O UmDois Esportes inicia nesta quinta-feira (29) uma série de entrevistas com os candidatos à presidência do Conselho Gestor do Paraná para o triênio 2021-2024. A primeira entrevista será com Rubens Ferreira Silva, 68 anos, que concorre pela chapa "Transparência e Responsabilidade".

Rubens Ferreira, ou Rubão, como gosta de ser chamado, construiu grande parte de sua carreira em instituições financeiras e atualmente é consultor de empresas na área administrativa, financeira e comercial. É associado desde 1962 do Paraná, quando o clube ainda era Atlético Ferroviário. É torcedor do Tricolor por influência do pai e tem dois filhos paranistas. Até a formalização da candidatura, era presidente do Conselho Fiscal do clube.

A sua chapa terá Ailton Barboza de Souza, como 1º vice-presidente, Flávio Zonta, como 2º vice-presidente, além de Helton Mercer Caron e Fernando Cezar Karpinski como membros. No entanto, Rubens disse que a ideia é englobar mais cinco nomes para formar um "G10".

Como o próprio nome do grupo já diz, Rubens Ferreira prometeu - se eleito -, uma gestão transparente, responsável, focada na gestão financeira, na contribuição de todos os paranistas e no resgate de uma imagem positiva do Paraná em cenário nacional.

As eleições do Tricolor ocorrerão no dia 9 de agosto, das 10h às 20h, de forma online ou presencial (o formato ainda está sendo discutido pela Comissão Eleitoral por conta da pandemia). No dia 5 de agosto, o clube fará a apresentação oficial das chapas e um debate. Ao todo, 508 sócios estão aptos para votar.

Confira os principais trechos da entrevista com o candidato Rubens Ferreira Silva

Por que assumir o Paraná neste momento?

Eu acho que posso contribuir com um pouco da minha experiência e do meu relacionamento. Eu viajei o Brasil inteiro, trabalhei em bancos, fui assessor de presidentes de clubes, que eram diretores de bancos. Tenho bastante relacionamentos na minha área e, nos últimos 12 anos, passo a fazer a função de consultor. Então, você tem que se dar bem em várias áreas.

Como avalia o momento do Paraná e qual a principal mudança que precisa ser implantada?

Para mim, é o pior momento que o Paraná atravessa. Mesmo quando a gente estava na Série B, mas tinha receita. Caímos no Paranaense, mas ainda tínhamos a receita. Esse descenso à Série C é altamente prejudicial, você só tem ajuda de custo de hotel e viagem. Hoje, só temos receita de associados, publicidade e patrocínio. É o pior momento de todos, mas eu não tenho receio de assumir, porque como fui gestor e conselheiro, eu posso contribuir muito. Mas não sou salvador da pátria e não farei nada sozinho. Mas, para começar a ajustar o clube, precisamos de um choque de gestão. É efetivamente mudar a forma do clube de atuar internamente. A governança precisa ser mudada, porque se em 2021 continuarmos agindo como nos anos 90, que nem internet tinha, tudo mudou.

Eu não apresento simplesmente um plano de futebol, eu apresento um plano de gestão, o que entendemos que precisa ser feito. Fizemos um diagnóstico, e muitos dizem que, por eu ser do Conselho Fiscal, é mais fácil. Não, não temos todas as informações. Você precisa se virar nos 30 para ter informações. Meu propósito é fazer esse choque de gestão.

Por que o nome da chapa é "Transparência e Responsabilidade"

Transparência porque a torcida o tempo todo fala: 'a gente não sabe o que acontece no Paraná; não vou pagar mais minha mensalidade; não sei para onde vai o dinheiro'. Quando eu coloco a transparência é em função disso. Meu maior sonho é criar o portal da transparência do Paraná. Isso é deixar claro a situação para todos. Na gestão anterior, até nem gosto de falar, mas não existia isso. O ex-mandatário ficou sozinho no clube, de forma mais isolada, não abria as informações. Aí quando o clube se toca e olha, vê que está com atrasos, problemas da Kennedy, então para mim a transparência é acima de tudo.
E a responsabilidade não é só nós do G5, a responsabilidade pelo clube é de todos os torcedores, associados e simpatizantes, porque o clube não é só de uma pessoa. O clube precisa ser aberto. E o Conselho Gestor é responsável em suas atitudes.

Quem são os outros membros da chapa?

O Ailton, o vice-presidente, participa na mesa do Conselho Deliberativo, é vice-presidente da mesa, sempre ativo nas comissões, uma pessoa que está 100% dentro do clube. O Zonta também é outra pessoa que vem da torcida, e será o 2º vice-presidente. No nosso organograma, eles terão responsabilidade na parte financeira administrativa, e o 2º vice-presidente no futebol. E, quando falo isso, não só no profissional, mas no de base e em outros esportes.
E para as outras funções, o Helton, que é super bem sucedido, administra empresas de veículos, também tem tempo. Além do Karpinski, que tem empresa e também é muito atuante na área de informática e tecnologia. Fomos nós que idealizamos esse sistema que permitiu tanto as eleições do Deliberativo, quanto para o Fiscal. E é o sistema que será utilizado nesta eleição. Mas este sistema já tem assinado um comodato com o clube. Nós não temos mais nada a ver com isso, é a comissão eleitoral que administra.

O que avalia como principais erros das últimas diretorias e como recomeçar o Paraná?

A gente não pode chegar agora e execrar todo mundo. Tiveram acertos, mas também muitos erros. É preciso a gente aproveitar e olhar os erros de agora, para não cometer no futuro. O sucesso tem quase 99% no fracasso. Mas tem que se fazer com coesão, uniformidade e agregar as pessoas. O clube teve tantos ex-presidentes que hoje nem participam do clube, tem que chamá-los de novo. Porque se foi campeão em algum ano, houve méritos, mas também tivemos erros. Só que esses erros não podem voltar a acontecer. Eu não generalizo nenhuma gestão por pessoas, mas sim por modelos.
O futebol é business. Então, você tem que tratar igual uma empresa. A diferença entre uma empresa e uma associação, é a paixão. Mas a paixão não pode vir acima da razão. Você tem que administrar não com o coração, e sim com a cabeça.

Quais são suas principais propostas para o clube?

Nós elencamos uma série de situações que a gente vê que não estão sendo feitas no clube. Ou, se elas existem, não estão sendo bem geridas. No nosso plano de ação, a primeira coisa é mudar essa forma do clube ser gerido.

- Gestão administrativa e financeira: a nível empresarial e de responsabilidade. É implantar os controles do fluxo de caixa, execução orçamentária, manutenção. E uma coisa que precisa ser vital é a manutenção e cumprimento da centralização de penhoras, porque a Justiça está cumprindo, mas o Paraná não cumpriu, porque funcionários e atletas saíram e estão engrossando a quantidade de reclamações trabalhistas. Também teremos um novo organograma, com implementação de política de cargos e salários com meritocracia.

- E três pontos que é preciso trabalhar para o Paraná reverter a imagem do clube. Eu coloco: reconquistar a imagem do clube entre os atletas profissionais, porque hoje você tenta contratar um atleta e ele diz 'não vou, aquele clube não paga em dia'. Retomar e recuperar a imagem do clube junto aos associados e torcedores, porque eles mesmos estão cansados de notícias ruins. E, para mim, associado não é cliente, é colaborador externo. A gente tem obrigação de informar os torcedores sobre todos os valores. E outra coisa que hoje é essencial ao Paraná é que se tenha informação rápida. Isso é essencial. Um documento, por exemplo, não pode ser difícil de acessar ou encontrar.

- Dívidas e patrimônio. O exemplo tem que vir de casa. Se você vivia com orçamento de R$ 5 mil e caiu para R$ 3 mil, você precisa adaptar seus gastos. Eu via dentro do Paraná muito assim, não tem dinheiro para pagar a luz, não faz mal, a gente pega e vende a casa. Não pode existir. Se você tem orçamento de três, tem que viver com três. Nas empresas, é a mesma coisa. Infelizmente, as últimas gestões do Paraná gastaram o que não tinham, comprometeram ainda mais o patrimônio do clube e tornou-se um ciclo vicioso. Se eu for eleito, eu estarei assumindo uma conta que não é da última gestão, é uma conta que vem de mais de 30 anos.

- Melhorar as receitas. Temos que colocar mais produtos no nosso portfólio, divulgar e incentivar o cara a comprar. Melhorar o relacionamento com o associado e colaboradores. Não é só plano de relacionamento, para você atrair pessoas é formar produtos que sejam benefícios. Precisamos de coisas mais modernas. Marketing e publicidade. O Paraná fez quantos jogos sem patrocínio na camisa? E por que um empresário não quer colocar o nome dele ali? Porque ele não quer associar a minha marca com um clube que tem muitos problemas. Eu preciso mudar essa imagem.

- E o mais urgente, é rever as categorias de base. A sustentação de qualquer clube hoje tem que se dar através das categorias de base. Se você não revela, como é que fará negócios? Quando se tem uma categoria de base consistente e olheiros por todo o Brasil, você consegue garimpar as joias. Há quanto tempo o Paraná não revela, revela mesmo? Eu vejo o Athletico trabalhar tão bem nisso, dou sempre os parabéns para o Petraglia, o Renato do Coritiba, meu amigo que faleceu. Eu vejo que eles enxergaram a importância das categorias de base. Hoje o que é a categoria de base do Paraná? Ano passado e esse ano, não existe. E precisamos dar condições, acompanhamento psicológico, financeiro, de carreira, mentoria. Um clube forma um cidadão e um atleta.

- e eu também coloco a Sustentabilidade Ambiental. Hoje todo mundo fala disso. Então, se você é um clube só com notícias ruins, se você começa a divulgar boas práticas como energia solar, poço artesiano, reutilização da água, parece pouca coisa, mas é uma mídia positiva. É uma forma de você mudar e as pessoas começarem a falar bem do clube. É uma forma de chamar a atenção e mudar a mídia. Essas são as minhas principais ideias.

Como você viu essa parceria entre Paraná e FDA Sports?

Se não fizesse essa parceria, não teria recursos para bancar esses atletas que estão aí. E não esquecendo que logo que o Molletta assumiu, depois o Casinha, com atletas que tinham valores e o clube não tinha como honrar. E entre as propostas que foram apresentadas, não posso julgar, foram duas, a da FDA de parceria e a outra que era de terceirização, dos candidatos da outra chapa, e foi escolhida como a melhor. E eu não tenho como falar que vou rescindir, se eu não estou à frente de um Conselho. E outra, essa parceria tem um comitê. De um lado, dois membros da empresa, e do lado do Paraná, tem outros dois executivos. E o voto de minerva, caso haja empate, é do presidente do clube. A parceria está andando, já fizeram aporte, pagamento do primeiro mês, mas têm valores em atraso. Para eu ter um bom resultado em campo, eu preciso ter uma boa retaguarda. E o que acontece no campo é resultado da gestão.

Acesse o plano de trabalho completo da chapa "Transparência e Responsabilidade".

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