Não sei se irei me acostumar tão cedo. É que ver o Athletico jogar a Série B exige muita resignação e espírito de renúncia. E tratando-se de um valor de vida, não os tenho. Contra o Paysandu, confesso, a certa altura do jogo, fui tomado pela angústia. E, no entanto, ele estava ganhando, como ganhou, por 2 a 1.

Mas, não se trata apenas de ver o Athletico jogando a Segundona, mas é o Athletico jogando como se fosse time de Segundona. Aos trancos, encosta-se na individualidade de um ou outro jogador.

Talvez, por ser obrigado, ainda que seja sem renunciar meu inconformismo, recupero a resignação, sentimento a que sempre recorria no passado.

Ganhou em Belém porque o goleiro Mycael salvou-o no segundo tempo. E por que a individualidade de Bruno Zapelli, Alan Kardec, Velasco e Isaac foi a exceção de tudo o que passou pelo Mangueirão, resolvendo o jogo com a marcação e a criação dos dois gols (Zapelli e Renan Peixoto).

Ainda que assistisse o jogo do Furacão com olhos conformados, ficaria com uma dúvida: por qual razão o treinador Mauricio Barbieri, passados três meses desde que assumiu o comando técnico, ainda não conseguiu dar o mínimo padrão de jogo ao time?

Passados três meses, não há argumento que justifique. E, ainda mais no Athletico, em que sobram condições estruturais para implementar as ideias.

No futebol, culpar o técnico é o melhor escape em tempo de frustração. Mas, esse argumento clássico, não se aplica ao caso. Do fracasso contra o Maringá ao jogo de Belém passaram-se dez dias. E, no entanto, nada mudou.

A desordem é tão escancarada, não há um esquema definido, ao ponto de submeter-se ao domínio de um time de pobreza técnica como o Paysandu. Só vencer é um conformismo perigoso na Segundona. De repente, começa a não vencer.