Por já ter grandes decepções, já não sou mais de me entusiasmar com algumas coisas do futebol. Já escrevi que não me entusiasmo com Odair Hellmann como treinador. Às vezes, a impressão que passa é a de que tem dificuldade para encontrar a equação que equilibre um time de futebol. 

Mas essa opinião torna-se irrelevante diante de uma outra que tenho do treinador: a do ser humano. Odair é uma espécie rara nesse mundo selvagem que se tornou o futebol. Para ter essa consciência, nem preciso conhecê-lo pessoalmente.

Não tenho na reserva de lembranças um treinador que exterioriza os seus sentimentos diante de um fato. Quando provocou “a alma e o amor” atleticano para esses três jogos que podem devolver o Athletico ao Brasileirão, assumiu uma causa.   

E não se trata de uma causa pessoal, embora fosse o seu direito; mas uma causa social, por ter consciência do trauma da torcida atleticana de ver o time na Segundona e com riscos de não voltar ao Brasileirão. 

Nessa conduta de Odair há o que Santo Agostinho ensina, um fundamento ético-moral, quando o ser humano faz uma causa social sobrepor os seus interesses pessoais. 

O Athletico merece voltar ao Brasileirão. Por seu novo torcedor: Odair Hellmann.

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