Uma declaração do técnico Renato Gaúcho, atualmente no comando do Vasco da Gama e com passagem pelo Athletico, gerou forte repercussão na América do Sul. Após a derrota para o Botafogo por 2 a 1, em São Januário, no último fim de semana, o treinador comentou sobre a adaptação de jogadores colombianos ao futebol brasileiro e acabou chamando atenção pelo tom direto.

“Os colombianos erram muito”, afirmou Renato, ao ser questionado sobre o desempenho do atacante Marino Hinestroza. Segundo o técnico, a dificuldade está relacionada ao processo de adaptação tática.


“Temos quatro colombianos no grupo, eu procuro sempre corrigir eles. E eles têm muitos erros. É o meu trabalho, mas é falta de tempo. Não é da noite para o dia que eu vou corrigir os caras 100%”, completou.


A fala ganhou destaque em veículos de imprensa de países como Colômbia, Equador e Argentina, ampliando o debate sobre a presença crescente de atletas estrangeiros, especialmente colombianos, no futebol brasileiro. Em 2026, o Brasileirão atingiu um recorde nesse quesito. Levantamento do UmDois Esportes aponta que 12 dos 20 clubes da Série A contam com ao menos um jogador colombiano no elenco.

Athletico é o clube do Brasileirão com mais colombianos

Entre os destaques está o próprio Athletico, que figura como um dos clubes com maior número de atletas do país sul-americano. O Furacão conta atualmente com seis colombianos no elenco profissional: os zagueiros Aguirre e Carlos Terán, os volantes Juan Portilla e Alejandro García, além dos atacantes Mendoza e Kevin Viveros. O último, inclusive, foi destaque do Furacão na disputa da Série B do ano passado, com nove gols. Na atual temporada, Viveros é o artilheiro do Rubro-Negro, com seis gols.

Viveros voltou a marcar pelo Athletico. (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Gazeta Press).

A presença numerosa, no entanto, não é vista como estratégia direcionada, segundo o técnico Odair Hellmann. Em entrevista recente, ele minimizou a questão da nacionalidade nas contratações. “Todos os clubes brasileiros têm estrangeiros. Aqui, os colombianos que vieram foi coincidência. A gente não olhou para o país. A gente olha para a característica, função que a gente precisa, questão física, técnica e financeira”, explicou.

Renato também relembrou sua experiência no Grêmio, onde já adotava cautela ao contratar atletas estrangeiros. “Eu gosto deles, mas só dava o aval quando já estavam adaptados ao futebol brasileiro”, disse. Para o treinador, as diferenças táticas e de intensidade seguem sendo os principais desafios para jogadores vindos de outros mercados sul-americanos.

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