Há exatamente dez anos, o Athletico inaugurou uma nova – e polêmica – era no futebol brasileiro. No dia 24 de fevereiro de 2016, estreou o gramado sintético da Arena da Baixada, em Curitiba.
Naquele dia, o Rubro-Negro derrotou o Criciúma por 1 a 0, em duelo da extinta Primeiro Liga. Com gol do volante Otávio, atualmente no Fluminense, venceu o primeiro de um total de 362 jogos disputados no período, com 67% de aproveitamento.
De lá para cá, a discussão sobre o piso artificial nunca cessou. Entre as razões para abrir mão da grama natural, o clube alega que as características do terreno não são favoráveis, já que há um lençol freático abaixo do antigo Estádio Joaquim Américo Guimarães. Isso causaria umidade elevada e impediria o crescimento consistente do gramado natural.
Claro, também há motivos financeiros que pesaram pela troca. O valor investido para a instalação do sintético (R$ 4 milhões), por exemplo, é pequeno em relação ao que o clube gastava anualmente com manutenção do natural – cerca de R$ 2,5 milhões/ano em 2016. A possibilidade de realizar shows com mais facilidade, sem prejudicar tanto o piso, foi outro ponto considerado.
Falem mal, mas falem de mim
Ao mesmo tempo em que as críticas de jogadores, torcedores e clubes ao sintético persistem, o não há como negar que o pioneirismo do Athletico influenciou o cenário do futebol nacional. Atualmente, outros cinco estádios do Brasileirão (25% dos times) trocaram a grama natural pela têm artificial. São eles:
- Atlético-MG (Arena MRV)
- Botafogo (Engenhão)
- Chapecoense (Arena Condá)
- Allianz Parque (Palmeiras)
A Fifa segue reconhecendo e atestando a qualidade dos sintéticos, mesmo que não libere nenhum estádio com este tipo de piso para a Copa do Mundo. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também permite a realização de partidas nos atuais sintéticos, desde que com certificado da Fifa.
Em dezembro de 2025, no entanto, a CBF suspendeu a homologação de novos gramados artificiais, após pedido liderado pelo Flamengo. Ou seja, a entidade não aprovará nenhuma nova implementação do tipo.
Desde o ano passado, diversos jogadores se manifestam contrários os sintéticos. Astros como Neymar, Gabigol, Philippe Coutinho, Lucas Moura e Memphis Depay organizaram uma campanha nas redes sociais com um manifesto em defesa dos gramados naturais.
Mesmo sem comprovação científica, alegam que o sintético aumenta o risco de lesões. “Futebol é natural, não sintético!”, compartilharam os atletas, que seguem com críticas frequentes.
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O sintético dá vantagem? Veja o aproveitamento do Athletico no ‘tapetinho’
Conforme levantamento do UmDois Esportes, em dez anos, Athletico tem aproveitamento de 67,03% no gramado sintético da Arena da Baixada. São 362 jogos, com 215 vitórias, 83 empates e 64 derrotas, nos dez anos do “tapetinho“.
A adaptação foi rápida. A temporada com melhor desempenho foi justamente em 2016, quando o Athletico obteve 22 vitórias, seis empates e três derrotas em 31 jogos – 77,4% de aproveitamento. O aproveitamento foi superior a 70% em quatro dos dez anos no piso artificial.
O pior resultado aconteceu em 2017, quando o retrospecto foi de 15 vitórias, 11 empates e nove derrotas em 35 partidas. Ou seja, um baixo aproveitamento como mandante (53,33%). Aliás, nem no ano do rebaixamento a Série B, em 2024, os números foram tão ruins.
Naquela temporada, o time teve 62,16% de aproveitamento em 37 jogos, após 21 vitórias, seis empates e dez derrotas. Os números do título invicto do Campeonato Paranaense (sete vitórias e dois empates) elevam a média total.
Já na atual temporada, com a qualidade do gramado da Arena muito abaixo do padrão original, o time soma 61,9% de aproveitamento até aqui. São quatro vitórias, um empate e duas derrotas.
Desempenho do Athletico no sintético da Arena da Baixada desde 2016
| Ano | Vitórias | Empates | Derrotas | Jogos | % |
|---|---|---|---|---|---|
| Total | 215 | 83 | 3 | 362 | 67,03% |
| 2016 | 22 | 6 | 3 | 31 | 77,4% |
| 2017 | 15 | 11 | 9 | 35 | 53,33% |
| 2018 | 26 | 8 | 5 | 39 | 73,5% |
| 2019 | 25 | 5 | 7 | 37 | 72,07% |
| 2020 | 19 | 8 | 6 | 33 | 65,65% |
| 2021 | 20 | 9 | 9 | 38 | 60,52% |
| 2022 | 22 | 10 | 5 | 37 | 68,46% |
| 2023 | 23 | 10 | 2 | 35 | 75,23% |
| 2024 | 21 | 6 | 10 | 37 | 62,16% |
| 2025 | 18 | 9 | 6 | 33 | 63,63% |
| 2026 | 4 | 1 | 2 | 7 | 61,90% |
Desgastado, sintético do Athletico virou “vilão nacional” em 2026
Com prazo de validade de dez anos, o gramado sintético atleticano nunca esteve tão ruim. O piso ficou ainda mais desgastado com o aumento no número de shows realizados no estádio do Athletico nos dois últimos anos.
Em janeiro, o Furacão anunciou que vai substituir o gramado sintético pela primeira vez desde 2016. A troca vai acontecer entre os dias 1º de junho e 19 de julho, durante a pausa para a Copa do Mundo. O certificado atual da Fifa, concedido em janeiro, vale até fevereiro de 2027.
No ano passado, os próprios jogadores do Furacão chegaram a reclamar das condições da grama. No início deste mês, o técnico Odair Hellmann admitiu que a qualidade do gramado estava atrapalhando os jogadores. Já na semana retrasada, Odair ficou irritado com a insistência no tema. Isso se deve pela imensa repercussão negativa do jogo contra o Santos, com direito a crítica de Neymar nas redes sociais.
Com excesso da fibra de coco, utilizada no preenchimento do sintético, durante a manutenção realizada nos dias 18 e 23 de janeiro, o gramado ficou com predominância castanha. Além disso, está levando os jogadores a escorregaram com facilidade.
Para o jogo diante do Corinthians, a diretoria do clube determinou a retirada de fibra de coco. Apesar de a estética do piso melhorar, o desempenho das equipes seguiu ruim. Jogadores do Corinthians, inclusive, detonaram o estado atual do gramado.