O processo de transformação do Paraná Clube em SAF ganhou repercussão internacional. Em reportagem publicada nesta quarta-feira (14) sobre o avanço das sociedades anônimas no futebol brasileiro, o jornal espanhol AS ouviu Pedro Weber, CEO da NextPlay, empresa que negocia a aquisição do futebol tricolor.
A publicação aborda o crescimento acelerado das SAFs no país e os desafios para que a entrada de capital privado resulte em clubes mais organizados, sustentáveis e competitivos. Mais de uma centena de clubes-empresa foram constituídos no Brasil nos últimos cinco anos, segundo o veículo europeu.
Weber usou o projeto do Paraná como referência para alertar que o dinheiro, isoladamente, não garante resultados dentro de campo.
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“O grande desafio não é simplesmente colocar dinheiro no futebol, mas criar as condições necessárias para que esses recursos gerem resultados. O investimento precisa estar ligado a planejamento, a uma estratégia esportiva clara e a expectativas realistas e responsáveis sobre o tempo necessário para desenvolver o projeto”, afirmou ao AS.
Sem essa estrutura e uma visão de longo prazo, o aporte financeiro pode aumentar o potencial do clube, mas não necessariamente será traduzido em um melhor desempenho dentro de campo.
– Pedro Weber, em entrevista ao AS.
A reportagem também destaca que a NextPlay está em processo de aquisição da SAF do Paraná Clube e cita a aprovação de uma alteração que permitiu incorporar mais de R$ 240 milhões em dívidas à operação.
Paraná vive reconstrução antes da conclusão da SAF
A NextPlay assumiu a gestão do futebol paranista antes mesmo da conclusão definitiva da venda da SAF. Desde então, o projeto tem combinado investimentos no elenco, reorganização administrativa e melhorias na estrutura utilizada pela equipe.
O primeiro grande objetivo esportivo foi alcançado com o retorno do Paraná à primeira divisão do Campeonato Paranaense. O Tricolor também construiu uma longa série invicta na temporada e chegou à fase eliminatória da Copa Paraná.
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Fora de campo, a empresa investiu na modernização da Vila Olímpica, que passou a ser utilizada como centro de treinamento da equipe profissional. O local recebeu melhorias na academia, no sistema de irrigação e na estrutura destinada aos jogadores.
O Paraná ainda fechou uma parceria com a FutebolCard para modernizar a operação de ingressos, o controle de acesso e o relacionamento com os associados.
Venda da SAF do Paraná depende de etapas burocráticas
A associação aprovou a proposta da NextPlay para adquirir 90% das ações da SAF. O negócio, entretanto, ainda depende da conclusão de questões burocráticas e financeiras.
Um dos avanços mais importantes ocorreu com o acordo firmado entre o Paraná e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Após um desconto de 70%, a dívida federal foi reduzida para aproximadamente R$ 23 milhões.
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A regularização fiscal é necessária para a conclusão da transação. A NextPlay já havia assinado um contrato de financiamento DIP e liberado recursos destinados ao pagamento das obrigações com o governo.
NextPlay prevê investimento milionário no Paraná Clube
O plano apresentado prevê que o investimento da NextPlay pela aquisição de 90% da SAF possa variar entre R$ 212 milhões e R$ 692 milhões. O valor final dependerá principalmente da divisão nacional disputada pelo Paraná ao longo do projeto.
A proposta estabelece recursos mínimos para o pagamento de dívidas, melhorias na Vila Olímpica e na Vila Capanema, além de aportes crescentes no futebol. Quanto mais alta for a divisão ocupada pelo Tricolor, maior será o orçamento obrigatório da equipe.
Em entrevista anterior ao UmDois, Pedro Weber explicou que o contrato estabelecido com o Paraná contém mecanismos para proteger a associação em caso de descumprimento das obrigações financeiras.
“Se a gente descumprir um mínimo orçamentário, está regulado no contrato que a associação retomaria a gestão do clube sem precisar buscar um litígio judicial”, afirmou o executivo.
Segundo Weber, os investidores também precisam apresentar garantias financeiras e passar por uma análise antes de ingressarem no projeto. A associação poderá interromper o processo caso exista alguma irregularidade ou desconforto com os participantes.