Valterci Santos/ Gazeta do Povo
Marcos Aurélio e Marcelinho Paraíba: ataque pela esquerda.

Não há castigo maior para um jogador maduro do que ficar no banco de reservas.

O novato encara a reserva como um ritual obrigatório, o último estágio antes de assumir a condição de titular. O torcedor olha para ele de maneira diferenciada, sempre com esperança. Não só de vê-lo mudar a história de uma partida, mas também de testemunhar o alvorecer de um novo craque.

O veterano vê o banco como um caminho natural após anos de titularidade. Um paraquedas para amenizar a passagem para fora do futebol. Para o torcedor, ele torna-se uma bola de segurança. Alguém que entra no jogo para segurar um resultado favorável ou que tem um currículo capaz de transmitir a confiança de uma virada.

O maduro, se está no banco, é porque algo não corre bem. Talvez ele simplesmente não seja melhor que o titular e o banco torna-se uma espécie de antessala para o esquecimento. Mas também o banco pode ser a demonstração clara de que ele não está bem, a ponto de precisar de um castigo público para reencontrar seu futebol.

É especificamente neste ponto que se encontra Marcos Aurélio. Seu surgimento de fato no Bragantino, a afirmação no Atlético e a confirmação no Santos não deixam dúvida de que se trata de um jogador maduro. Mas seu último ano e meio levantavam dúvidas sobre sua real capacidade, se o início não havia sido apenas uma fase boa de um jogador mediano.

No Japão, um ano inteiro de poucos jogos e nenhum gol. No Coritiba, pelo menos reencontrou os gols. No futebol em si, ficou devendo. Displicente, sonolento, ausente, desinteressado… Não faltam adjetivos ruins para definir o que ele vinha fazendo com a camisa alviverde. Seus lampejos, somados, talvez dessem uns 30, 35 minutos de futebol. Um fracasso para seis meses. Fracasso tão retumbante que René Simões não viu outra saída, a não ser submetê-lo à expiação pública do banco de reservas.

Marcos Aurélio passou pouco mais de um tempo de jogo no banco, contra o Náutico. Quando saiu, parecia um leão faminto. Posicionado pela esquerda, onde teve os melhores momentos da sua carreira, driblou buracos e adversários com facilidade e destreza impressionantes. Selou sua purificação com um gol de Marcos Aurélio: avanço pela esquerda, corte para dentro e chumbo no canto do gol.

Aparentemente, Marcos Aurélio está salvo. A eletricidade da sua atuação não pode ser desprezada. Apresentou tal energia que é impossível imaginá-lo sonolento pelo lado direito do ataque, chutando a bola pé murcho. Agora, cabe a René Simões resolver taticamente um time em que três jogadores funcionam melhor pela esquerda: Carlinhos Paraíba, Marcelinho Paraíba e o renascido Marcos Aurélio.

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