O Athletico tem dívida acumulada no valor de R$ 405 milhões. O número, divulgado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), situa o clube com o quinto menor passivo entre os 20 times da Série A, atrás apenas de Coritiba, Chapecoense, Remo e Mirassol. O levantamento aponta que os times somam débito de R$ 22 bilhões só na elite do futebol brasileiro.

Dívida menor que o ativo

Para entender a situação do Athletico, há um dado muito importante em relação ao balanço financeiro (confira os detalhes no infográfico ao fim da matéria). Em 31 de dezembro de 2025, o clube declarou R$ 1,48 bilhão em bens e direitos contra os R$ 405 milhões de passivo. A diferença (R$ 1,07 bilhão) é o patrimônio líquido, resultado que poucos clubes da Série A conseguem apresentar.

O prazo de pagamento, porém, traz outro ponto-chave. Do total devido, R$ 244 milhões (60%) vencem no curto prazo, a 13ª maior fatia entre os clubes da elite. Os 40% restantes (R$ 161 milhões) ficam no longo prazo.

Mas os dados mostram que o Athletico tem caixa para honrar seus compromissos. São R$ 288 milhões em recursos de curto prazo, como disponibilidades e valores a receber, o equivalente a 118% dos R$ 244 milhões que vencem no mesmo horizonte – a média da Série A é de 46%. Para cada R$ 1 de dívida de curto prazo, há R$ 1,18 disponível.

Visão aérea, feita com drone, da Arena da Baixada. (Foto: Duda Matoso/athletico.com.br)

De onde vem a dívida do Athletico

A composição da dívida explica o peso do fator Arena da Baixada. Empréstimos – a grande maioria relacionados ao pagamento estádio à Fomento Paraná – respondem por 49% de todo o passivo. Transferências de atletas somam 30%, seguidas de trabalhistas, impostos e parcelamentos (9%), receitas recebidas antecipadamente (8%), fornecedores (4%) e provisões para processos (2%).

No painel de atrasos, com dados de 30 de junho de 2026, o Athletico declarou pendências apenas em transferências de atletas, com outros clubes e atletas com percentual. Os débitos são anteriores a 2026, estão no período de transição das novas regras e, por enquanto, sujeitos a advertência. Salários, direitos de imagem, prêmios, tributos e parcelamentos não tiveram atraso declarado, o que mantém o clube entre os 15 dos 40 que chegaram a junho sem pendências nos três itens monitorados.


Athletico-PR
Série A 2026
Dados de 30 jun e 31 dez de 2025

Dívidas em atraso
Atletas e funcionários
salários, imagem, prêmios
Em dia
Transferências
outros clubes e atletas
Em atraso
Dívidas pré-2026, em período de transição.
Impostos e governo
tributos e parcelamentos
Em dia
Balanço (dez/2025)
Passivo total
R$ 405 mi
Ativo total
R$ 1,48 bi
Patrimônio líquido
R$ 1,07 bi
Curto prazo — R$ 244 mi (60%)
Longo prazo — R$ 161 mi (40%)
118%
cobertura de curto prazo
Mediana da Série A: 46%
Composição da dívida — maiores categorias
Empréstimos e financiamentos
R$ 197 mi 49%
Transferências de atletas
R$ 119 mi 30%
Trabalhistas, impostos e parcelamentos
R$ 35 mi 9%
Outras 3 categorias (receitas antecipadas, fornecedores e provisões) somam R$ 54 mi — 12% restantes.

O que os números dizem sobre o Athletico

O clube deve pouco para o tamanho do próprio patrimônio e tem liquidez acima da média da Série A. O risco não está no volume da dívida, mas no calendário. Com o passivo concentrado na Arena da Baixada e parte relevante coberta por recebíveis, o clube fica exposto a atrasos de receita – como já aconteceu com a dificuldade de venda dos títulos de potencial construtivo pela prefeitura –, e as pendências de transferência precisam ser equacionadas antes do fim do período de transição.

Mario Celso Petraglia, presidente do Athletico. (Foto: Geraldo Bubniak/ZUMA Press Wire/Alamy)

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