No Nilton Santos, no Rio, pelo Brasileirão, o Athletico ganhou do Botafogo por 3 a 2. Viveros parece o “Trem das 7”, de Raul Seixas: em silêncio, de repente, “surge atrás das montanhas… fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem”.
Viveros, à sua maneira, embora às vezes rústico, é sempre decisivo. Outra vez, os seus gols mantiveram o Furacão no terceiro lugar. Agora foram dois; o outro, o primeiro, foi de João Cruz.
O Athletico foi uma anomalia. Teve a capacidade de ser perfeito e marcar 2 a 0 em 13 minutos e administrar a vitória durante quase todo o restante do tempo. Mas, desprezando o imponderável tão presente no futebol de hoje, relaxando, abriu os espaços e correu o risco de frustrar a grande vitória.
Não há, no entanto, como negar a excelência do jogo do Furacão no primeiro tempo, em especial nos 13 minutos iniciais.
Pressionando na frente para ganhar a bola perdida, recuperou duas. A primeira, com Jadson, que cruzou. No rebote do goleiro Gabriel, João Cruz finalizou de cabeça. Logo depois, aos 12 minutos, Dantas pressionou a zaga, que perdeu a bola para Viveros. Livre, sem a pressa que às vezes o atrapalha, livrou-se do goleiro Gabriel Batista e fez 2 a 0.
Furacão perde o controle e quase deixa vitória escapar
A queda do time no segundo tempo deve-se a vários fatores, mas, em especial, à saída de Luiz Gustavo, lesionado. Sem ele, o time perdeu o controle da bola, do tempo e do espaço. Portilla é um arremedo de meia.
Apesar de o Botafogo ter melhorado, o Athletico passava o jogo sem traumas. Duas bolas na trave e uma grande defesa de Santos estavam na conta desse novo panorama. Foi quando, aos 33 minutos da etapa final, o excelente Vargas lançou Viveros que, correndo por quase toda a intermediária carioca, ganhou posição para arrematar e fazer 3 a 0. É possível que, com esse jogo de Vargas, o treinador Odair Hellmann se convença de que é o momento de Leozinho voltar para o banco.
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Quando se trata do Furacão, nada é sem emoção. Nos últimos três minutos, Santi Rodríguez fez dois gols, provocando um ambiente tenso entre os atleticanos que não precisava existir.
Com 44 pontos, o jogo contra o Fluminense, domingo, às 11h, na Baixada, pode fazer com que os atleticanos tenham o direito de, no mínimo, sonhar com coisas extraordinárias, embora a campanha já seja excepcional.
Augusto Mafuz – leia o perfil completo
Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.
Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.
Polêmico vocacional e bem-informado dos bastidores do futebol, Mafuz esconde, sob a pena perfurocortante, um homem doce e generoso. Amigo de infância de Carneiro Neto, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, provando que sua crônica continua em pé de guerra. Clique aqui e leia todas as colunas de Augusto Mafuz.