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Análise

Em último ato, pasmem, Oliveira vê Paraná rumo à Série C “infinitamente melhor”

Oliveira cumprimenta Casinha na sede da Kennedy
Oliveira cumprimenta Casinha na sede da Kennedy| Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo
  • Por Julio Filho
  • 21/01/2021 12:09

Em último ato como presidente do Paraná, Leonardo Oliveira decretou, em carta de renúncia, que “o momento atual do clube é infinitamente melhor que o período no qual assumi minhas funções diretivas”.

Para o ex-cartola, pasmem, deixar o Tricolor com destino selado rumo à Série C é “infinitamente” melhor do que estar na Série B, divisão em que assumiu o clube, em 2015. A declaração soa absurda. E é.

Na terceira divisão, o Paraná perderá não apenas prestígio, como sua principal renda, as cotas de TV. A continuidade do clube fica dramaticamente ameaçada. Na atual edição da Série B, o valor foi de R$ 6 milhões líquidos.

Na Série C deste ano, com transmissão da DAZN, a CBF apenas custeou despesas com viagens. O restante da receita partiu de placas publicitárias em campo. Nada perto da verba milionária da Segunda Divisão. De onde o Paraná tirará recursos?

Oliveira acreditou ter sido “o melhor da história do Paraná”; mas foi mais do mesmo

Certamente, quando vê o Paraná “infinitamente melhor”, Oliveira se refere ao trabalho feito fora de campo, com o saneamento das dívidas.

Afinal, o Ato Trabalhista, pelo qual recebeu mais de R$ 700 mil como gestor, serviu para quitar parte importante do passivo com ex-funcionários.

Este seria argumento crucial a favor de Oliveira. Só que o mandatário, assim como os antecessores, que tanto criticou, atrasou salários e gerou novas dívidas para o futuro. A gestão do futebol na atual temporada, por sinal, foi uma das piores já vistas. Uma tragédia.

Ora, o gestor quitou parte do passivo do passado, mas gerou dívidas que estrangularão as próximas administrações. “Melhor da história”? Não, Oliveira foi mais do mesmo, na sucessão de más gestões na Vila Capanema. Há jogadores que ainda reclamam de não terem recebido a premiação pelo acesso à Série A, em 2017....

As ações trabalhistas da “Era Oliveira” já aparecem. O atacante Silvinho foi o mais recente deles. Ou seja, mesmo em ano de Série A, com receita recorde em 2018, Oliveira atrasou salários. E mais ações estão a caminho.

Oliveira tentou se isolar em redoma de bajulação

Desde o início da gestão, Oliveira afastou ex-parceiros e gradualmente se isolou. No fim, o mandatário, que entrou como parte de um grupo chamado “Paranistas do Bem”, estava praticamente sozinho.

Críticas foram rechaçadas. Até mesmo quando óbvias e justas. Fez questão de se cercar apenas daqueles que o blindavam e elogiavam.

Conselheiros que ousavam contestá-lo, viraram inimigos. A torcida organizada, por razões que devem ficar mais claras na próxima eleição, entrou na onda – nem parecia a mesma organização que tanto pressionou o antecessor, Rubens Bohlen, a renunciar.

Jornalistas com perguntas incômodas nunca mais foram recebidos. Torcedores que ousavam criticar “jogavam contra o clube”.

Oliveira preferiu viver em uma redoma, uma realidade paralela, tão disparatada que é capaz de enxergar uma vexaminosa queda para a Série C como um passo à frente na sofrida história do Tricolor.

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