Athletico e Red Bull Bragantino decidem o título da Sul-Americana neste sábado (20), às 17h, no emblemático Centenário, em Montevidéu, capital do Uruguai.

Duelo brasileiro em território internacional que, fora de campo, torna-se simbólico ao equiparar forças entre dois clubes frequentemente tidos como exemplos de novos e modernizantes modelos de gestão no futebol nacional.

E que acontece em meio ao fervilhante debate sobre a transformação das agremiações do Brasil em Sociedades Anônimas — recentemente, o Conselho Deliberativo do Furacão deu o aval para que o Rubro-Negro faça esta transição.

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Apesar de geralmente apontados como expressões do soccer business no Brasil, as trajetórias de ambos os finalistas apresentam tanto semelhanças, como profundas diferenças.

Quase centenário, o Athletico partiu de clube até então periférico, porém com fiel e numerosa torcida, nos anos 1990, para se consolidar como uma das potências estruturais e esportivas do país, através de um eficiente e, por que não, autoritário regime, centralizado nas bem-sucedidas mãos de ferro de Mario Celso Petraglia.

Caminho sólido e paulatinamente pavimentado, ano após ano, partindo de uma expressiva evolução patrimonial, avançando para resultados esportivos cada vez mais importantes, sem queima de etapas.

Já o Massa Bruta pode ser considerado uma bem-sucedida experiência de aporte financeiro internacional, que serviu como atalho para um clube do interior de pouca torcida e repercussão passar a servir como vitrine de uma multinacional endinheirada e figurar como altamente competitivo tanto dentro, como fora dos gramados, em curtíssimo espaço de tempo.

O atual modelo da Red Bull foi estruturado com a compra do clube-associativo Bragantino, ou seja, a empresa adquiriu todos os títulos de sócios e criou uma estrutura capaz de repassar aportes da sede na Áustria para os cofres do time, em Bragança Paulista - negociação feita diretamente com a família Chedid, que até então era a responsável pela gestão alvinegra.

“A principal diferença está nas especificidades entre os dois clubes. O Athletico, por ser um clube com expressiva torcida e localizado em uma grande capital, deverá prestar contas a essa torcida, como, por exemplo, no caso de eventual má-gestão ou ausência de resultados esportivos”, analisa Luciano Motta, autor do livro “O mito do clube-empresa”.

“Já o Bragantino tem todos estes fatores minimizados, o que interfere diretamente no dia a dia de um clube de futebol. Assim, há mais diferenças do que semelhanças entre ambos os finalistas”, reforça, alertando para possíveis riscos no futuro da parceira.

"Enquanto o Bragantino for relevante para a Red Bull, haverá aporte financeiro. A partir do momento em que este projeto já não for mais interessante, sob diversos parâmetros, ele será abandonado à própria sorte. O clube precisa de um desenvolvimento sustentável, para não ficar à deriva, necessitando de aportes financeiros para se manter", ressalta Motta.

Onde estariam, então, as semelhanças entre os postulantes à glória na Sula? De acordo com o jornalista e especialista em marketing esportivo, Erich Betting, as afinidades residem na gestão do futebol.

“É uma comparação interessante para mostrar que não precisa ser um clube-empresa para ser bem-sucedido. Até porque uma empresa também pode ser muito mal gerenciada. Não é o modelo em si que assegura eficiência e sucesso esportivo”, inicia Betting.

“Neste sentido, Athletico e Bragantino são clubes teoricamente bem parecidos, pensando no ponto de vista de uma gestão de futebol equilibrada, focada na prospecção de atletas, com times que não oscilam tanto quando há troca de treinadores e possuem diretrizes claras, seguindo um padrão, coisa difícil de ver no Brasil”, detalha o dono do site Máquina do Esporte.

Análise compartilhada pelo jornalista Irlan Simões, organizador do livro “Clube Empresa: abordagens críticas globais às sociedades anônimas no futebol”. “Alguns defendem a ideia de clube-empresa como a última solução, um formato que levaria a um avanço. Mas não tem nada a ver”, argumenta.

“Boa gestão no futebol é ter eficiência, controle de custos, um programa para tirar o máximo de cada jogador, uma lógica de trabalho. E isso é o que o Athletico faz muito bem. É a prova de que um clube associativo pode ter sucesso. E que, com a transformação para clube-empresa, quer dar um passo a mais”, complementa.

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