Pelé, 76 anos, não tinha motivos para aceitar a oferta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para se tornar o comentarista oficial dos amistosos da seleção e entrar de forma direta no enrosco comercial entre a Globo e a entidade. A equipe do técnico Tite jogará, nos dias 9 e 13 de junho, contra a Argentina e Austrália, respectivamente, em Melbourne.

Os duelos marcam o rompimento da CBF com a emissora carioca, com transmissão do jogo na web, fora da tradicional narração de Galvão Bueno. Além disso, a entidade esportiva vai comprar horários nas grades de TV para exibir as partidas (esses compromissos vão passar na Empresa Brasil de Comunicação, que negociou o espaço por R$ 30 mil).

Como Atlético e Coritiba, CBF deixa Globo e assume transmissão da seleção na TV

Por tabela, Pelé se tornou o grande garoto propaganda dessa empreitada inovadora. Cedeu sua fama e prestígio para valorizar a ideia.  E por pouco não teve Maradona como seu colega nos comentários – o argentino não aceitou a proposta, devido a problemas com a agenda.

Pelé, é bom lembrar, foi um dos signatários de um manifesto que pedia a renúncia imediata de toda a cúpula da CBF, inclusive o presidente Marco Polo Del Nero, em dezembro de 2015. Tite também assinou a petição. Porém, agora o Rei do Futebol se torna o âncora da ousada imersão da confederação na área de mídia.

Mas então fica a pergunta: por qual motivo o Rei do Futebol aceitou comentar dois amistosos da seleção e endossar a nova filosofia de mercado da confederação?  São duas as respostas que surgem por enquanto.

Em primeiro lugar, saudade da latinha, como é conhecida o microfone no meio esportivo. Em declaração publicada no site da Veja, Edson Arantes do Nascimento (a pessoa física do Atleta do Século) soltou.

“Como é do conhecimento de todos, eu só faço comentários na TV em Copas do Mundo ou em torneios importantes com a seleção brasileira. Isso é para matar a saudade…”, trouxe ele, ainda em recuperação de cirurgia no joelho e no quadril.

Depois (nada exorbitante pelo prestígio que Pelé leva à transmissão) o valor pago de cachê pelo trabalho de freelancer. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o mais famoso camisa 10 do planeta vai amealhar R$ 400 mil para analisar a equipe nacional na Oceania.

A CBF montará um estúdio na sua sede, no Rio, para o trabalho da equipe contratada. Não será necessária a desgastante viagem até a Austrália.  A narração das partidas deve ser do jornalista Nivaldo Prieto, da Fox Sports.

 

 

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