Por Carlos Vinícius Amorim, da Trivela
O retorno do Londrina à Série B, como vice-campeão da Terceira Divisão em 2025, foi um resultado acima do que a própria gestão do clube esperava. Quem aponta isso é Guilherme Bellintani, dono da SAF do Tubarão por meio da rede multiclubes Squadra Sports. Isso, porém, não significará loucuras no orçamento financeiro da equipe em 2026.
Em entrevista por videoconferência, dirigente baiano, que banca o investimento na equipe paranaense por sua carreira de sucesso como empresário na área educacional e editorial, prevê que, a partir do próximo ano, o LEC passe a “andar com as próprias pernas”.
Desde a criação da SAF, no começo de 2024, até hoje, o dinheiro da Squadra é necessário para bancar a operação do clube. Na Segunda Divisão, por outro lado, Bellintani crava: “Não posso mais ficar aportando dinheiro para a folha salarial, o Londrina tem que pagar com a receita da Série B”.
“O que eu tenho visto é a Série B muito cara. Eu fui presidente no Bahia em 2022, quando o time estava na Série B e era um das maiores folhas, gastando R$ 2 milhões por ano. Hoje, R$ 2 milhões é investido em times da parte média/baixa da classificação”, iniciou a explicação.
[No Londrina] Se eu projeto uma folha de R$ 1,2 milhão, R$ 1,3 milhão para a Série B, todo mundo vai dizer, ‘você vai cair’. É a menor folha da Série B. É o que cabe na conta, meu amigo. Se eu pagar mais de 1 milhão e 200 mil reais de folha na Série B, eu não vou [conseguir] pagar o salário – completa Bellintani.
E se o Londrina cair para a Série C?
Provocado pela reportagem se o baixo investimento não poderia fazer o time retornar à Série C, o empresário afirmou que o maior risco seria se endividar e não conseguir cumprir com as obrigações financeiras.
“É um receio da vida de risco mesmo do empresário e do futebol. Eu brinco: ‘não quer brincar, não desça para o play’. Faz parte do risco. O que eu acho que é um risco muito maior seria fazer que não consigo pagar. É o risco que já está realizado, já deu merda ali no começo”, brinca.
“O risco de fazer uma folha menor e cair, ele pode vir a acontecer. Então a gente tem que ter coragem, mas não é um tiro no escuro”, aponta.
Bellintani confia na transparência com o torcedor, pois nunca prometeu loucuras. “Sempre disse que nós não vamos transformar o Londrina num clube milionário e que de uma hora para outra vai ter um monte de camisa 10 ganhando R$ 300 mil por mês”, diz.
Ao mesmo tempo que a folha deve ser bancada pela própria operação do Tubarão, a Squadra Sports do empresário segue investindo na estrutura do clube e no pagamento da dívida que assumiu, no momento por volta de R$ 15 a 17 milhões.
/https%3A%2F%2Fmedia.umdoisesportes.com.br%2Fmain%2F2025%2F10%2F16140733%2Fguilherme-bellintani-londrina.jpg)
O futuro do Londrina SAF
O recente acesso aconteceu uma temporada antes do previsto pela administradora da SAF do Londrina. Bellintani avalia que isso traz três fatores positivos: retorno financeiro mais rápido, antecipa movimentos dentro da Squadra e aumenta a expectativa para que, em 2029, quando termina o “primeiro ciclo da rede multiclubes” – como define o executivo – o LEC esteja ainda melhor.
Dentro dessa estratégia de cinco anos, o Tubarão ganhará avanços em sua estrutura. A primeira parte do centro de treinamento vem no primeiro semestre do ano que vem, com dois campos, cenário que também se repete em 2027 e 2028 até contar com seis gramados.
O clube terá três prédios, um a cada ano a partir do próximo, sendo o primeiro para acomodar o time profissional. Esportivamente, o 2026 do Londrina será agitado com a estreia no Campeonato Paranaense em 7 de janeiro, tendo a estreia na Copa do Brasil no mês seguinte e o retorno à Série B em março.
“O projeto de 2026 é seguir pagando a dívida, estabilizar na Série B, fazer uma boa Copa do Brasil, tentando chegar ali em segunda, terceira fase, e ser competitivo regionalmente no Campeonato Paranaense, que é um campeonato muito difícil”, finaliza o dirigente.