O UmDois Esportes iniciou na quinta-feira (29) uma série de entrevistas com os candidatos à presidência do Conselho Gestor do Paraná para o triênio 2021-2024. A segunda entrevista é com Ioanes Capnoulas, 57 anos, que concorre pela chapa "O Paraná é futebol".

Nascido em Curitiba, é paranista desde pequeno, paixão que passou também para a filha, e conselheiro do clube. Ioanes é formado em Engenharia Eletrônica e Direito, atua no ramo de importação e possui duas empresas, uma na área de engenharia elétrica e outra em importação. O candidato também é investidor e sócio de uma empresa do ramo de futebol, situada em Miami, nos Estados Unidos.

A chapa é formada também por Vitor Hugo Pinheiro (Vitex) como 1º vice-presidente, Nello Morlotti como 2ª vice-presidente, e Wilton Gil e Christian Knaut como membros.

O nome do grupo leva a principal proposta: ter um futebol forte. Ioanes acredita que o clube precisa resgatar a credibilidade e pediu votos aos paranistas que querem um gestão voltada para o campo. Para ele, reconstruir o clube não é a prioridade a curto prazo e nem é uma proposta viável de ser realizada.

As eleições do Tricolor ocorrerão no dia 9 de agosto, das 10h às 20h, de forma presencial. No dia 5 de agosto, o clube fará a apresentação oficial das chapas e um debate. Ao todo, 508 sócios estão aptos para votar.

Confira os principais trechos da entrevista com o candidato Ioanes Capnoulas

Por que assumir o Paraná neste momento?

Antes de formar nossa chapa, nós observamos as características das outras. E, em relação a nomes conhecidos, nós chegamos a conclusão que nenhuma das chapas têm condições de realmente gerir à altura daquilo que estamos precisando hoje, que é o futebol do Paraná. Hoje, nós não estamos interessados em reconstruir todo o clube, porque isso seria uma mentira. Na situação financeira atual, não tem condições de prometer ao torcedor que 'quando eu assumir, vou pagar toda a dívida do Paraná', 'vou colocar o time na Série A', 'vou resgatar a Vila Olímpica', isso não existe.
O torcedor do Paraná precisa parar para pensar e ver o que ele quer. Ele quer viver de realidade ou de promessa, porque hoje não adianta dizer que vai fazer tudo, porque não vai fazer. Eu quero que o futebol do Paraná resgate a sua credibilidade. Então, vamos investir primeiramente em futebol. Mas isso não quer dizer que futuramente o clube não possa ter uma sede.

Como avalia o momento do Paraná e qual a principal mudança que precisa ser implantada?

A principal mudança neste momento é resgatar a credibilidade junto ao torcedor. Porque o torcedor está magoado, já perdeu a credibilidade em gestões passadas, que prometem, arrecadam e não investem no futebol. O futebol tem que ser tudo hoje dentro do Paraná. O pessoal tem arrecadado dinheiro com o plano de sócios e não tem aplicado no futebol.
Esses planos de sócios que foram criados não corresponderam. E, para resgatar este tipo de coisa, precisamos fazer um novo plano, dentro da realidade do clube. Nosso estádio é precário, não traz conforto. Projetos futuros para a Vila Capanema existem, estamos trabalhando, mas hoje não temos muito a oferecer. E o torcedor do Paraná tem que entender que eles têm que nos ajudar. O único patrimônio que o Paraná Clube tem hoje é o seu torcedor.

Por que o nome da chapa é "O Paraná é futebol"?

Nós estamos preocupados em resgatar a credibilidade do futebol do Paraná e, com isso, contamos com o torcedor que também quer fazer isso. Agora, aquele torcedor que não quer, que quer resgatar o clube como um todo, infelizmente não vai votar em nós. E esse também não é o nosso intuito. Isso é uma coisa para o futuro. O que importa dentro do Paraná é o futebol.

Quem são os outros membros da chapa?

Cada componente da nossa chapa tem uma função específica. O Vitor, que é empresário, trabalha no ramo de logística e tem bastante contato com a torcida. Uma pessoa que ama o clube, e a função dele vai ser justamente atender o aclame do torcedor. Vamos juntos conversar com representantes de grupo de redes sociais e um representante vai ter acesso à diretoria para trazer o que está acontecendo lá fora, o que acham que precisa melhorar. Estaremos abertos à opiniões. Queremos extrair tudo aquilo que tiver de bom e colocar em prática.

O Nello, uma pessoa conhecida, dará continuidade ao processo da Vila Capanema. Porque hoje tudo que conseguimos em relação ao estádio foi por conta dele. Nós precisamos de pessoas na chapa que tenham uma boa influência política. Hoje no Brasil, se você não tiver um bom relacionamento político, as coisas não andam. Ele terá um função política, entrando em contato, se necessário, com prefeito, governador, presidente. Ele tem bastante experiência e é uma pessoa bem competente nisso.

O Christian já teve passagem pelo Paraná e atuou no departamento de marketing. Ele sabe tudo o que aconteceu no Paraná e deu ou não resultado. Ele tem toda essa informação dos prós e contras do clube. E o que deu errado, nós não vamos cometer o mesmo erro. E já é um bom caminho andado. Ele também vai trazer mais disso do marketing.

O Wilton será meu soldado de campo. Ele hoje toma conta do gramado da Vila Capanema e do CT. Estamos com problemas de iluminação no estádio, precisamos melhorar o refeitório do CT, ele sabe de todas as necessidades que o Paraná precisa. E ele vai fazer esse tipo de coisa, porque eu não posso fazer tudo sozinho. Eu não poderei estar em cinco, seis lugares ao mesmo tempo. Cada um tem a sua função específica dentro da chapa, mas o presidente sou eu, a última palavra será minha. Muita coisa eu vou vetar, mas, o que for bom para o Paraná, vamos colocar em prática.

O que avalia como principais erros das últimas diretorias e como recomeçar o Paraná?

Os erros do Paraná não vêm só da última gestão. O Paraná já vinha de 15 anos errando e se arrastando para não deixar chegar na situação que chegou agora, que não tem mais um solução rápida. Hoje, uma solução rápida é uma ilusão. Tem que se trabalhar muito com o pé no chão, temos que respeitar muito as nossas finanças e orçamento, porque não poderemos gastar aquilo que a gente não tem. Nas gestões passadas, eles gastavam mais do que eles tinham.

E outra, eles pegavam o dinheiro que o futebol trazia e investiam em elefantes brancos, só gastando dinheiro do clube. É preciso administrar o clube como uma empresa. E a associação é um empresa, a única diferença é que a associação não tem fins lucrativos. O clube tem um CNPJ a ser respeitado. Hoje, se você administrar mal uma empresa ela vai à falência. A associação nem pode pedir falência. E muitos falam em transformar o clube em S/A, mas isso é para o futuro. Para isso acontecer, precisa se preparar, e, de acordo com os requisitos, o Paraná hoje não se enquadra. Isso seria coisa para o futuro. Temos que preparar o clube para que ele se enquadre dentro da lei.

Quais são suas principais propostas para o clube?

- O Paraná hoje não tem patrimônio. A sede da Kennedy, por exemplo, não é do Paraná. Se a gente fosse dono da Kennedy, eu, como empresário entendo que patrimônio é aquilo que se pode comprar e vender quando quiser. Hoje, não podemos vender, nem utilizar como moeda de troca. A única coisa que poderia ser feito é você fazer um acerto com a Justiça, a União. A Vila Olímpica é a mesma coisa. Foi vendido uma parte e até hoje está embargado. O terreno no litoral também precisa ser avaliado e ver até que ponto pode trazer benefício para o clube. Temos que administrar o que temos como usuários.

- Nosso objetivo hoje, é investir no futebol e no torcedor. Porque se o futebol do Paraná sair desta situação e trazer novamente a credibilidade, torcedores, patrocinadores e investidores, tudo se alinha. O Paraná não tem muito a oferecer se não for um futebol de qualidade. Nós não temos mais credibilidade, nós perdemos isso. Hoje, todos os investidores ficam com o pé atrás, ninguém quer investir no clube. Fiz contato com vários investidores fora do Brasil, temos algumas coisas alinhadas e propostas, mas é preciso ver o que será possível fazer no momento. É muito difícil encontrar um patrocinador que queira investir na situação que o clube está. Os caras fazem levantamento e, quando chegam no financeiro, na parte das dívidas, eles dizem 'mas o patrimônio que vocês têm aqui, não paga a dívida'. O cara que investe quer retorno, não só ajudar. Tem que ser bom para os dois lados.

- E só falando a verdade que vamos resgatar essa credibilidade. Não falando nada que não for realidade. Não adianta prometer para o torcedor que vamos fazer um clube de sócios, que vamos reformar a Vila Capanema, colocar cobertura, cadeira... não tem como. O torcedor do Paraná tem que ver o que quer de melhor para o clube. O torcedor quer um clube de futebol? Uma associação recreativa? Quer futebol? Então, vamos investir no futebol. Toda verba que vier dos sócios será investida no futebol. E vamos ouvir a torcida. Já prometeram aí transparência e responsabilidade, mas isso não é uma opção, é uma obrigação.

- Futebol profissional. Estamos na Série C, não podemos fugir da realidade e pode acontecer de o Paraná ser rebaixado. E, com isso, muda tudo a estrutura e o nível de atletas. Então, temos que esperar o que vai acontecer, mas já temos soluções, que eu espero que não aconteça. E também soluções se o clube se mantiver na Série C, que é procurar investidores que têm jogadores que podem nos emprestar para termos um time competitivo para disputar e subir já para a Série B, daí em diante a receita aumenta e a situação passa a melhorar. Tem chapas que preferem que o clube caia porque o gasto vai diminuir, mas e a credibilidade? E aí como o clube vai arrecadar receita, vão transformar o time em clube amador de volta? Isso não pode acontecer.

- Categorias de base. O Paraná hoje não tem mais condições de revelar jogadores. O Paraná precisa se transformar em um captador. Temos que captar jovens que já estejam em uma idade que possam assinar contrato. Se você revela jogadores de 12, 13 anos, e coloca para treinar no Paraná, hoje se sabe muito bem que craque está escasso no Brasil. Existem clubes de potencial financeiro infinitamente maiores que o Paraná. Você traz um atletas de 12 anos, está cheio de olheiros que oferecem um caminhão de coisas, como já aconteceu aqui, e levam embora. Temos que captar atletas novos e que possam corresponder. E, se vier a ter alguma negociação neste período de treinamento, que ele possa trazer benefícios ao Paraná também.

Como você viu essa parceria entre Paraná e FDA Sports?

O que foi acordado com a FDA, um pouco a gente sabe, um pouco a gente não sabe, mas se o Paraná não tivesse feito essa parceria, não teria mais jogador dentro de campo. Porque eles iriam fazer greve e não iriam mais jogar bola, porque estavam com os salários atrasados. Foi a única saída a curto prazo que o clube viu. Tem outras saídas? Tem, mas precisamos de mais tempo. É uma captação de recursos, de investidores, e a curto prazo não seria possível fazer isso. Tem erros e falhas no que foi acordado, mas tudo negociável. Se tiver algo no contrato que não ficou bom para um dos lados, eles estão dispostos a negociar e realinhar, mas no momento não tinha outra saída. Se o clube não fizesse isso, não teria mais time de futebol.

Não vou dizer que vamos fazer uma nova negociação. A nossa ideia é falar com o pessoal da FDA Sports e tentar realinhar alguma coisa do contrato, porque não existe nenhuma segurança, tanto para o clube quanto para eles, que amanhã esse contrato não possa ser revogado. Não tem nada nenhuma cláusula que obrigue a pagar uma multa. Foi feito um acerto rápido e qualquer uma das partes pode querer encerrar. E nós vamos estudar. Se está ajudando o clube e trazendo benefício, a gente continua. Se não está, encontramos outra solução. Então, é tudo questão de tempo.

Acesse o plano de trabalho completo da chapa "O Paraná é futebol".

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