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Os ensinamentos do guru

Por
Redação
23/06/2007 18:30 - Atualizado: 27/09/2023 16:27
Os ensinamentos do guru
Luís Carlos Gomes/ Futura Press
Luís Carlos Gomes/ Futura Press

Defensor do profissionalismo na administração dos clubes de futebol e um dos novos “gurus” do marketing esportivo, José Carlos Brunoro esteve em Curitiba na última semana para falar sobre o que mais gosta: esporte. O ex-atleta profissional de vôlei e diretor de esportes da Parmalat na época da parceria da empresa com o Palmeiras – responsável pela última grande fase do time paulista – falou à Gazeta do Povo sobre a Copa de 2014, a Lei Pelé, sua passagem pelo time paulista, marketing e muito mais.

Considera que os clubes e entidades esportivas brasileiros já sabem usar adequadamente o marketing esportivo?
Ainda não. Acho que falta uma profissionalização maior. Já melhorou muito em relação ao que era há algum tempo atrás, mas ainda precisa haver uma evolução nesse aspecto nas entidades esportivas de um modo geral, principalmente nos clubes de futebol. Temos grandes marcas com milhões de torcedores, mas muitas não fazem um trabalho de potencialização disso. Por outro lado, os clubes estão se dando conta do que devem fazer, senão eles não vão sobreviver. Se ficar só com bilheteria e não aproveitar o potencial que a televisão pode dar com relação a patrocínios, eles deixam de ter recursos, o que piorará a competitividade. É inevitável, eles vão ter de se mexer para se profissionalizar.

Por que o esporte brasileiro como produto ainda é tão desvalorizado em relação ao esporte na Europa ou nos Estados Unidos? É possível reduzir essa diferença a um nível mínimo?
Primeiro é uma história cultural. Acho que vai demorar ainda para que a redução da diferença brasileira para o tratamento do marketing esportivo na Europa e nos Eetados Unidos ocorra. São países mais velhos e com mais vivência cultural e econômica. A gente tem um problema de defasagem nesse sentido. Eles têm também uma situação muito favorável que é a TV fechada. Ela trabalha muito com o esporte, e o poder aquisitivo nesses países faz com que todos tenham acesso a ela. Aqui a difusão de muitas modalidades ainda fica a cargo das TV’s abertas, que não têm programação para isso, enquanto a TV fechada ainda tem um número muito reduzido de assinantes para poder acompanhar essa demanda. Acho que a gente ainda precisa se estruturar para as transmissões, não para o futebol, que já tem muita visibilidade, mas principalmente para as outras modalidades. Outro ponto importante é a valorização do ídolo. Sem ídolo você não tem esporte. Infelizmente pelos nossos problemas econômicos nossos ídolos vão embora muito cedo do país. O Ronaldinho Gaúcho é um exemplo.

A administração dos clubes de futebol no Brasil é atualmente mais profissional do que nos anos 90, quando o senhor trabalhou no Palmeiras?
Hoje é mais. Felizmente a gente deixou um legado positivo com o projeto Palmeiras/Parmalat, mostrando que se profissionalizar e trabalhar com seriedade as coisas podem melhorar. Mas eu imaginava que fosse em um ritmo mais rápido. Está sendo um pouco lento, mas melhorou.

Os clubes brasileiros já são vistos com mais credibilidade pelo investidor estrangeiro? Situações confusas e nebulosas, como a parceria entre Corinthians e MSI, funcionam como propaganda negativa da administração do nosso esporte no exterior?
Infelizmente somos muito mal vistos pelos investidores. Se você imaginar que tivemos um monte de projetos e o único que realmente deu certo foi o da Parmalat com o Palmeiras, verá que hoje temos dificuldades. Recentemente, a vinda da MSI com um caminhão de dinheiro para o Corinthians, com todo esses problemas que ela está tendo, tirou o pé de muita gente. Hoje nós podemos desfrutar de patrocínios, mas não de investidores, o que seria muito importante para o esporte brasileiro, em decorrência da má administração de alguns.

Qual legado a realização da Copa do Mundo de 2014 deve deixar para o país além de uma dúzia de estádios modernos?
Ela pode deixar um legado importante, desde que a gente tenha esses estádios comprometidos com a sua efetiva utilização, porque senão vamos criar vários elefantes brancos. Antes da construção deveria haver um comprometimento com a utilização. Esse é o ponto mais importante do processo. Não vejo necessidade de construir só estádios novos. A gente viu por exemplo que na Copa do Mundo de 94, nos Estados Unidos, não tinha nenhum estádio novo. Lógico que eram grandes estádios, mas, assim como eles, nós também podemos fazer algumas adaptações. Se não houver nenhum tipo de superfaturamento e demonstrarmos seriedade nas construções será outro ponto importante. Demonstrar o nosso poder organizativo será fundamental, não só para o esporte como também para o turismo esportivo que poderá advir junto com a competição. Mas para isso tudo, até lá temos que trabalhar muito seriamente a infraestrutura, o saneamento, a despoluição e a segurança.

O senhor percebe um interesse de empresas estrangeiras em investir no Brasil para o Mundial?
Tem um movimento no mercado para empresas que querem construir estádios. Só que aí tem que ter cuidado, porque essas empresas vêm com uma idéia de investimento imobiliário, não só do estádio, mas também do entorno dele. Tem que ter o cuidado para que não só os investidores se beneficiem com a construção, mas que a gente também tire proveito com a utilização desses locais.

É possível uma Copa cuja organização seja dividida entre cartolas e políticos brasileiros dar certo?
A minha visão é que o poder público só entre com a infraestrutura e que todo o investimento seja feito por empresas privadas. Acho que o governo só deveria cuidar do pontos como o transporte, a despoluição, e de saneamento básico, por exemplo, além de ficar muito atento na conclusão das obras, fazendo uma espécie de vigilância, mas sem se responsabilizar pela situação econômica.

Até que ponto o senhor acha que o poder público deve investir para a organização de uma Copa?
Não deve passar do atendimento da infraestrutura. Mas se o poder público estadual achar que deve ser feito uma melhora em um estádio que já é seu com recursos do seu governo, tudo bem. Por exemplo, se o governo quiser reformar o Mineirão, que é um bem público, ou o Maracanã, no Rio, perfeito. Mas não para construções novas.

Nos últimos dez anos o Brasil ganhou a Lei Pelé, o Estatuto do Torcedor e um novo Código Brasileiro de Justiça Desportiva. A Timemania será implantada neste ano. O Estatuto do Desporto ainda está sendo discutido. Qual análise o senhor faz deste conjunto de leis para o esporte criadas no Brasil? Qual o impacto delas na modernização do esporte no país?
Gosto muito de todas. Sou a favor que se discuta o que está falhando, em vez de acabar com a lei. Acho que esse é o grande caminho. Há pontos críticos na Lei Pelé que podem ser melhorados. A Timemania, que ainda não funciona, pode ser um veículo para sanear as dívidas dos clubes. O Estatuto do Torcedor é muito bom, mas precisa ainda de algumas pequenas alterações.

Até que ponto os clubes têm razão nas críticas à Lei Pelé, apontada pelos dirigentes como a grande causa da saída em massa de atletas para o exterior?
Não concordo com essa avaliação. Acho que a Lei é moderna, mas pode ser melhorada, principalmente no que diz respeito à formação dos jogadores. Acredito que poderia ser dada maior garantia aos clubes que formam o atleta, no sentido de dificultar que outros levem o jogador sem pagar quase nada para isso. Também acho que deveria haver uma regulamentação da participação dos empresários no processo de negociação dos jogadores. Eles não deveriam poder tomar parte de partes das multas rescisórias ou coisas do tipo, por exemplo. Enfim, ainda há pontos críticos para que ela se torne uma lei mais interessante.

Nos anos 80 e 90, os cartolas eram vistos como os grandes vilões do futebol brasileiro. Na sua opinião, esse papel atualmente é exercido pelos empresários?
Infelizmente em alguns casos pelos dois. E esse é um grande perigo: o dirigente combinado com empresários para que hajam benefícios pessoais, e não do clube. Entre os clubes grandes felizmente são poucos os que fazem isso, mas entre os pequenos não.

O senhor gerencia um clube de futebol, o Pão de Açúcar, que só possui times até a categoria sub-20. Essa resistência a entrar no profissional tem relação com a dificuldade em manter no país jogadores com mais de 20 anos?
Esse ano já temos profissionais. O nosso projeto tem uma mistura de formação profissional e social. Agora estamos entrando no quarto ano e chegou o momento no qual os meninos estão estourando a sua idade nos juniores precisam jogar. Achamos que seria interessante mantê-los em atividade e por isso criamos o time profissional do Pão de Açúcar.

O que o senhor acha das campanhas de sócio-torcedor que têm proliferado pelos clubes brasileiros?
Sou totalmente a favor dessas campanhas, que só estão acontecendo porque hoje nós estamos começando a ter um calendário, sabemos que o Campeonato Brasileiro acontece por pontos corridos, que a Copa do Brasil é eliminatória, enfim, que as regras do jogo estão aí, claras, possibilitando fazer atividades com o torcedor, que será mais perene. Temos exemplos muito bons, como o do Grêmio, do Internacional, do Cruzeiro, entre vários outros. O mais importante a saber é que fazer campanha para sócio-torcedor significa ter respeito ao torcedor, fazendo com que as informações cheguem a ele e que o mesmo receba o que ele tem por direito. Não pode ser mais uma maneira de tratá-lo mal. Com isso se ajuda a fazer algo muito importante, que é transformar o torcedor em consumidor. E hoje a regra básica para qualquer estratégia de marketing é tratar bem o consumidor.

Flávio Miranda

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