O atacante Hildeberto, agora chamado de Berto, do Operário, relatou ter sido vítima de ofensas racistas após a derrota para o Vila Nova por 2 a 1, no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), em Goiânia, pela quinta rodada da Série B.
O ato aconteceu após o fim da partida quando o jogador, que é natural de Cabo Verde, teria sido chamado de “macaquinho” por um torcedor goiano, atrás do banco de reservas. Revoltado, Berto discutiu com os torcedores nas arquibancadas e uma confusão generalizada começou.
Torcedores e jogadores arremessaram objetos do campo para a arquibancada/tribuna e vice-versa. Um dos objetos, uma garrafa, inclusive, acertou o rosto do presidente Álvaro Góes, do Operário, que caiu no gramado e saiu com o nariz sagrando. Berto, por sua vez, saiu diretamente do estádio para a delegacia local para fazer boletim de ocorrência.
Segundo atualizações do Operário, na tarde deste domingo (19), um dos criminosos já foi identificado e está detido por injúria racial. O Vila Nova segue ajudando e acompanhando o caso para novas informações sobre os envolvidos.
Operário publica nota oficial sobre caso de racismo contra Berto
O Operário Ferroviário repudia com absoluta veemência os atos de cunho racista sofridos por seus atletas após a partida deste sábado, em Goiânia, diante do Vila Nova.
As imagens encaminhadas às autoridades evidenciam as manifestações discriminatórias. Um dos envolvidos já foi identificado e autuado em flagrante. O clube prestou imediato apoio aos jogadores e acompanhará o caso até as últimas instâncias, buscando a completa responsabilização dos envolvidos.
O Operário ressalta que se trata de uma conduta individual, que não representa a instituição Vila Nova nem a maioria de seus torcedores. Agradecemos à diretoria do clube goiano pela postura colaborativa e pela solidariedade prestada aos nossos atletas e ao Presidente do Grupo Gestor.
No que se refere aos acontecimentos posteriores, o Operário destaca que o ambiente foi marcado por elevada tensão decorrente da gravidade do ocorrido, circunstância que deverá ser considerada na devida análise.
Reafirmamos que o racismo é abominável e inaceitável. O combate a essa prática exige a união de toda a sociedade. Seguiremos firmes, de forma intransigente, no combate ao racismo e na defesa incondicional de nossos profissionais.
Árbitro publica informações da confusão em súmula
O árbitro Jodis Nascimento de Souza divulgou a súmula da partida com informações da confusão após a partida. Confira abaixo o relato completo.
“Após o término da partida, quando a equipe do Vila Nova FC e a equipe de arbitragem já tinham se dirigido aos seus respectivos vestiários, houve uma confusão entre torcedores do Vila Nova, que se localizavam atrás do banco de reservas do Operário e os jogadores visitantes de número 14 e 18.
O atleta número 18 arremessou uma garrafa contra um torcedor, que arremessou a garrafa de volta ao campo de jogo, atingindo o um senhor, posteriormente identificado como presidente do Operário. O atleta número 14 arremessou um objeto na direção
arquibancada, não foi possível identificar se atingiu alguém.
Fomos informados no vestiário pelo delegado, o SR Leandro Lagares Pires de Souza, da partida, que após o término do jogo, já com a equipe de arbitragem no vestiário, o comandante da força policial do BEPE, foi até o vestiário informar que o atleta de número 14 o SR Hildeberto José Morgado Pereira, alega ter sofrido injúria racial de um torcedor da equipe do Vila Nova FC.
O atleta saiu do estádio acompanhado pelo policiamento em direção à delegacia para prestar queixa contra o torcedor. Informo que, até o término da elaboração da súmula, não foi apresentado boletim de ocorrência (b.o).
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