O uso de um suposto termo racista por Nelson Piquet para se referir a Lewis Hamilton gerou enorme repercussão e, nesta terça-feira (28), Mercedes, Fórmula 1 e Federação Internacional do Automóvel (FIA) emitiram comunicados condenando o brasileiro tricampeão do mundo e enaltecendo o posicionamento constante do inglês na luta pela diversidade.

"Linguagem discriminatória ou racista é inaceitável de qualquer forma e não deve fazer parte da sociedade. Lewis é um embaixador incrível do nosso esporte e merece respeito", diz o comunicado da F-1.

"Seus esforços incansáveis para aumentar a diversidade e a inclusão são uma lição para muitos e algo com o que estamos comprometidos na F1", acrescentou.

A FIA também se posicionou de maneira forte sobre o episódio.

"A FIA condena veementemente qualquer linguagem e comportamento racista ou discriminatório, que não tem lugar no esporte ou na sociedade em geral. Expressamos nossa solidariedade a Lewis Hamilton e apoiamos totalmente seu compromisso com a igualdade, diversidade e inclusão no esporte a motor."

A Mercedes, atual equipe do sete vezes campeão de F-1, também saiu em defesa do piloto.

"Condenamos nos termos mais fortes qualquer uso de linguagem racista ou discriminatória de qualquer tipo. Lewis liderou os esforços do nosso esporte para combater o racismo e ele é um verdadeiro campeão da diversidade dentro e fora das pistas. Juntos, compartilhamos a visão de um automobilismo diversificado e inclusivo, e este episódio destaca a importância fundamental de continuar lutando por um futuro melhor."

Hamilton rebate, em português, fala "arcaica" de Piquet

Heptacampeão da Fórmula 1, o próprio Lewis Hamilton se pronunciou, em português, nas redes sociais, para rebater a fala de Piquet. "Vamos focar em mudar a mentalidade", postou Hamilton no Twitter. Confira a declaração completa do piloto inglês.

Confira as declarações de Piquet sobre Lewis Hamilton

Lewis Hamilton, piloto britânico da Mercedes. Foto: EFE
Lewis Hamilton, piloto britânico da Mercedes. Foto: EFE

Nelson Piquet foi flagrado usando um termo compreendido como racista para se referir a Lewis Hamilton, em um vídeo de 2021 que circulou nas redes sociais e ganhou repercussão no final de semana.

É possível ouvir o ex-piloto chamando o heptacampeão de "neguinho" ao comentar um acidente envolvendo o inglês e Max Verstappen durante o Grande Prêmio de Silverstone, na Inglaterra.

"O neguinho meteu o carro de não deixou (Verstappen desviar). O neguinho deixou o carro porque não tinha como passar dois carros naquela curva. Ele fez de sacanagem. A sorte dele foi que só o outro se f*deu. Fez uma p*ta sacanagem", criticou Piquet, em entrevista ao jornalista Ricardo Oliveira.

Piquet ainda comparou a batida entre os pilotos da Mercedes e da Red Bull com a polêmica colisão de Ayrton Senna e o francês Alain Prost, principal rivalidade da Fórmula 1 à época, na largada do GP do Japão, em 1990, que garantiu o título daquele ano ao brasileiro. "O Senna não fez isso. O Senna saiu reto", disse.

A fala de Piquet aconteceu em novembro do ano passado, quando Hamilton e Verstappen disputavam de maneira acirrada a ponta da competição, com o piloto da Red Bull levando a melhor.

A filha do tricampeão, Kelly Piquet, é namorada de Max Verstappen. O holandês visitou o ex-piloto em Brasília antes do GP de São Paulo, em novembro de 2021, que terminou com Hamilton no lugar mais alto do pódio. Porém, foi Verstappen quem terminou com o título ao final da temporada.

Piquet ainda não se manifestou sobre o caso.

Filho de Piquet protagonizou um dos maiores escândalos da Fórmula 1

Nelsinho Piquet, ex-piloto da Fórmula 1. Foto: Estadão Conteúdo.
Nelsinho Piquet, ex-piloto da Fórmula 1. Foto: Estadão Conteúdo.

Em 2008, Nelsinho Piquet foi um dos protagonistas do que ficaria marcado como um dos maiores escândalos da história da Fórmula 1. Na 14ª volta do GP de Singapura, Piquet rodou e bateu de propósito o carro Renault, a mando do chefe da equipe, Flavio Briatore.

O ato ajudou o companheiro de equipe de Piquet, Fernando Alonso, a vencer a prova, e acabou prejudicando indiretamente o brasileiro Felipe Massa. Massa liderava o GP, quando a direção de prova acionou o safety-car em razão da batida de Piquet.

"Para mim, a frustração maior que eu tenho na minha vida como piloto é a corrida de Singapura, por tudo aquilo que aconteceu, que não é esporte. Foi uma malandragem, uma sacanagem. Isso, sim, me tirou o título", declararia Massa, que ainda revelaria que Piquet confessaria para ele a batida proposital.

Participe da conversa!
0