Difícil dissociar um Atletiba tão importante com a irracionalidade de alguns torcedores. Ao mesmo tempo em que o jogo promete ser histórico e maravilhoso, projeta-se um show de vandalismo e violência na capital e região.

A selvageria no domingo (4) é tão certeira quanto o choro de algum dos lados (ou dos dois) após a partida. Por isso, não haverá desculpas para erros na estratégia do poder público.

E o momento não é de ronda ostensiva apenas. Chegou a hora de aplicar o Código Penal. São vários os crimes ligados à rivalidade entre facções de futebol: lesão corporal, rixa, dano ao patrimônio e – lamentavelmente –homicídios e tentativa.

Ocorre que existe uma total inabilidade dos órgãos de proteção em caso de tumultos relacionados a eventos esportivos. Poucos acabam detidos. E os presos em flagrante raramente – salvo minha ignorância – são processados e condenados. A estratégia policial, em regra, falha no conjunto prevenir, proteger e punir. Sempre uma ponta desse tripé fica capenga em dia de futebol.

O foco da violência, como todos sabem, não será a militarizada região do Água Verde. Certamente, os problemas mais sérios ocorrerão nos terminas de ônibus, no transporte coletivo que liga os bairros ao centro ou nos conjuntos residenciais da periferia.

Eu sei disso pelos anos na cobertura do clássico, você sabe pelo risco de ser uma das vítimas e a PM sabe por obrigação. Não existe fator surpresa. E neste aspecto a operação do jogo tem tudo para funcionar – com o mínimo de boa vontade das autoridades, claro.

Certa vez, para exemplificar a situação caótica, esta Gazeta do Povo mandou fotógrafo e repórter para acompanhar um conflito no terminal da Fazendinha. Bingo! Tudo ocorreu como o pauteiro imaginou – inclusive a falta de PMs.

Após tratar do ponto prático da coisa, deve-se destacar também que não existe razão lógica para o esperado confronto nas ruas. Sem querer entrar em um assunto piegas, a rivalidade entre torcidas deve ser algo saudável, uma brincadeira entre amigos, no máximo. O extremismo é ilógico. Enfim…

Poderia contar as inúmeras histórias envolvendo pessoas alheias a esse ódio que saíram gravemente feridas ou mortas. Tiveram o azar de pegar a condução na hora errada ou encontrar a turba na rota do seu passeio. Mas isso pouco adianta. Prefiro dar um conselho…

Evite ao máximo sair de casa nos horários de risco, por exemplo. Um domingo sitiado, no sofá, em frente à tevê, é o que resta para quem cansou (como eu) de esperar o bom-senso. Uma pena.

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