A notícia da criação de uma liga composta apenas por gigantes europeus como Real Madrid, Barcelona, Juventus, Liverpool e Manchester United abalou as estruturas do mundo do futebol no início desta semana.

E mesmo ainda distante de sabermos se a Superliga realmente sairá do papel, tal plano também causa curiosidade em torcedores que estão bem longe da Europa. Como seria, por exemplo, uma liga com os principais times do continente sul-americano?

O UmDois Esportes procurou três especialistas para falar, hipoteticamente, sobre uma competição desse calibre. Um dos pontos em comum entre eles, é que o torneio não ficaria restrito à América do Sul.

"Você teria que dar uma alongada na ideia para torná-la mais robusta do ponto de vista financeiro, incluindo times mexicanos e americanos, fazendo uma Superliga das Américas", argumenta Fernando Ferreira, especialista em economia e negócios do Esporte.

Na visão de Eduardo Carlezzo, advogado especialista em direito desportivo, caso a iniciativa europeia se concretize, será até natural que investidores pensem em replicar a ideia.

"Alguém vai olhar para América, um grande banco, um grande fundo investimento. São mercados grandes, clubes tradicionais, e pode fazer sentido colocá-los juntos numa liga", aponta o advogado, que foi diretor jurídico da Primeira Liga, torneio que durou duas edições reunindo times do Sul, Minas Gerais, além de Flamengo e Fluminense.

Quem participaria da Superliga?

Mas quais clubes formariam o núcleo dessa nova liga? Para o jornalista especializado em negócios do esporte Erich Beting, o cenário não tem muito mistério.

"Naturalmente, os times que geralmente lideram conversas com a Conmebol ganham a dianteira. Boca Juniors, River Plate, talvez um paraguaio, pela força política... No Brasil, muito possivelmente Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo", cita.

A quantidade de equipes, aliás, seria um problema. Quanto mais times, maior a divisão do dinheiro – e menos receita para cada um. "É um problema gigantesco. Nacional e Peñarol, do Uruguai, por exemplo, são tradicionais, mas quem faz a conta pensa no financeiro e fica difícil colocar times de mercado reduzido", avalia Carlezzo.

"Não poderiam ser 20 clubes, como na Europa. No máximo 16. Pegariam uns quatro do Brasil, quatro da Argentina, dois do México, dois dos EUA, deixando espaço para mais uns quatro clubes de Colômbia, Chile ou eventualmente Uruguai. Não fugiria muito disso. Efetivamente, você precisa ter grana envolvida, torcida grande, capacidade de gerar audiência. Isso seria viável? Seria, certamente", opina Ferreira.

Na Europa, a promessa é de até 350 milhões de euros para cada um dos clubes participantes. Mesmo ficando longe desse patamar, a projeção financeira de uma eventual Superliga das Américas brilharia os olhos de qualquer clube da região.

"Se isso acontecer, vai fazer a cabeça de muitos dirigentes entrar em ebulição", imagina Carlezzo. "O que devemos ver daqui para frente é muito barulho, mas ainda sem muita definição", aposta Beting.

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