Volto de férias e encontro os atleticanos murchos e desanimados.

Pelo Athletico ter um calendário de recheio tentador pela importância técnica e certeza de ganho financeiro, e pelo fato de ter rica poupança em dólar, esperavam que a formação do time adotasse o critério de urgência.  Já sem Nikão e nem mesmo um jogador de R$ 1,99 sendo apresentado, o ano de 2022 inicia com a certeza tendo base mais na paixão do que na razão.

Em resumo, esse estado de espírito dos atleticanos é próprio de quem por já ter muito, não se contenta com pouca coisa. Esse sentimento é a hipótese clássica da confusão entre a esperança e a utopia.

Compreendo os torcedores. Mas, desta vez, compreendo mais o Athletico. Definitivamente, o mercado está deteriorado pela supervalorização de um futebol tecnicamente sofrível, e do critério de leilão que os agentes criaram aproveitando a irresponsabilidade de dirigentes.

O caso de Nikão tem que ser tomado como exemplo pois carrega todos os elementos desse estado. Por maiores que sejam as virtudes do meia, não há o que se justifique uma disputa pelos valores impostos, como fizeram Inter e São Paulo, dois clubes devedores contumazes, com os paulistas batendo nos R$ 30 milhões por 4 anos. Aliás, sempre entendi que caso como esse mostra o desequilíbrio da Lei Pelé. Criada para favorecer o jogador, tira o direito do clube e desloca-o em benefício do empresário.

Concordo que o Furacão vai iniciar 2022 como iniciou os anos anteriores: acreditando mais na sua estrutura material, gerencial, científica e de comando, agora, com Ricardo Gomes, que é do time de Autuori: capaz, honesto e independente.

Entendo que se há uma critica a fazer ao Athletico não é a de não formar o time de imediato. Ao contrário, não ir ao mercado, é sinal de zelo com as suas coisas. A critica é a de passar mais um ano sem revelar um grande jogador. O trabalho da base continua sendo péssimo.

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