O empate sem gols entre Athletico e Grêmio na Arena da Baixada, na noite do último sábado (2), pela 14ª rodada do Brasileirão, detonou uma troca de farpas entre o técnico Odair Hellmann e a comissão técnica gremista.
Após uma provocação de Odair, o auxiliar-técnico de Luis Castro, o português Vítor Severino, usou as redes sociais para rebater as críticas do Papito sobre a postura do time visitante.
O Grêmio teve um jogador a mais desde os 30 minutos de jogo, quando o lateral-esquerdo Lucas Esquivel foi expulso após desentendimento com o atacante Enamorado. No entanto, os gaúchos evitaram adotar uma postura mais ofensiva em busca da vitória.
“Frustração e ‘síndrome de pequenez’ é um sintoma típico de quem está onde não queria estar ou, por outro lado, está em algum lugar mas querendo estar em outro”, disparou Severino.
“É o típico Dunning-Kruger”, completou, citando um conceito acadêmico que define um viés cognitivo pelo qual pessoas com pouco conhecimento sobre um determinado tema acabam superestimando sua própria habilidade no mesmo.
Ou seja, segundo Severino, Odair fala sobre o Grêmio sem ter conhecimento de causa e, justamente por causa disso, imagina saber mais do que de fato sabe.
Horas depois da primeira postagem na rede X, o português voltou a disparar contra o comandante rubro-negro, relembrando campanhas mal sucedidas no passado recente do treinador em Santos (2023), Al Riyadh (2023/24) e Al Raed (2024/25).
“Quer ganhar mais, pede aumento mister. E parabéns pelo grande início. É realmente muito difícil tirar pontos neste estádio. Mérito vosso. Sem ironia”, arrematou.
Odair ironizou postura do Grêmio na Baixada
Nascido em Santa Catarina e ex-volante revelado nas categorias de base do Internacional, Odair também começou a carreira de treinador no Beira-Rio e tem as raízes futebolísticas fincadas no Rio Grande do Sul, onde ganhou a fama de retranqueiro por parte da mídia local.
“Eu sou da aldeia, lá do Rio Grande do Sul, e esse rótulo saiu de lá. E esse rótulo caiu por terra agora nessa minha volta ao Brasil. Queria ver a uns anos atrás se o Papito colocasse 3 zagueiros e 2 volantes e empatasse um jogo fora de casa com um a mais desde os 30 minutos do primeiro tempo. Às vezes gastam muito dinheiro com [técnico] ofensivo, mas que dentro de campo é retranqueiro”, desabafou Hellmann.
O Rubro-Negro ficou com um jogador a menos durante cerca de 60 minutos entre a expulsão de Lucas Esquivel, ainda no primeiro tempo, e Riquelme, na reta final da partida. Mesmo assim, o time atleticano não abdicou do ataque e terminou com mais finalizações que o adversário: 11 a 7.
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Pelo Colorado, Odair foi vice-campeão da Copa do Brasil 2019, perdendo a final justamente para o Furacão. Ele ainda teve passagens no futebol brasileiro por Fluminense e Santos, além de experiências no futebol árabe.
“Determinada característica de grupo de jogadores para dar uma resposta dentro de modelo de jogo talvez seja mais de transição. E qual o problema? No Brasil, virou um problema gigantesco. Não pode jogar em transição que é retranqueiro, mas o Real Madrid pode. Não conheço nenhuma equipe no mundo que tenha 70% de posse de bola em todos os jogos contra todos os adversários”, disse.
“São rótulos que vão se colocando em determinados profissionais que ficam. Eu também cresci como treinador, também experimentei e enfrentei novas escolas. Isso foi me dando coragem, capacidade e conteúdo para que experimentasse novas estruturas e tivesse coragem”, complementou Hellmann.