A participação do Paraná na Série C na temporada 2021, depois de um rebaixamento, é o reflexo dos problemas vividos no clube nos últimos anos. Entretanto, quando o time disputou a mesma competição, em 1990, o cenário era totalmente diferente e um gol na competição rendeu até uma placa comemorativa na Vila Capanema.

Na opinião do ex-atacante Maurílio, e dos ex-meias Adoílson e Serginho Prestes, que fizeram parte daquele grupo, a trajetória de sucesso naquela ocasião deve servir de exemplo.

No dia 30 de setembro de 1990, o Paraná estreou na Série C do Campeonato Brasileiro. Foi a primeira participação do então recém-formado clube - fusão que aconteceu em dezembro de 1989 entre Colorado e Pinheiros - em uma disputa nacional. Com 30 equipes participantes, o Tricolor caiu apenas na semifinal, mas garantiu uma vaga na Série B.

“A Série C foi muito competitiva e de muita dificuldade, com viagens longas. Tivemos um início muito bom, nos classificamos em primeiro no grupo e depois fomos para o mata-mata. Superamos vários adversários de renome na época como o América-RN e o Bangu”, relembrou Maurílio, que é o técnico do Tricolor na temporada.

Gol de placa na Série C

Com um elenco que mesclava experiência e juventude, ainda com atletas oriundos dos times formadores e outras contratações, o time paranista foi parar no Fantástico. Serginho Prestes, contratado do Coritiba e que tinha ficado meses no banco se recuperando de lesões, enfim fez sua estreia como titular no time no dia 14 de outubro e, de cara, fez seu nome.

“Meu primeiro jogo como titular na Vila Capanema foi contra o Caxias. Ganhamos de 4 a 1, fiz um dos gols. Foi um golaço, escolhido como o gol do Fantástico daquela rodada, rendeu placa no estádio. O Fantástico não mostrava gols da Série C, mas foi tão bonito que exibiram”, detalhou o hoje comentarista da Rádio Banda B.

Gol de Serginho Prestes na Série C de 1990 rendeu uma placa (acima) na Vila Capanema. Foto: Juliana Fontes
Gol de Serginho Prestes na Série C de 1990 rendeu uma placa (acima) na Vila Capanema. Foto: Juliana Fontes

"Após a cobrança de lateral pela direita, a bola foi para Adoílson bem no fundo. Ele dominou na coxa e cruzou na área, sem deixar a bola cair. Eu dominei no peito, mas dois defensores vieram e, então, dei um chapéu para dentro da área, girei o corpo e bati de esquerda", descreveu em detalhes o autor do golaço.

Na semifinal, contra o América-MG, o Tricolor perdeu o jogo de ida por 1 a 0 no Independência e, na volta, empatou em 1 a 1 na Vila Capanema.

“Não chegamos à final como queríamos, mas fizemos o nosso papel que era conquistar o acesso para a Série B em menos de um ano de existência do clube”, reforçou Maurílio.

Paraná busca recomeço na Série C

Adoílson na década de 90 em treino pelo Paraná. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo.
Adoílson na década de 90 em treino pelo Paraná. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo.| João Bruschz/GAZETA DO POVO

Os ex-craques paranistas têm opiniões unanimes sobre como o Paraná precisará encarar a Série C, que começará no fim de maio.

“A Série C tem que ser respeitada. São jogos difíceis e conquistamos o acesso com essa seriedade. Tem que ter vontade, determinação e o que fizemos terá que ser repetido. Será um recomeço”, afirmou Adoílson, autor de quatro gols na competição.

Ídolo paranista, Maurílio é taxativo em dizer que é preciso de humildade para que o Paraná volte à figurar entre os grandes.

"Foi uma campanha maravilhosa e pode servir como espelho. O time precisa de qualidade no elenco e determinação para conquistar o acesso à Série B e, posteriormente, à Série A, que é onde o Paraná merece estar. Mas para isso tem que colocar os pés no chão", afirmou.

Para Serginho, os bastidores também devem ser fatores importantes nesta trajetória.

“Para chegar ao sucesso o Paraná precisa contar com a gestão de pessoas qualificadas, uma comissão técnica capacitada e um elenco competitivo. Tem que vestir a camisa e não apenas ser funcionário de empresários", disparou.

Maurílio logo no início de sua carreira no Paraná. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo.
Maurílio logo no início de sua carreira no Paraná. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo.

Momento é de união no Paraná

Adoílson, conhecido por ser artilheiro - o segundo da história do clube com 78 gols - e também "garçom" dos companheiros, entre ele Saulo, se diz inconformado com o atual rumo do Paraná. O "Bagaço" era o dono da camisa 8.

“Fico triste pela situação. Sinto muito pelo que o Paraná vive, tenho orgulho de ter vestido essa camisa. Sou paranista e posso falar, passou pelo clube muita gente que não sabe o que é futebol. Agora, todos precisam se unir em prol de um único objetivo que é fazer o Paraná voltar à Primeira Divisão”, finalizou.

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