O tetracampeão mundial Branco, atual coordenador-geral das categorias masculinas de base da CBF, fez críticas contundentes à gestão anterior da entidade e apontou erros que comprometeram o planejamento da seleção brasileira.

Em entrevista ao jornal espanhol AS, publicada neste sábado (17), o antigo lateral responsabilizou o ex-presidente Ednaldo Rodrigues pela interrupção de um projeto que, segundo ele, poderia ter aproximado o Brasil do modelo adotado com sucesso pela Espanha.

“Jogou tudo no lixo. Todo o planejamento de quatro anos foi apagado”.
– Branco, coordenador da base da CBF.

O dirigente afirmou que Brasil e Espanha partiram de ideias semelhantes depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio. A diferença, segundo ele, foi a continuidade: enquanto os espanhóis preservaram a estrutura e aproveitaram aquela geração, a CBF abandonou o processo iniciado nas seleções de base.

Branco compara caminhos de Brasil e Espanha

Para sustentar a análise, Branco comparou os jogadores que disputaram a final olímpica de Tóquio. Sete atletas daquela seleção espanhola permaneceram no processo: Unai Simón, Pedri, Dani Olmo, Mikel Merino, Martín Zubimendi, Mikel Oyarzabal e Marc Cucurella.

Branco fez críticas contundentes à gestão da CBF. Foto: Divulgação

Do lado brasileiro, apenas Gabriel Martinelli, Bruno Guimarães e Matheus Cunha continuaram com papel relevante no ciclo seguinte. Na avaliação do coordenador, a Espanha confiou no desenvolvimento da geração, enquanto o Brasil interrompeu o planejamento e perdeu tempo.

Branco afirmou que o antigo projeto foi construído simultaneamente ao trabalho espanhol, com conceitos e objetivos muito próximos. A falta de continuidade, porém, teria deixado a seleção brasileira atrasada em relação à atual campeã mundial.

Dirigente da CBF classifica preparação como a pior da história

O tetracampeão também criticou a instabilidade que marcou o ciclo brasileiro. Entre mudanças no comando técnico, resultados decepcionantes e turbulências administrativas, a seleção chegou ao Mundial de 2026 sem conseguir consolidar uma identidade.

Carlo Ancelotti no banco de reservas da Seleção Brasileira durante partida
Carlo Ancelotti acompanha a Seleção Brasileira do banco de reservas. Foto: Nigel Owen/ActionPlus/DiaEsportivo/Folhapress.

Branco classificou a preparação para a competição como “a pior de toda a história do Brasil”. Ele destacou que quatro treinadores passaram pela seleção durante o ciclo e defendeu Carlo Ancelotti das críticas concentradas após o desempenho brasileiro.

Na visão do dirigente, o italiano recebeu pouco tempo para reorganizar a equipe antes do Mundial. Agora, com um novo ciclo pela frente, Branco acredita que a comissão técnica terá ambiente mais estável para reconstruir o trabalho.

CBF prepara geração para os Jogos Olímpicos de 2028

Branco concedeu a entrevista durante um período de preparação da seleção brasileira sub-20 em Murcia, na Espanha. O novo projeto tem como um dos principais objetivos formar a equipe que buscará a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

O planejamento também inclui o monitoramento de jovens brasileiros formados na Europa. A CBF pretende observar filhos de imigrantes que tenham condições de representar o país nas categorias de base ou, futuramente, na seleção principal.

O trabalho será conduzido pelo técnico Paulo Victor Gomes, que passou pelo América, do México, e já havia trabalhado anteriormente na estrutura da CBF.

Além da continuidade administrativa, Branco defendeu a recuperação de características tradicionais do jogador brasileiro. Para o coordenador, a evolução física e tática do futebol mundial não pode eliminar o espaço dedicado ao drible, à criatividade e à improvisação. O dirigente citou Espanha, Argentina, Inglaterra e Portugal como referências no desenvolvimento de jogadores.

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