Dependesse de Mario Celso Petraglia, e o Ministério Público do Paraná, a torcida do Atlético-PR não teria vivido uma das melhores noites de sua história. No mais clássico palco do futebol nacional, fora de casa, os rubro-negros, em número expressivo, se fizeram ouvir para o Brasil inteiro.

Quem foi, jamais esquecerá. Quem não foi, também. Por todo o país, os atleticanos se sentiram representados pelos cerca de 2 mil torcedores que foram ao Rio de Janeiro e calaram os locais E, ao apito derradeiro, ainda ficaram com a vaga para uma inédita decisão da Sul-Americana.

O domínio atleticano nas arquibancadas foi o que se poderia chamar de “copar” o Maracanã, um termo importado dos hinchas argentinos. Algo como “triunfar”, “vencer”, “conquistar”, que serve ainda para representar as vitórias de títulos e taças (as “copas”).

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Nada disso seria possível, entretanto, se vigorasse na ocasião o estrambólico, a começar pelo nome, conceito de “torcida humana”, uma criação do cartola e do poder público estadual. Fosse assim, e o duelo no Mario Filho ficaria marcado pela ausência de trilha sonora. Ou pela vaia dos tricolores.

Felizmente, o que se viu na noite de quarta-feira (28), embora não tenha sido novidade alguma, foi mais uma passagem que exprime a essência do futebol. O jogo se ganha no campo e na arquibancada. E entre vitoriosos e batidos, é dentro do estádio que a batalha, na bola e no grito, se desenrola.

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Nada a ver com a ideia, insossa, da “torcida humana”. Uma tentativa de cópia, mal ajambrada, das estéreis arenas de esportes americanas. A ideia de que o torcedor deve trocar a paixão por um saco de pipoca e a companhia de um rival na cadeira ao lado, para “aplaudir” o esporte.

Bobagem fechar o espaço dos visitantes que não se verifica em campo de futebol algum do planeta. Nem na Copa do Mundo. E que não tem base consistente sequer no aspecto de segurança, motivação que “sustenta” o plano dos atleticanos e do MP-PR. Ao contrário, potencializa riscos ao infiltrar os visitantes.

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