Essa história pode ser igual a de muitos tricolores. Então vai lá…

A primeira vez que vi Ricardinho jogar foi em 1995. Não lembro exatamente que partida era. Estava na Vila Capanema e o técnico Otacílio Gonçalves, com o time jogando muito mal, colocou o meia franzino para resolver o problema. Não deu certo. Por algum motivo, talvez pela impaciência da torcida com seus dribles miúdos, fiquei com aquela impressão ruim do então garoto.

No fim de 96, Ricardinho deu uma entrevista ao repórter Osmar Antônio na Rádio Paraná. Era período de férias e o Tricolor já passava por perrengues financeiros. Durante a conversa, o jogador disse que 1997 seria o seu ano. Destacou ainda que estava assumindo a responsabilidade de manter a hegemonia paranista no estado. Era um prognóstico petulante, pois o time vitorioso vinha se desmantelando. Mas ele acertou em cheio.

Com o pentacampeonato regional daquela temporada, o camisa 10 se tornava símbolo de uma das gerações mais vitoriosas do estado. Com um futebol de passes certeiros, senso de organização tática e uma canhota calibrada, o hoje ex-atleta foi até quando resistiu (importante dizer isso) um dos jogadores mais eficientes que acompanhei.

Longe da Vila, um sucesso ainda mais imponente – defendendo o país em duas Copas. Foi campeão pela seleção brasileira, Santos, Besiktas (Turquia), Atlético-MG e multicampeão no Corinthians.

Ele entra agora em uma nova fase na carreira. Curiosamente, assim como naquele jogo perdido de 17 anos atrás, quando me frustrei com a promessa paranista, a sensação inicial neste momento é de incerteza. A diferença, pelo menos para mim, é que não duvido mais de Ricardinho.

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Ricardinho, sem dúvida, é uma notícia que orgulha a torcida paranista. Mas não se pode falar dessa surpreendente contratação sem mencionar a frustração que vem embutida neste ousado acerto: ele não tem futebol para jogar a Série B?

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