Da Série A à Série D. Em menos de quatro anos, o Paraná Clube conseguiu sair da elite ao degrau mais baixo do futebol brasileiro. O bom trabalho feito em 2017, na montagem de elenco e administrativo, acabou não refletindo nos anos seguintes e o clube despencou até o fundo do poço.

O UmDois Esportes conversou com três funcionários que estão no Tricolor desde a Série A e viveram toda a trajetória do clube até este momento. Os três citaram as escolhas erradas para as montagens dos elencos em cada divisão, mudanças no comando técnico e as falhas administrativas como os principais fatores que levaram o clube à crise sem fim atual.

"Não tem como apontar um único fator, que fez o clube cair nestas divisões. Acho que foram uma série de fatores. Na Série A, a filosofia de trabalho, a maneira como foi montado o elenco, fugiu um pouco das características do Paraná. De repente, tentando propor mais o jogo em uma divisão extremamente competitiva, cara, qualificada. Acredito que a filosofia não foi a melhor adotada", diz o atual treinador paranista Jorge Ferreira, que foi por muito tempo o coordenador das categorias de base e hoje é auxiliar-técnico permanente do clube.

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"A queda da segunda para a terceira, atribuo a troca de treinador. O elenco foi exigido para que subisse novamente para a Série A e de repente a cobrança foi demasiada e o trabalho estava sendo muito bem feito pelo Allan Aal. E depois mudou-se toda a filosofia de novo e para os atletas entenderem isso leva tempo. E infelizmente caiu para a Série C. Aliado a tudo isso tem os fatores administrativos que acabam influenciando diretamente nos resultados de campo", completa Ferreira.

Jorge Ferreira. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes.
Jorge Ferreira. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/UmDois Esportes.| Albari Rosa/Foto Digital/UmDois

Paraná Clube pouco utilizou as categorias de base

O preparador físico Rafael Lopes também vê problemas na estrutura interna administrativa. "Em meu ponto de vista, faltou ao clube uma reestruturação interna, e quando falo interna, não falo somente em termos de estrutura física não, falo em termos de pessoas, e pessoas capacitadas para administrar o clube, capazes de planejar e cumprir este planejamento, independente do resultado dentro de campo. O que aconteceu foi que o lado emocional falou mais alto por diversas vezes, dando passos bem maiores do que as pernas são capazes", afirma.

"Além disso, pouquíssimos ou quase nenhum atleta da base aproveitado, e quando aproveitados vendidos por valores baixíssimos ou até mesmo sendo negociados a custo zero por questões contratuais. No futebol o que dá retorno a um clube são atletas formados em casa. É difícil precisar um único motivo, foram várias mudanças de comando técnico, vários elencos remontados ano a ano, pessoas contratadas sem qualquer comprometimento com o clube. O CT Ninho da Gralha, por diversas vezes, abandonado, falta de pagamento a funcionários e jogadores, enfim, é um somatório de coisas, que culmina nessa atual situação", relata Lopes.

Rafael Lopes. Foto: Rodrigo Sanches/Paraná.
Rafael Lopes. Foto: Rodrigo Sanches/Paraná. | AnaRebelo

Montagem de elenco pesou na queda do Paraná Clube

O terceiro membro que conversou com a reportagem não quis ter seu nome exposto. O funcionário também acredita que os principais fatores da derrocada do clube foram as escolhas na montagem dos elencos e as mudanças no comando técnico, principalmente em 2020.

"Em 2020, fez um elenco mediano, não era para subir com as peças que tinha, mas estava fazendo um grande primeiro turno com o Allan, a três pontos do G4, aí deu uma empolgada, queria um acesso de qualquer jeito, não entendeu o campeonato que tínhamos na mão, e aí fez a troca. O grupo estava fechado com o Allan, acredito que o grupo sentiu, nada contra o profissional, mas a escolha pelo Micale no momento foi uma mudança muito grande de ideia de futebol, muito diferente o trabalho de cada um", declara.

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