tratar do futuro, assim falou ao UmDois Esportes.

“Meu parâmetro é comparar com o Athletico. Hoje, o Del Valle vai dar sustentação, além de financeira, também na parte técnica e na gestão, coisa que o Athletico não antevê. Eu acho que a hora que o Petraglia sair, ele vai querer botar a filha (Ana Lucia, no comando). Enquanto ele estiver lá tudo bem, as coisas vão caminhar. Mas depois dele, não vejo que o Athletico tenha condição de se organizar”.

Sei de onde o banqueiro partiu, mas não sei onde quer chegar. Partiu do estado de surpresa em recuperar o valor do capital, fato que ele próprio trata de “inesperado”. Afinal, receber de volta R$ 15 milhões que ele próprio já estava considerando fundo perdido, provoca o espírito de qualquer um, mesmo sendo um bilionário.

Mas, onde o histórico coxa-branca quer chegar? Eis aí a grande questão.

Para comparar o futuro do Coritiba ao Athletico, Joel provoca um silogismo, em que a premissa maior é a de que “as coisas no Athletico irão caminhar, enquanto Petraglia estiver lá”. Embora não expressa, surge uma premissa secundária: não há nenhum atleticano capaz de comandar o Furacão depois de Petraglia. E daí, vem a sua conclusão: o Athletico perderá o rumo, submetendo-se à supremacia do Coritiba sob o comando do Del Valle.

As premissas são falsas, o que torna a conclusão infeliz. O projeto executado desde 1995, tornou o Athletico, em menor proporção, autossustentável, na mesma linhagem de Flamengo e Palmeiras.

É notório que recusou 20 milhões de euros por Viveros e 15 milhões de euros por Arthur Dias. É o terceiro do Brasileirão. E mais relevante: por ser autossustentável, tem a capacidade de prestar as obrigações mensal e semestral à Paraná Fomento, coisa de R$ 100 milhões por ano, pagando uma conta que a inércia moral do Município de Curitiba torna onerosa a cada dia.

E o mais importante: há jovens e adultos atleticanos com capacidade de administrá-lo. Só não se expõem porque sempre respeitaram a excelência da execução do projeto idealizado em 1995 por Petraglia, Adur e Fornea.

Quando precisar, o Athletico sempre terá um atleticano capaz. Ao contrário do Coritiba, que ao ser tornado insolvente pelos próprios coxas, quando precisou salvar-se, teve que recorrer à estranhos por “por falta de coxas”. Em linguagem figurada, para manter-se vivo, entregou até a alma aos investidores.

O que surpreende, é que Joel transmite essa esperança de supremacia futura do Coritiba com base na empresa Del Valle, do Equador, uma alienígena ao sistema do futebol brasileiro, fraturando a própria história do clube.

O amigo coxa mostra tanto entusiasmo com o Dell Vale que autoriza dar um novo nome ao clube do Alto da Glória: Coritiba Del Valle.

Augusto Mafuz – leia o perfil completo

Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.

Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.

Polêmico vocacional e bem-informado dos bastidores do futebol, Mafuz esconde, sob a pena perfurocortante, um homem doce e generoso. Amigo de infância de Carneiro Neto, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, provando que sua crônica continua em pé de guerra. Clique aqui e leia todas as colunas de Augusto Mafuz.

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