Às vezes é preciso violar regras para certas coisas, é a regra da conduta de Mário Celso Petraglia, enquanto presidente do Athletico. Por entender que é um custo sem benefício abrir a Baixada para 5 mil torcedores, entendeu que atenderia a conveniência do clube violando os direitos dos sócios, impedindo-os de ver o Furacão. E, agora se sabe, que na Assembleia, na CBF, Petraglia foi contra o retorno do público neste campeonato.   

Bem por isso, a decisão do magistrado Fábio Luis Decoussau Machado, da 5ª Vara Cível, para quem o direito é o fato, não surpreende. Fundamentada, manda o Athletico abrir a Baixada para que os seis sócios postulantes possam vê-lo jogar contra o Peñarol.

Entendo que a ação dos sócios e a decisão do doutor Machado vão bem além do campo jurídico. Há nelas um forte simbolismo de que Petraglia pode muito, mas não pode tudo. A presença dos seis torcedores na Baixada, embora seja uma faculdade deles, provoca-lhes uma obrigação moral de ir para que não se transforme o Judiciário em instrumento para atender caprichos.

Só que o caso não pode ser encerrado com a decisão judicial e o seu cumprimento. Há uma questão importante que não daria o direito, mas poderia dar a razão ao Athletico. Se Petráglia fosse razoável na comunicação com a torcida, os sócios até compreenderiam.

Explico.

Movimentar toda a estrutura do Athletico para abrir a Baixada exige um mecanismo complexo e caro. Para atender a ordem judicial no jogo contra o Peñarol, o clube irá gastar um valor próximo de R$400 mil. Bastaria que Petraglia tivesse a humildade de explicar esse fato, pedir mais um pouco de compreensão e renúncia, e a torcida aceitaria.

O Athletico deve já ter recorrido da decisão.

Pode até suspendê-la. Mas, como a ordem específica que limita o direito de acesso aos seis sócios postulantes não resolve o problema da torcida, o impedimento imposto pelo Athletico só irá aumentar os conflitos.

Na verdade, o vilão final dessa história é Rafael Greca. O Prefeito, sob o pretexto de imprimir um caráter flexível às medidas restritivas, liberou o público. Mas ao limitá-lo a 5 mil torcedores, criou um grave problema para os clubes, que voluntaria ou compulsoriamente terão que cumprir a lei, financiando a presença de um público numericamente inexpressivo.

Quer dizer: mais que o caráter flexível, o decreto de Greca foi populista. Ao mesmo tempo que agrada a torcida, cria um ônus pesado para os clubes. Com velho político, dá com uma mão e tira com a outra.

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