O torcedor que frequenta a Vila Capanema costumava ver a Gralha Azul atrás de um dos gols para animar as arquibancadas e ainda comemorar com os jogadores os momentos felizes do Paraná Clube. O verbo no passado é porque quem estava por debaixo da fantasia de mascote resolveu ‘se aposentar’.
Fabiano Rossi decidiu encerrar um ciclo de 18 anos na final da Segunda Divisão do Campeonato Paranaense contra o Paranavaí, em junho. No último domingo (27), o Sr. Gralha, como ficou conhecido, foi homenageado pela diretoria paranista na Vila Capanema e recebeu muitos aplausos da torcida.
“Saí com ego massageado, muito feliz. Minha família estava toda lá. Eu soube um dia antes para preparar. Minha esposa chorou, meu filho chorou e meu pai também. Fiquei muito feliz e grato, porque não esperava essa homenagem bem singela. Ouvi o aplauso do torcedor e ainda veio gente tirar foto comigo. Ali vi que meu trabalho foi fechado com chave de ouro. Muita alegria e agradeço ao Paraná de coração por ter aberto a porta para mim esse tempo todo”, contou Rossi, em entrevista ao UmDois Esportes.
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A decisão de não ser mais o mascote do Tricolor veio para focar em uma nova fase da vida. Prestes a completar 50 anos, Rossi virou corredor de rua e se prepara para a Maratona Internacional de Curitiba, em novembro.
“A correria do dia a dia pega, eu estou em um projeto que está me ocupando muito tempo e não teria como atender mais o Paraná. Vou me tornar corredor de rua e estou me preparando para a Maratona de Curitiba em novembro. Ocupa muito tempo de treino. Antes do jogo, eu corri 26 km, então não tinha como ficar 90 minutos atrás do gol com a fantasia”, afirmou o torcedor.
Como surgiu a ideia da Gralha Azul
A história da Gralha Azul começou em um dos momentos complicados na história do Paraná Clube. Rossi estava na arquibancada da Vila Capanema na virada sofrida pelo Tricolor para o Santos por 3 a 2 que praticamente sacramentou o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro de 2007.
Foi naquele momento que ele decidiu apresentar uma ideia para o departamento de marketing. O torcedor recebeu o aval da diretoria e até teve o Vovô Coxa, mascote do rival Coritiba, como referência.
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Após meses de planejamento, a estreia estava prevista para o primeiro trimestre de 2008. O problema foi ninguém havia sido escolhido para vestir a Gralha.
“Dois dias antes da estreia, não tinha ninguém para fazer o mascote. O pessoal do marketing falou: ‘Você fez toda a correria, nada melhor que você mesmo para encampar a briga’. Eu só queria ajudar, não queria ter essa responsabilidade de fazer. Sobrou para mim, o pessoal foi unânime na minha escolha e acabei fazendo. Era para ser só um período, mas acabou passando o tempo e durou 18 anos”, relembrou.
A estreia aconteceu em 19 de março de 2008, na vitória do Paraná sobre o Vitória por 1 a 0, pela Copa do Brasil. O que inicialmente seria apenas uma participação temporária acabou se transformando em uma das grandes histórias de um torcedor fanático.
As polêmicas com Athletico e Coritiba
Durante os 18 anos como Gralha Azul, Rossi nunca recebeu salário do Paraná Clube a pedido dele mesmo. No período, ele também acumulou diversos momentos que agradaram a torcida, mas também geraram polêmicas com os rivais.
A principal delas aconteceu durante um clássico com o Athletico. “Era pouco mais livre a brincadeira anos atrás. O que a torcida do Paraná mais lembra foi contra o Athletico que entrei com poodle de pelúcia, brincando e chutando. A torcida do Paraná foi ao delírio. Eu penso que o Athletico é mais adversário do Paraná que o Coritiba”, lembrou.
Se isso fosse hoje, o Ibama estaria processando uma gralha pic.twitter.com/2tkF9jfMMl
— Faвigоl da Vila Capаиeмa™ (@fabigol_14) June 28, 2022
Ele também tentou preparar uma provocação para o Coritiba, mas a brincadeira acabou barrada pela própria diretoria paranista. “Uma vez contra o Coritiba eu tentei entrar com uma cabeça de alface, mas a diretoria não deixou. Na hora de subir o túnel, a direção não me deixou fazer a brincadeira”, falou.
Qual o futuro do mascote do Paraná Clube?
O Paraná Clube já jogou duas partidas na Vila Capanema desde que Rossi ‘se aposentou’, mas não teve a Gralha Azul atrás dos gols para animar a torcida. Com a situação indefinida, o torcedor deixa a escolha do substituto nas mãos da diretoria, mas se coloca à disposição para ajudar.
“Isso cabe a eles. Cheguei a falar com meu filho de 24 anos, mas não quer saber. É doente pelo Paraná, mas não tem interesse em ir. Eu deixei na mão do clube e me propus a ajudar na seleção, dar orientações do que fazia e não fazia”, finalizou Rossi.