O Athletico foi condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR) a pagar R$ 150 mil para o analista de desempenho Leonardo Porto. O profissional trabalhou no clube na passagem do técnico Dorival Júnior no CT do Caju, entre janeiro e agosto de 2020. Cabe recurso ao clube.

A condenação aconteceu por causa da demissão antes do término do contrato, que iria até o final de 2021. O clube ainda utilizou um contrato de trabalho falso para justificar a demissão sem justa causa.

Segundo a Justiça do Trabalho, após o analista alegar que o documento do Athletico era falso, o Juízo de 1º Grau determinou uma perícia grafodocumentoscópica, que verifica a autenticidade do documento.

“A análise especializada concluiu que as páginas 2 e 5 haviam sido substituídas. O laudo apontou inconsistências nas marcas de grampos, decalques ausentes nas páginas 2 e 5, inconsistências de rubricas, ausência de rubrica do trabalhador nas duas folhas, entre outras incoerências”, destacou o relatório.

Leonardo Porto (à esq.) trabalhou no Athletico com Dorival Júnior

Os motivos da condenação do Athletico

A defesa do Athletico alegou que Leonardo Porto teria concordado com a alteração do documento. Além disso, o clube justificou que o analista de desempenho teve um comportamento contraditório por ter aceitado as verbas trabalhistas.

O desembargador Luiz Alves, relator do acórdão, explicou que a condenação aconteceu pelo não cumprimento do contrato e a falsificação do documento.

“Não se pode cogitar que o reclamante tenha aceitado qualquer modificação contratual, pois sequer houve manifestação de vontade do trabalhador em aderir a suposta alteração do contrato. Além disso, a aceitação de pagamento a menor, considerando o comportamento ardiloso do reclamado, em um contexto de evidente coação econômica, não configura concordância legítima, pois negar-se a receber os valores ofertados poderia implicar prejuízo maior ao trabalhador, que ficaria sem nenhuma parcela da verba alimentar”, destacou o desembargador.