Bolada

Novo rico? Saiba que o Foz vai fazer com os R$ 30 milhões da venda de Pepê

Pepê, atuando pelo Foz do Iguaçu
Atacante Pepê vai render muito dinheiro ao Foz.| Foto: Divulgação/Foz do Iguaçu
  • Por Fernando Rudnick
  • 19/02/2021 16:39

"Somos um time pequeno que um dia será grande", vaticina Arif Ahmad Osman, presidente do Foz do Iguaçu FC, clube que jogará o terceiro escalão do futebol paranaense em 2021.

Pequeno, sim, mas em breve milionário. A venda do atacante Pepê por 15 milhões de euros (cerca de R$ 98 milhões), do Grêmio ao Porto, vai mudar a realidade do time da fronteira. Como era dono de 30% dos direitos econômicos do camisa 25, o Foz receberá aproximadamente R$ 30 milhões da transferência. Até lá, apenas o valor referente ao mecanismo de solidariedade da Fifa.

O grosso do dinheiro, no entanto, só chega em novembro de 2022, de acordo com o contrato assinado há cerca de dez dias. A divulgação aconteceu somente nessa quinta-feira (18).

"15 milhões de euros é espetacular. Você pode contar nos dedos quantos negócios desse tamanho estão sendo feitos no mundo nessa situação em que vivemos", comemora Arif.

O cartola até imaginava que o Grêmio venderia sua joia ainda mais caro – o que refletiria em uma parcela maior para o Azulão. Mas quando isso não aconteceu, o sangue libanês do empresário, dono de uma rede de estacionamentos, falou mais forte na negociação.

"Temos mérito, sim, porque não tínhamos direito a percentuais e conquistamos eles na venda futura. O Grêmio ficou com 12,5% do lucro que o Porto tiver quando negociá-lo. E desse valor que vai para o Grêmio, o Foz tem direito a cerca de 15%", conta Osman, cuja família é oriunda de Baaloul, no Vale do Bekaa, no Sul do Líbano.

"Tem um monte de torcedores do Foz por lá", garante.

Pepê em ação pelo Foz do Iguaçu. Foto: Divulgação.
Pepê em ação pelo Foz do Iguaçu. Foto: Divulgação.

Investimento com pés no chão

A pergunta que não quer calar é: o que o Foz vai fazer com os mais de R$ 30 milhões da venda de Pepê? A resposta está na ponta da língua do presidente.

"Temos que investir em um CT e na formação de atletas, que é o futuro de qualquer clube. A gente acreditava nisso lá em 2013, 2014, quando captamos 15 atletas. Fizemos contratos longos e conseguimos vender 11. Temos percentuais em 11 jogadores espalhados pelo mundo", cita Arif.

"Quero construir no mínimo três campos de futebol, um de grama sintética e um de grama natural. E um deles preparado para mandarmos jogos da base pelo menos", emenda o dirigente, que pleiteia receber a doação de um terreno da prefeitura para a construção do centro de treinamento.

Não espere, portanto, que o Azulão invista em jogadores caros e pague altos salários. Longe disso. O clube mantém sua filosofia de fazer mais com menos.

"Não vamos fugir dos orçamentos que tínhamos anteriormente. Não é agora que vamos dobrar ou triplicar o valor dessa folha", assegura Arif, que pagava R$ 70 mil mensais para elenco, comissão técnica e todo os staff do futebol em 2019, por exemplo.

Recomeço na Terceirona após inatividade

Depois de cinco temporada na elite do futebol estadual, três participações na Série D e uma disputa inédita de Copa do Brasil, o Foz fechou as portas temporariamente em janeiro de 2020.

O clube pediu licença à Federação Paranaense de Futebol (FPF) e à CBF e parou por um ano. "Foi uma decisão sábia baseada na situação econômica da região naquele momento, dólar muito alto e dificuldade de conseguir patrocínio, já que tínhamos caído da Primeira para a Segunda Divisão estadual em 2019", conta Arif.

Nessa época, a pandemia de Covid-19 ainda não era realidade no Brasil. E, de acordo com o presidente, a situação seria desastrosa caso a equipe mantivesse as atividades sem condição de honrar os compromissos.

A pena para o Foz foi o recomeço de baixo, da Terceirona Paranaense. E a necessidade recuperar seu lugar.

"Com ou sem dinheiro de investimento, é o obrigação do Foz voltar para a Segunda – e depois para a Primeira. O clube que tem que conquistar seu espaço e fazer de tudo pelo acesso. Mas continuamos com o pé no chão, sem fazer loucuras, sem compromissos acima da realidade. Uma hora o dinheiro acaba", conclui Osman, que inegavelmente vai continuar torcendo pelo sucesso de Pepê.

"Quando ele mudar de clube vamos continuar recebendo. Tomara que isso aconteça umas seis vezes, que vamos faturar seis vezes", brinca.

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