O Paraná Clube segue na expectativa da venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e aguarda a nova reunião dos credores para saber o desfecho da história. Sem calendário até abril de 2026, quando disputa a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense, o Tricolor quer definir a situação até o final do ano.

Enquanto aguarda a negociação do novo plano da Recuperação Judicial (RJ), os ídolos paranistas, que viveram o auge nos anos 1990, acreditam em um recomeço promissor.

Ex-meia e ex-técnico do Paraná Clube, Tcheco considera que a venda da SAF é “primordial”. “Está se encaminhando e espero que dê certo nos próximos capítulos. O clube tem potencial para se organizar, ainda mais pelo passado. É crucial para a sobrevivência do clube. Vamos esperar para dar certo e torcer pelo melhor do clube”, disse.

O ex-zagueiro Ageu, o segundo jogador com mais partidas pelo Tricolor, segue o mesmo raciocínio e aposta na SAF para a reconstrução paranista. “Até agora o que se garante mesmo é a SAF. A maioria dos clubes está fazendo este tipo de situação para se salvar”, afirmou.

“Paraná tem essa condição, uma torcida fantástica, e tenho certeza que o melhor para o momento é todos se unirem para que a SAF saia e a gente consiga — a torcida, a comissão, os diretores que serão da nova gestão —recolocar o Paraná no cenário nacional. Importante que todos se unam para que o Paraná volte ao que era antes”, acrescentou Ageu.

“Tristeza profunda”, lamenta campeão brasileiro com o Paraná Clube

Jogadores do Paraná Clube após o título da Série B de 1992. (Foto: Arquivo)

Revelado pelo Pinheiros, clube que deu origem ao Paraná anos depois, o ex-meia Serginho Prestes, que foi campeão da Série B em 1992, lamentou a situação do clube e acredita também que a SAF é a solução mais viável. “A gente acompanha com uma tristeza profunda o momento que o Paraná vive. Trabalhei entre Pinheiros e Paraná Clube mais da metade da minha vida no futebol. Eu tenho um carinho intenso”,

“Vendo de fora, uma SAF pode acelerar o processo de recuperação. Seria muito lento e gradual e não sei se o torcedor e o pessoal que vai ter que trabalhar vai ter paciência. Não é começar como começou o Paraná, que surgiu da fusão e se tornou um gigante em patrimônio e dinheiro. Agora não, ele tem que recomeçar do zero”, complementou o ex-meia.

Serginho, no entanto, ressaltou que a venda da SAF do Paraná Clube precisa ocorrer de uma forma que os credores sejam pagos. “A gente espera que a SAF aconteça dentro de uma regra, ainda existe a questão dos credores. Muitos só pensam nos credores grandes, mas tem milhares de credores pequenos que às vezes precisam para subsistência o que o Paraná lhes deve. Fazendo tudo corretamente, que venha a SAF que possa reorganizar o Paraná e daqui para frente se faça um trabalho sério e profissional”, afirmou.

Quando o Paraná Clube vai definir o futuro?

A Assembleia Geral dos Credores, que pode definir o futuro do Paraná Clube, ocorrerá nesta quinta-feira (6). Houve um pedido para adiar para o dia 19, mas a juíza da Recuperação Judicial (RJ), Mariana Gusso, manteve a data original.

De acordo com o colunista Augusto Mafuz, o empresário e ex-mecenas Carlos Werner, dono do terreno do CT Ninho da Gralha, tem ajudado o Tricolor em um momento decisivo de sua história.

“O Carlos Werner, agora na condição de paranista, não é investidor ou dono de empresa, sentiu que tinha que entrar na parada oficialmente e colocar a cara. Desde quinta-feira passada, ele assumiu essa responsabilidade. Se vai ser com SAF, fundo de paranistas com dinheiro — que tem —, [não se sabe]. Ele está organizando a transição para o Paraná empresa. A ideia inicial é essa [SAF paranista]. Resumo da ópera: o Paraná vai ter time, jogar a Segunda Divisão e ter uma vida normal a partir de agora”, afirma Mafuz.

Através da assessoria de imprensa, o Paraná Clube afirmou que “o clube não recebeu nenhuma informação neste sentido, assim como também não recebeu nenhuma outra proposta. A única proposta que existe é da NextPlay S.A”.

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