Nilson Borges, que faleceu nesta quarta-feira (3) aos 79 anos de idade, foi exemplo de uma rara unanimidade. Ídolo do Athletico, onde chegou como jogador em 1968, o paulista cativava sem precisar se esforçar.

O largo sorriso brotava do rosto naturalmente, assim como as risadas que sempre acompanhavam histórias de uma vida apaixonada pelo Furacão.

"Não me lembro de ter pego o Nilson de mau humor, ele estava sempre estava dando risada. A gente brincava muito porque o apelido dele era Bocão – e ele não gostava", lembra o ex-zagueiro Alfredo Gottardi Júnior, que jogou ao lado do ponta-esquerda e também foi treinado pela lenda atleticana.

"Um coração maravilhoso, só pensava em ajudar. Nunca o vi de cara feia. Seu Nilson contagiava as pessoas e o ambiente onde estava", afirma o ex-volante Cocito.

Nilson Borges era a história viva do Athletico

Em 53 anos de dedicação ao Athletico, Borges também trabalhou nas categorias de base, foi observador, auxiliar e treinador. Há vários anos, seu cargo era de auxiliar-técnico do time principal. Sua segunda casa era o CT do Caju.

"Todo dia pela manhã ele chegava, entrava na minha sala para tomar seu cafezinho, fumar seu cigarrinho – e agora não vai ter mais. Uma estrela do Furacão se apagou hoje", lamenta o ex-massagista Bolinha, que se aposentou no fim de outubro de 2020.

"Essa notícia acabou com meu dia. Uma pessoa com quem convivi por 27 anos. Sincero, amigo, de palavras certas, sem diz-que-me-disse. Vai deixar saudade imensa, mas sua história continua", completa.

O médico Edilson Thiele, outro com décadas de convivência com Borges, ressalta o lado brincalhão do amigo.

"O Nilson detestava o apelido. Ele tinha uma varinha de marmelo e, quando o chamavam de Bocão, ele esperava. Se você falasse na segunda-feira, lá pela sexta-feira você já estava distraído. E aí ele vinha e dava nas suas pernas com a varinha que envergava tudo", recorda Thiele, aos risos.

"Nilson era muito gentil, mas com quem ele tinha certa intimidade xingava muito quando o chamavam de Bocão. 'É a mãe, é mãe', ele dizia", resgata o ex-jogador Capitão Hidalgo, que o enfrentou desde o início da década de 1960, ainda no futebol paulista, e depois virou rival em diversos Atletibas.

Mas os dois também chegaram a atuar juntos, tanto no Rubro-Negro quanto no Coxa.

"Naquela época, quem ganhava o Estadual disputava o Nacional. E havia um acordo para escolher alguns jogadores rivais para formar uma "seleção". Eu fui [para o Athletico] com o Hermes, a pedido do Alfredo Ramos, em 1970. No ano anterior, o Nilson jogou no Coritiba", conta Hidalgo, que destaca a humildade do companheiro.

Carisma e talento de Nilson Borges

Para Alfredo, a perda de Nilson Borges é irreparável. "Ele era a história do Athletico, né? Uma pessoa muito querida, amigo, companheiro. Jogamos juntos um tempão, depois foi nosso treinador. Não dá pra mensurar a perda que ele representa", fala.

Dentro de campo, Bocão defendeu a camisa rubro-negra entre 1968 e 1974. A carreira acabou de forma prematura, aos 33 anos, por causa de uma sequência de lesões nos joelhos.

Habilidoso, o campeão estadual de 1970 sofria com faltas violentas e recorrentes dos adversários. Mas também maltratava os rivais de uma forma bem mais sutil.

"Ele era muito acima da média. Quando ficava só ele e o goleiro, você dava risada porque o goleiro sempre acabava sentado no lance, sem reação", lembra Alfredo.

"Para mim, o Sicupira e o Nilson foram os maiores da história do clube. Um exemplo de pessoa, de jogador. Ele sabia lidar da pessoa mais simples à mais chique. E amava o Athletico de verdade", aponta Thiele.

"Falar do Nilson Borges é falar de um ser humano sensacional, de um cara super carismático. Um ídolo do clube, mas com tamanha humildade, sempre tratava a todos de maneira igual. E nos ajudava bastante, no nosso crescimento como atletas e como pessoas. Sem dúvida deixou seu legado", conclui Cocito.

Participe da conversa!
0