O Coritiba segue naquele caminho de somar pontos fora de casa mesmo em cenário adverso, e foi justamente essa característica que dominou a análise da mais recente edição do podcast Carneiro & Mafuz, do UmDois Esportes. Comandado por Fernando Rudnick, com Carneiro Neto ao vivo no estúdio e Augusto Mafuz direto do Canadá, o programa colocou o empate coxa-branca por 1 a 1 com o São Paulo, no MorumBIS, como o principal assunto da rodada — muito mais pela circunstância do resultado do que pelo desempenho em si.

Sem Josué, seu principal armador, e ainda sofrendo baixas ao longo da partida, como a lesão de Tinga, o Coritiba foi buscar ao MorumBIS descaracterizado, apostou em Fernando Sobral na função criativa e viu o São Paulo abrir o placar com um golaço de média distância de Pablo Maia. A resposta veio com Tiago Cóser, que aproveitou bem um cruzamento de cabeça e garantiu o ponto para o time de Fernando Seabra.

Para Carneiro Neto, o resultado teve um gosto especial justamente pelo contexto de dificuldades enfrentado pelo Coxa na capital paulista. “O resultado do Coritiba foi bom. Eu diria que os dois empates tiveram sabores diferentes: o do Athletico, amargo, e o do Coritiba, um empate com sabor doce, porque representou muito esse ponto fora de casa”, resumiu o comentarista, destacando ainda a atuação de Jacy, apontado como o principal nome do time no Brasileirão: “É, com certeza, está na faixa de um dos melhores zagueiros do atual campeonato”, completou.

Augusto Mafuz, por sua vez, foi mais crítico em relação ao planejamento do clube para a temporada de retorno à Série A. Para ele, o discurso de que o objetivo é apenas “não cair” esconde uma acomodação que não deveria existir em um time com investimento pesado como o Coxa. “O Coritiba tinha traçado um objetivo, que era não ser rebaixado, manter-se na Primeira Divisão, que é uma bela desculpa para quem sobe da Segunda. Eu não entendo essa proposta”, disparou o comentarista, ao lembrar que o time soma 31 pontos e precisa de 14 a mais para cravar a permanência.

O programa também tratou da estrutura societária do clube, hoje sob controle da Treecorp com participação minoritária recém-anunciada do Grupo Independiente del Valle — movimento comparado por Carneiro Neto ao modelo de multipropriedade do Botafogo, de John Textor, e apontado como sintoma de uma legislação de SAF, na opinião da dupla, mal desenhada no Brasil.

Athletico também empata, mas com “sabor amargo”

Enquanto o Coritiba celebrava o ponto fora de casa, o outro lado da capital paranaense teve motivo para frustração. O Athletico ficou no 1 a 1 com o Red Bull Bragantino, na Arena da Baixada, em uma partida na qual dominou amplamente o primeiro tempo, mas não conseguiu converter o volume de chances em gols — o time chegou a sair atrás no placar, com Pedro Henrique, e buscou o empate com Kerwin Vargas, que entrou no decorrer da partida.

Para Carneiro Neto, o resultado deixou dois pontos “irrecuperáveis” na tabela, especialmente por ter acontecido diante da própria torcida e em um momento em que o Furacão buscava se distanciar ainda mais do quinto colocado. Já Augusto Mafuz não poupou críticas ao desempenho individual de Leozinho, cujas atuações recentes já vinham sendo questionadas: “O Leozinho esgotou minha paciência. Ele não participa do jogo, ele espera a bola no pé. Tem que colocar na cabeça que o Leozinho é jogador de futebol de salão”, disparou, defendendo a titularidade Vargas na sequência do Brasileirão.

Apesar do tropeço, a dupla avaliou que o time comandado por Odair Hellmann não teve queda tática e que o problema foi pontual, na hora de finalizar. O próximo desafio do Athletico é diante do Botafogo, no Nilton Santos, em crise — um confronto direto na briga por vaga na Libertadores, assim como os duelos seguintes, contra Fluminense e Cruzeiro.

Assista ao Carneiro & Mafuz #145

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