Os credores suspenderam mais uma vez a definição sobre o futuro do Paraná Clube. Em Assembleia Geral realizada nesta quinta-feira (6), os representantes decidiram, em ampla maioria, por adiar a votação do plano da Recuperação Judicial (RJ) para o próximo dia 19, a partir das 9h.
Com isso, os investidores interessados em adquirir a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) terão pouco mais de dez dias para negociar um plano que agrade a todos os lados e possa ser aprovado. Somente após essa definição que o Tricolor poderá dar andamento à venda da SAF.
Ainda não existe um ponto em comum para definir o pagamento de todos os credores. Muitos ainda temem não receber o valor se a venda da Sede da Kennedy for abaixo do esperado. O imóvel foi avaliado pelo Tricolor em R$ 88,6 milhões, com lance mínimo de R$ 70,8 milhões em segunda praça.
Houve interesse na votação de um plano específico, mas o administrador judicial Maurício Obladen ressaltou que o texto final ainda depende das negociações. “Qual plano vai ser analisado na continuidade da Assembleia é algo que precisa ser definido através das negociações que estão em andamento”, afirma.
“Se pegar o corte do processo, o plano vigente é o que foi apresentado pelo Dr. Jorge Casagrande [advogado de parte dos credores], com as alterações deliberadas em Assembleia. O plano apresentado pelo Dr. Dyego [Tavares, advogado de outra parte dos credores] não tem quórum para atingir validade. Se existem negociações em andamento com investidores, clube, Comitê de Credores e credores, isso evidentemente vai trazer a um texto definitivo de plano, que pode ser idêntico ao do Dr. Dyego. Mas não temos como determinar qual vai ser o plano. Isso depende de fatores de negociação que estão em andamento”, acrescenta Obladen.
Já o advogado do Paraná Clube, Gioser Cavet, mantém a esperança de acordo que atenda a todos os interessados. “É possível reduzir, sim, essa estimativa que nós projetamos, mas desde que tenhamos fluxo de recursos para isso, e aí, sim, a negociação torna mais viável, mais fácil e em patamares mais adequados às nossas pretensões”, destaca.
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Paraná Clube apresenta proposta vinculante para a venda da SAF
Na reunião anterior, em 24 de outubro, os credores do Paraná Clube reclamaram da ausência da proposta vinculante nos autos. Os advogados dos credores pediram garantias do investimento de R$ 212 milhões, valor oferecido pela Nextplay Holding S.A. para adquirir os 90% da SAF paranista.
Para dar maior transparência ao processo e seguir com as negociações em busca de um plano ideal, o Tricolor apresentou na última quarta-feira (5) a proposta vinculante da NextPlay.
“Na última assembleia ocorreram algumas colocações a respeito da ausência da proposta vinculante aos autos, e um colega chegou a dizer que ‘o que está nos autos não pode ser considerada’. Justo sobre o aspecto jurídico, apesar da palavra da recuperante, que existia a proposta vinculante até fazendo referência ao edital destes autos. Entendendo que aqui é uma assembleia em que os credores precisam ficar confortáveis e, cada vez mais, a recuperanda numa busca de aumento de credibilidade, a proposta vinculante, após anuência dos seus signátarios, foi vinculada aos autos na data de ontem. Ela é datada de 30/09”, explica o advogado paranista, Gioser Cavet.
Além disso, o advogado reiterou que a proposta da NextPlay foi a única que oficializou até o momento uma proposta para adquirir a SAF do Paraná Clube.
Na proposta, a Nextplay se compromete a quitar R$ 42 milhões de dívidas com a Receita Federal e o Banco Central. Se esse valor não for quitado pela empresa, os dois órgãos têm como garantia a Sede da Kennedy. O plano para ser aprovado a RJ prevê justamente que os credores serão pagos com a venda do imóvel.