O Brasil enfrentou a Austrália na manhã desta terça-feira (29), em Brisbane, e o resultado é o que menos importa. Neste momento, você já deve saber: a seleção venceu por 4 a 2, com gols de Vanderson, Raphinha, Bruno Guimarães e Vini Jr.
Em relação ao primeiro amistoso, o time demonstrou mais organização coletiva. Natural, pois era impossível piorar. O período é de novo ciclo, reformulação, testes individuais. São muitos jovens. É cedo para julgamentos definitivos? Talvez.
No gol, o cenário é preocupante. Hugo Souza, do Corinthians, parece estar lá para preencher a cota do eixo. Aos 27 anos, ainda não tem nível para o desafio. A esta altura, provavelmente nunca terá.
Otávio, do Cruzeiro, foi titular hoje. Falhou seguidas vezes. Saiu mal em cruzamentos altos e rasteiros e errou também com os pés. Em certo momento, pareceu desorientado. Tem apenas 20 anos. Não está pronto. Mas, ao contrário do ex-Neneca, ainda poderá estar. O cenário, aliás, poderia abrir uma boa chance para Pedro Morisco, do Coritiba.
Se jogar na próxima, no entanto, enfrentará a Índia. E quase nada de bom pode sair de um jogo contra a Índia para um goleiro. Se não for vazado, cumpriu a obrigação. Arthur Dias, do Athletico, ganhou uns minutinhos hoje e provavelmente terá mais espaço contra os indianos. Para ele, vale a mesma lógica do coxa-branca.
Aliás, que vantagem, no geral, pode sair de um amistoso contra a Índia? É o tipo de jogo que distorce qualquer avaliação. Para o bem e para o mal. Mas é apenas um alerta. A tendência é de goleada brasileira, e as joias de Coxa e Furacão ainda terão uma oportunidade valiosa de convencer a comissão técnica. Qualquer desempenho, porém, será relativizado pelo nível do adversário.
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Voltando ao gol, é bem possível que o veterano Alisson retorne em breve à meta da seleção. De resto, Bruno Guimarães parece insubstituível. Raphinha não decola. Vini piorou. Mas, quando resolveu jogar um pouquinho, resolveu a partida no segundo tempo.
Além disso, Danilo ainda tenta se provar. Os laterais são uma incógnita. A zaga tem opções. Endrick, Rayan, Estêvão, jovens promessas que, em um time bem organizado, podem brilhar. No mais, muita gente entrou, foi testada. Mas a questão está aí: organização coletiva.
E Carlo Ancelotti sabe disso. Talento individual é apenas parte do processo. Construir uma seleção demora. Envolve altos e baixos, alguns fracassos no caminho. Jürgen Klopp está sentindo isto na pele com a Alemanha. Perdeu da Grécia em casa. A Espanha, atual campeã mundial, havia decepcionado apenas quatro anos antes, no Catar. Voltou mais forte.
Hoje, a própria Austrália é mais organizada que o Brasil. Em certo momento, nos colocou na roda. Durou pouco, é verdade. Mas aconteceu. Voltando a Ancelotti, é preciso confiar em seu trabalho. Questão de necessidade: não temos outra opção.
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A experiência ridícula com Dorival Júnior (e seu dedo levantado na Copa América), que contou com um lobby inexplicavelmente forte para assumir a equipe, e a aposta surreal em Fernando Diniz encerraram o debate: não há, neste momento, técnico brasileiro preparado para o cargo. Então, vamos de Carleto mesmo.
Nem o amistoso anterior nem este devem pautar o julgamento. Tampouco os poucos jogos que comandou antes da última Copa. E nem mesmo o fracasso diante da Noruega em 2026 deveria, isoladamente, encerrar o debate. A única esperança do Brasil é o longo prazo com Ancelotti. Por mais que isso contrarie a nossa natureza ansiosa e imediatista.