A comparação é inevitável.

Enquanto o Londrina está na luta pelo G4, com sinais de que pode subir, o Paraná já admitiu que o objetivo é ficar na Série B, sem correr riscos de rebaixamento.

Após a rodada de terça-feira, o Tubarão, 6º colocado, ficou três pontos do grupo de acesso. E reforfou a esperança ao derrotar o Náutico, em Pernambuco.

O Tricolor, 13º colocado, a sete da ZR, suou para superar o lanterna Sampaio Corrêa e também respirou na luta para evitar sustos.

Entenda (em cinco tópicos) os motivos para o diferença atual entre os dois clubes. E como o time do interior aparentemente desbancou o grande da capital do posto de terceira força do estado, atrás de Atlético e Coritiba.

Aos apressados, diz o clichê: futebol é dinâmico e o Paraná chegou a ser a primeira força do estado – e pode voltar a ser, por que não?

O Paraná deve mais, leva menos gente ao estádio, tem mais dificuldade em contratar jogadores, além de não ter estabilidade no departamento de futebol.

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  VEJA a classificação da Série B

1) Finanças

O balanço financeiro do Paraná , aponta que o clube passou de um déficit de R$ 76 milhões em 2014 para um superávit de R$ 7,8 milhões em 2015. Nessa redução de custos, por exemplo, estão os salários com o departamento de futebol, que diminuíram de R$ 9,3 milhões para cerca de R$ 5 milhões no ano passado. Ou seja: para ficar viável financeiramente e pagar as dívidas, o clube gasta cada vez menos com futebol.

O Londrina não fica para trás em problemas de caixa. O clube foi o primeiro do Brasil a sofrer uma intervenção judicial total, em 2009, para honrar dívidas que passavam de R$ 26 milhões – garante ter pago R$ 18 milhões neste período. A saída foi terceirizar, há seis anos, o departamento de futebol para o grupo do empresário Sérgio Malucelli. O contrato prevê para o clube apenas 5% dos direitos econômicos de todos os jogadores profissionais e amadores – os outros 95% são do empresa. Quando um atleta é negociado, esta é a proporção da divisão do dinheiro.

 

2) Torcida

PONTA GROSSA - LONDRINA X CIANORTE - 27/03/2013 - ESPORTES

A média de público paranista nesta Série B é histórica: a pior em uma década do clube na Segundona. São apenas 2.552 torcedores por jogo, o 16º pior nesse quesito, à frente apenas de Tupi, Oeste, Luverdense e Bragantino.

No caso do Londrina, clube que não tem grandes receitas de público, os fãs comparecem mais: 4.123 por partida no Café, a 7ª melhor marca da Série B. Com isso, o Tubarão também arrecada mais com bilheteria – R$ 778.232,00 x R$ 513.512,55.

 

3) Mercado

Keirrison, do Londrina, comemora gol

Com pouca receita para o futebol, o Paraná opta em pagar em dia e contratar jogadores baratos. A política tem um preço: o clube não é um protagonista do mercado de grandes contratações para a Série B, limitando-se a buscar jogadores sem espaço ou do segundo escalão no mercado. É assim, na outra ponta, uma presa fácil para perder boleiros – como no caso de Jean para o Corinthians.

Já o LEC tem uma estratégia bem diferente, embora também não seja um gastador contumaz. Graças ao prestígio do empresário de Sérgio Malucelli, o Tubarão seduz atletas por ter as portas abertas para negociar com a Série A e também para fora do país. A carta de jogadores da SM Sports, presidida por Sérgio Malucelli, gestor do Londrina, garante estabilidade. Com essa formatação, o alviceleste convenceu Keirrison (foto) e mantém uma estrutura de elenco.

 

4) Gestão

vila capanema

O Paraná é presidido pelo jovem Leonardo Oliveira, 36 anos, tendo como grande apoiador o empresário Carlos Werner. A base de sustentação política do seu grupo – que antes de ser eleito tomou o poder no clube pressionando a renúncia de Rubens Bohlen – tem o apoio da torcida organizada Fúria Independente. O futebol está a cargo do ídolo Hélcio (foto), destaque do clube nos anos 90.

No caso do Londrina, o presidente é quase um espectador do time. O também jovem Felipe Prochet, candidato a vereador aos 30 anos, apenas administra o passivo do clube e cuida do contrato com a SM Sports. A direção de futebol fica a cargo de Ocimar Batista Bolicenho, curiosamente ex-presidente do Paraná.

 

5) Futebol

Treino do Londrina - 12/08/14

A grande diferença entre Paraná e Londrina está no comando do futebol. Um exemplo comprova essa tese: a estabilidade do técnico.

Enquanto o treinador Cláudio Tencatti (foto) está à frente do time desde 2011, neste período o Paraná perdeu a conta de quantos comandantes teve no vestiário/beiro do campo.

Desde o início da parceria entre Londrina e SM Sports, o clube do interior deixou a Segundona regional, passou da Série D à C e da Terceirona para a B; além de um título estadual (2014).

Neste período, apenas uma vez o Paraná conseguiu ficar à frente do Tubarão na disputa do Regional, exatamente neste ano.

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