Ao marcar o gol da vitória do Athletico sobre o Santos, o atacante Renato Kayzer praticou dois atos: com um dedo sobre a boca fechada fez sinal de silêncio aos seus críticos que, aliás, é toda a torcida do Furacão.

Esse gesto foi imortalizado por Romário para criticar Zagallo e Zico que o dispensaram da Copa da França. O outro foi o de jogar água no treinador António Oliveira, e depois, encará-lo com um sorriso irônico.

O gesto do “cala a boca” foi uma forma de Kayzer expressar o sentimento reprimido por problemas que ele próprio deu causa. Atacante de futebol secundário, sem nenhum recurso técnico, perde tantos gols, que quando faz torna-o um fato casual e surpreendente.

O outro foi o gesto de jogar água em António Oliveira e, diante da censura tímida do treinador, ironizá-lo.

O fato não pode ser absorvido por António Oliveira e pela diretoria do Athletico como próprio de uma possível relação amistosa do CT do Caju. “Um time de futebol não é um clube de amigos”, respondeu o francês Kylian Mbappé ao perguntarem se ele é amigo de Messi como Neymar.

Tratando-se de futebol, que recepciona as mais diferentes espécies de personalidades em razão da origem de cada um, há que ter um controle enérgico de atitudes. Frente ao público, intransigente. Não há boa intenção em jogar água no treinador, e depois ironizá-lo. Revela falta de respeito, desprezo e indiferença.

Mais grave: o fez por ter sido formado na cultura medíocre do futebol brasileiro, que absorve e perdoa tudo diante de um gol ou de uma vitória. No Athletico não é diferente.

Em qualquer segmento da vida, a hierarquia não é estabelecida apenas pela divisão de cargo. Esse é apenas um ponto da organização, que só ganha importância se quem o exerce o faz com justiça e seriedade. Dessas virtudes, surge o respeito pelo superior. E o respeito tem que ser pleno.

A questão principal deixa de ser o gesto de Kayzer, por ser ele um pau que nasceu torto. O problema gravíssimo foi a submissão do treinador diante de fato tão grave.

Ao postar-se tímido, António Oliveira apresentou-se como um jovem frágil, sem força interior para reagir à ofensa. Fosse um técnico que se dá ao respeito e que tem orgulho próprio, excluiria imediatamente Kayzer e pediria a sua dispensa. No mínimo, não o mais escalaria.

E lamentável é a omissão de Petraglia e Autuori. Como dirigentes, mostram que são iguais a todos.

Participe da conversa!
0