Imbróglio

Incerteza sobre contrato com Brax ameaça clubes e cria nova crise com CBF

Presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, ao centro da mesa

Apresentado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2023 como uma importante vitória de sua área comercial, o contrato da entidade com a empresa Brax pelos direitos de transmissão da Série B do Campeonato Brasileiro por um período de quatro anos, de 2023 a 2026, corre o risco de ser rompido ainda em 2024.

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A empresa de marketing esportivo, responsável por financiar a transmissão dos jogos em TV aberta pela Band, avisou a CBF que não deverá honrar o acordo, sob a alegação de que o torneio é comercialmente deficitário. O contrato prevê para o primeiro ano o pagamento de R$ 210 milhões, para serem divididos de forma igualitária pelos clubes. O valor é reajustado todos os anos. Para 2024, a cifra é de R$ 231 milhões.

Em 2023, a Brax já teria deixado de fazer o pagamento para alguns dos 20 clubes da Segunda Divisão. De acordo com informações do colunista Flávio Ricco, confirmadas pela Folha, a própria CBF teve de tirar de seu caixa para não prejudicar as equipes. O mesmo poderá acontecer nesta temporada.

Procurada, a entidade máxima do futebol brasileiro disse que não teria nada para comentar sobre o tema. A Brax também não se manifestou.

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Pessoas envolvidas nas negociações, no entanto, confirmaram à reportagem a existência do problema. O impasse poderá deixar a competição sem transmissões em TV aberta neste ano, em que a Série B terá o Santos como seu principal atrativo.

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Rebaixado pela primeira vez em sua história na temporada passada, o time da Vila Belmiro ainda não tem definido a venda de seus direitos de TV para este ano. O clube tem duas opções: acionar uma cláusula do pay-per-view, mantendo seu contrato atual com o Grupo Globo, pelo qual receberia 3,1% do montante que é destinado aos clubes que fazem parte desse contrato coletivo; ou negociar diretamente com a Brax.

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Nas duas hipóteses, o Santos estima que poderia arrecadar valores semelhantes, entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões.

O modelo comercial adotado pela Brax, no entanto, é diferente do praticado pelo Grupo Globo, que compra os direitos e transmite a competição. No caso da empresa de marketing esportivo, após firmar o contrato, ela busca um parceiro comercial para a transmissão, com o qual divide as receitas, como patrocínios e os naming rights do campeonato.

Em 2023, a Segunda Divisão foi exibida pela Band, na TV aberta, e pelo Sportv, na TV fechada. Ainda não há uma definição para as transmissões deste ano. Caso não possa contar com o Santos em seu pacote, a Brax corre o risco de arrastar ainda mais essa definição. Por isso a tentativa de romper o acordo.

Procurada pela reportagem, a Band afirmou que não comenta sobre o assunto.

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