Jornalista, apresentador e narrador da Band, o curitibano Napoleão de Almeida foi a voz da transmissão pela televisão da final da Copa Sul-Americana na Conmebol TV. Leia o relato:

Era 1990 e eu estava com 10 anos na sala de casa, na frente do rádio, onde muitos dos meus heróis moravam. Naqueles dias eu narrava futebol de botão imitando Carneiro Neto, Lombardi Jr., Fernando Cesar, Luiz Augusto Xavier e tantos outros que eu certamente já cometo a injustiça de não citar. Tinha um Atletiba no Alto da Glória e eu queria ir, mas meu pai avisou: “Não tem mais ingressos. Vai ser no rádio”. Acabou que a CNT anunciou a transmissão de última hora e vimos o jogo pela tela – era algo muito mais incomum do que você, jovem, possa imaginar.

Nesse 2021 pandêmico e de tantas perdas e sofrimento por conta da Covid-19 fui presentado pelo destino com a chance de contar as histórias do Athletico na Sul-Americana, do primeiro ao último jogo. Justamente num ano “sem ingressos”, ou melhor: sem público no estádio até o dia da decisão – e ela foi em Montevidéu, no Uruguai. Paranaense radicado em São Paulo desde 2012, vim pra cá tentar a vida como narrador. Às vezes penso que é até outra vida. Mas não me esqueci de Curitiba e de todos os rostos que fazem parte do meu mosaico. Gente que conheço ou que, mesmo sem conhecer, sei como são, e que tiveram em mim o guia em uma campanha espetacular.

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Desde o início, quando Erick fez o gol contra o Aucas no Equador, muita gente me procurava para agradecer o encurtamento da distância para sua paixão. Até mesmo na decisão, em Montevidéu, teve gente me mandando print do celular por que estava vendo na telinha por superstição: “Você é pé quente para nós. Capricha!”. Isso enchia meu coração de alegria. Obrigado, mesmo.

O gol de Nikão foi uma pintura, histórica, memorável, ainda mais no mítico Centenário. Nenhuma moldura estaria à altura deste gol, que Sicupira assinaria. Pude registrar. Não como sonhei, mas estava ali, registrando.

O mesmo garoto que há três décadas só ouvia os heróis no rádio, agora falando para o Brasil. Um privilégio dado pela direção da TV, especialmente para quem há quase um ano sofria com a Covid-19. Nelson Santos, com quem comecei no rádio. Jacir de Oliveira, meu amigo de tanta luta, o inesquecível Sicupira. Meu tio Renério, minha tia Jane, meu falecido pai, atleticano, Francisco, meu avô Vital, que me ensinou a gostar de futebol e rádio. Todos estavam ali comigo em espírito. Perfeccionista, sei que não iria gostar de nenhuma narração que fizesse, qual ela fosse. Ainda bem que o gol foi de Nikão, o maior dessa geração atleticana, cujos feitos são imensos por si só.

Ao longo da trajetória do Furacão, fomos fazendo amigos e rompendo barreiras. Estar em São Paulo em um grande canal de TV e numa emissora de rádio de ponta é algo sensacional para aquele menino que tinha 10 anos em 1990. Mas receber as mensagens de gente que come vina e carne de onça, que faz do Barigui sua praia, vai na Feira do Largo e ama Curitiba é um troféu que guardarei para sempre. No fundo, incidentes e glórias à parte, só tenho a agradecer a todos vocês por aceitarem essa jornada com a gente na Conmebol TV. Novas histórias virão.

Obrigado, amigos. Obrigado, Athletico.

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