A Sociedade Esportiva Palmeiras e o Clube de Regatas do Flamengo dominam o futebol brasileiro na atualidade, disso ninguém tem a menor sombra de dúvidas.

Nos últimos anos, o alviverde paulista conquistou Copa do Brasil 2015 e 2020; Campeonato Brasileiro 2016 e 2018, Campeonato Paulista 2020 e Copa Libertadores 2020.

Já o rubro-negro carioca dá indícios de que está apenas iniciando um período de hegemonia no futebol nacional, já contando com as conquistas de dois Campeonatos Brasileiros seguidos (2019 e 2020), da Copa Libertadores de 2019 e dos dois últimos campeonatos estaduais.

As razões desse duopólio são exploradas por duas vertentes principais de análises. Por um lado, especialistas apontam o papel que a gestão responsável e eficiente desses clubes cumpriu na preparação para esse momento. Outra, mais crítica, confere o segredo do sucesso desses clubes a “soluções singulares”, em especial quando se fala da redução recente dos seus endividamentos.

Apesar de ambos os campos estarem corretos em diversos aspectos, certos pontos passaram longe das análises. Vamos explorar a trajetória recente do futebol brasileiro para entender os segredos de Palmeiras e Flamengo.

Palmeiras e a influência decisiva de Paulo Nobre e Leila Pereira

Não é muito difícil explicar o benefício que o patrocínio poderoso da Crefisa e da Faculdade das Américas proporcionou ao Palmeiras. Contratações de peso foram subsidiadas pela patrocinadora, que atua com grande influência nos círculos políticos do clube. Leila Pereira, proprietária e figura pública da Crefisa, já se reelegeu como conselheira do Palmeiras e almeja assumir a presidência da instituição na próxima oportunidade.

A “parceria” se iniciou em 2015, um ano após o Palmeiras inaugurar o Allianz Parque – seu novo estádio construído sobre os escombros do antigo Parque Antarctica –, e escapar do rebaixamento para a Série B na última rodada do Brasileirão de 2014. A má fase em campo, entretanto, não contava a história do intenso movimento de reestruturação financeira que ali ocorria.

A partir de 2013, o então presidente Paulo Nobre usou seu patrimônio pessoal como garantia para uma série de empréstimos em favor do clube, estipulados em R$ 104 milhões. Estratégia arriscada, mas que ajudou a reeguer o Palmeiras e, evidentemente, a reelegê-lo para o biênio 2015-16. Com esse aporte, o Palmeiras pôde se livrar das principais dívidas de curto prazo, esticar o pagamento de outros acordos e profissionalizar diversos setores importantes da administração do clube.

Apesar das muitas críticas recebidas à época, consta que o Palmeiras pagou os valores devidos a Paulo Nobre ainda em 2018, cerca de sete anos antes do prazo estipulado. Como parece óbvio perceber, a devolução do dinheiro já se dá em virtude da excelente situação financeira vivida sob o super-patrocínio da Crefisa.

Uma vez que não precisava gastar para contratar jogadores de alto nível de competitividade, e ainda poderia contar com parte da receita da venda desses atletas no futuro, o Palmeiras navegou em águas tranquilas – ao menos em nível administrativo – entre 2015 e 2018.

O modelo da “parceria” foi alterado em 2018, por pressão da Receita Federal, que classificou a movimentação como um empréstimo, algo diferente do que acontecia até ali. À altura, mais de R$ 130 milhões já teriam sido gastos em compra de jogadores. Dessa forma, o Palmeiras seria obrigado a restituir a Crefisa – que, convenhamos, não precisa desse dinheiro, mas se dispôs a atender à exigência da restituição de impostos.

Casos de dirigentes que atuam como verdadeiros mecenas de clubes são absolutamente comuns no futebol brasileiro. Ricardo Guimarães no Atlético-MG, Rafael Tenório no CSA ou mesmo o novato clube-empresa Cuiabá, bancado pela família Dresch, são exemplos recentes.

A mesma coisa podemos dizer de grandes marcas que injetam recursos volumosos nos clubes. O próprio Palmeiras já havia vivido algo parecido com a Parmalat nos anos 1990, assim como tantos outros clubes que estiveram em situações parecidas: a exemplo do Corinthians com o Excel e o fundo norte-americano Hicks, Muse, Tate & Furst; ou o Vasco da Gama com o NationsBank; ou o Flamengo com a International Sports Leisure (ISL). 

Apesar de consistirem em modelos diferentes entre si, todas essas parcerias redundaram em grandes perdas financeiras para os investidores e para os clubes nos anos seguintes, ao proporcionarem volumes de investimentos que o futebol brasileiro não era capaz de sustentar. Segundo Marco Sirangelo – autor do artigo “A raíz do problema: o declínio do futebol brasileiro após o período de parcerias”, no livro Clube Empresa – o que ocorria em grande medida era uma valorização temporária do real, que logo no início do século se desmanchou.

Eis aí a grande diferença do Palmeiras da década de 2010: coisa rara são os aportes financeiros que venham para sanear as finanças do clube, não apenas para montar elencos milionários a despeito das suas consequências futuras. O Palmeiras de hoje se explica pelo movimento de Paulo Nobre, independentemente do que se ache do cartola. Sem ele, provavelmente também não existiria “Era Crefisa” para contar tanta história.

Nessa jornada, um aliado poderoso também se fez presente: o Allianz Parque garantiu retornos financeiros consideráveis, dando sustentação importante ao processo.

Talvez a única arena multiuso bem sucedida do país após 2014, a praça desportiva do Palmeiras combina diversos fatores favoráveis: não apenas está em São Paulo, maior mercado consumidor do país, como está em uma região nobre da cidade, com ótima acessibilidade, com baixa concorrência de equipamentos de entretenimento massivo, estruturada em um modelo de negócio pouco danoso ao clube. Sua utilização para eventos não-futebolísticos é altíssima, ao ponto de comprometer o calendário do time do Palmeiras em algumas ocasiões.

Apesar disso, sozinha, a arena seria incapaz de dar sustentação a um projeto esportivo tão vitorioso, baseado em investimentos muito acima da média nacional. A bem da verdade, é bem mais seguro relacionar a manutenção das altas receitas de bilheteria e sócio-torcedor do Palmeiras aos resultados dos bons times bancados pela Crefisa, não o inverso.

O crescimento da receita “de futebol” do Palmeiras é relevante porque dá tração para o futuro do clube, mesmo sem a grande patrocinadora. Também é importante considerar o trabalho de estruturação da divisão de base alviverde, setor que sempre foi um ponto fraco, mas que já deu retorno esportivo e financeiro em pouco tempo.

O Palmeiras foi único dentre os grandes do país a não aderir ao Programa de Refinanciamento Fiscal do Futebol Brasileiro, o Profut. Esse programa está no cerne do resgate do seu concorrente de hegemonia contemporâneo.

Flamengo, Profut e a grana dos direitos de televisão

A ótima fase do Flamengo era uma questão de tempo e de atitude, mas também se vale pela convergência de muitos acontecimentos que favoreceram os planos do clube da Gávea. Méritos à parte, ninguém pode esquecer que o Flamengo jamais “zerou” suas dívidas, muito longe disso. Também não se pode esquecer que o clube se valeu de uma sequência longa de anos de brutal disparidade de arrecadação da mais importante fonte de receita em relação aos seus adversários: os direitos de transmissão.

Por se tratar do clube de maior torcida do país de forma incontestável, sempre coube ao Flamengo reivindicar a cereja do bolo dos direitos de transmissão no Brasil. Isso será tratado mais adiante, mas explica porque sempre foi vista como espantosa a incompetência do rubro-negro em reverter sua capacidade de arrecadação em poderio financeiro real – e consequentemente em ganhos esportivos.

É aqui que entra o Profut, programa que buscou refinanciar as dívidas dos clubes e caiu como uma luva para o rubro-negro carioca. Sufocado por dívidas, o Flamengo teve na figura do seu então presidente uma espécie de Paulo Nobre. Grande responsável pelo momento atual, Eduardo Bandeira de Mello ainda é menos reconhecido pelos serviços prestados do que deveria.

A atuação de Bandeira de Mello se deu muito mais no campo da política do que das finanças. Experiente no ramo da administração pública, o ex-presidente rubro-negro nunca escondeu que atuou fortemente na produção do projeto de lei que originou o Profut. Conseguiu dar ao programa um esboço mais próximo o possível das necessidades do Flamengo.

É óbvio que é impossível desconsiderar que o trabalho administrativo da equipe liderada por Bandeira de Mello nos mandatos 2013-2015 e 2016-2018 foi histórico. Contas controladas, foco na resolução das pendências financeiras, reestruturação administrativa, elencos que cabiam dentro do orçamento proposto, pouca propensão a contratações de risco etc.

Se o ambiente era favorável, essas duas gestões trataram de torná-lo perfeito. Até porque, poucos anos antes, outra mudança foi crucial para o Flamengo arrasador que conhecemos hoje: a mudança no modelo dos direitos de transmissão.

Apesar de não ter sido o protagonista, o Flamengo foi importante no processo de destruição do Clube dos 13, articulação entre os clubes mais populares do país, em 2011. Diante de um momento de instabilidade na indústria do futebol local, parte dos membros do C13 atuou publicamente para deslegitimar o processo licitatório de venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, vencido pela RedeTV.

Esse movimento foi liderado pelo Corinthians, clube que dominou o futebol do país na primeira metade da década de 2010, presidido à época por Andrés Sánchez.

O racha provocou uma corrida desenfreada pela negociação individual dos direitos de transmissão a partir daquele ano, modelo que vigora (em partes) até os tempos atuais. Por razões óbvias de volume de torcedores, Corinthians e Flamengo foram os maiores beneficiados desse processo, chegando a receber, apenas nessa receita, até seis vezes mais do que alguns concorrentes diretos.

Esse mesmo contexto também favoreceu Flamengo e Corinthians em outra “fonte”: o patrocínio da Caixa Econômica Federal, realizado em larga escala no futebol brasileiro, usou critérios estritamente comerciais – e não de interesse público – para a definição dos valores a serem pagos. A dupla dos clubes mais populares do país recebia cerca de R$ 30 milhões, ao passo que seus adversários se limitavam a um teto de R$10 milhões anuais.

Não é fortuita a intensa movimentação do Flamengo pela alteração das leis de negociação dos direitos de transmissão nos tempos atuais, como foi com a caducada MP do Mandante. O Flamengo ainda aposta em uma maior desregulamentação dos direitos de transmissão no futebol brasileiro, misturando a ideia de “direito do mandante”, com “liberdade de mercado” e de “benefícios coletivos” no futebol brasileiro.

Talvez inspirado nos portugueses que frequentaram o Ninho do Urubu nos últimos anos, o rubro-negro tem apostado na criação de um ambiente de negociação semelhante ao que ocorre em Portugal. Negociando individualmente, os três maiores clubes do país chegam a arrecadar 13 vezes a mais que os adversários locais, que não conseguem conter essa disparidade nem quando buscam negociar em bloco (Observação: assim como ocorreu na Espanha, uma lei determinou que os clubes portugueses deveriam negociar coletivamente, com regras mais justas).

A entrada da Turner no mercado do futebol brasileiro provocou grandes discussões, derrubando em partes a disparidade financeira presente na divisão dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Apesar disso, outros mecanismos serviram para manter as desigualdades que ainda ajudam a explicar – para além da boa gestão – como o Flamengo chegou onde chegou.

Pelo mecenato privado ou pelas condições favoráveis de um proto-mecenato estatal, Palmeiras e Flamengo gozavam de boas condições para colocar em prática os seus projetos de reestruturação. É o suficiente para decretar os dois clubes como “modelos” para o tão diverso e desigual futebol brasileiro?

Vejamos...

Desafios reais de América-MG, na parte baixa da tabela, e do Grêmio, lá em cima

A reflexão sobre os efeitos esportivos de uma boa gestão financeira não deveria partir de clubes que já compõem o topo da pirâmide, mas daqueles que estão mais abaixo, lutando contra a falta de recursos até para montar elencos medianos. São clubes que disputam o famigerado rebaixamento mesmo errando pouco.

Três clubes deram um salto organizativo que se refletiu nos resultados esportivos. Esporte Clube Bahia, após seu processo de democratização; o Ceará Sporting Club, após um eficiente projeto de reestruturação financeira e alavancagem de receitas (com manutenção duradoura na Série A); e o Fortaleza Esporte Clube, que penou para fugir do pesadelo da Série C (sempre caindo na hora decisiva), e agora garante mais um ano de disputa na Série A, com eficiência administrativa em diversos setores. Não obstante, são três dos últimos quatro campeões da Copa do Nordeste.

Entretanto, a nível nacional, são clubes que possuem receitas de direitos de transmissão muito inferiores àquelas dos adversários. Avaliar uma gestão nessas condições exige a elaboração de critérios um pouco mais sofisticados. Esses clubes não lutarão por títulos porque a disparidade financeira basicamente inviabiliza a competitividade. Duas ou três décadas de contas organizadas serão incapazes de alterar isso substancialmente.

Até porque duas forças andam em conjunto: a desigualdade exponencial do futebol e a queda abrupta de receitas e a alta probabilidade de rebaixamento no futebol brasileiro. Ninguém viveu melhor esse paradoxo nos últimos anos do que o América-MG, que viveu o efeito “ioiô”. São aqueles clubes que sobem para a Série A, não fazem investimentos irresponsáveis, e por isso caem para Série B, mas continuam com capacidade financeira para disputar o acesso novamente. Mas quando retorna à Série A, o América-MG confronta clubes que, nesse breve espaço de tempo, já acumularam três centenas de milhões de reais a mais, independentemente da eficiência da sua gestão.

O futebol brasileiro possui uma grande quantidade de clubes com grande torcida, mas tem uma Série A com apenas 20 clubes, sendo quatro rebaixamentos. Não é a boa gestão do América-MG que será capaz de evitar um rebaixamento contra clubes de poder financeiro equivalente que, entretanto, não possuem controles de gastos rígidos – e se livram do descenso exatamente por isso. A “responsabilidade” acaba cobrando um preço muito alto.

Mas também vale pensar em outra perspectiva. Na “parte de cima da tabela” o Grêmio desponta como um clube digno de nota, que tem disputado títulos nos últimos anos e tem resolvido seus problemas financeiros (a despeito da falta de títulos recentes). O que nos obriga a destacar: não é porque um título não aconteceu, que uma gestão não pode ser digna de manchetes.

O Grêmio de Romildo Bolzan tem as contas em dia, elencos competitivos e terminou quatro anos seguidos entre os quatro melhores do Campeonato Brasileiro (em 2020 ficou em 6º).  Foi campeão da Copa do Brasil em 2016, e depois emplacou mais duas semifinais e um vice-campeonato; além de ter sido campeão da Copa Libertadores da América de 2017 e semifinalista nas duas edições seguintes (fora os três estaduais seguidos, mas esses não contam).

Não é um resultado qualquer. A ausência do Grêmio nas discussões sobre a hegemonia de Palmeiras e Flamengo está relacionada a três questões: 1) a localização geográfica; 2) o imponderável do campo e bola; 2) a ausência de um aporte financeiro substancial que o permitisse destoar dos adversários ao ponto de concentrar os melhores jogadores, pagando os melhores salários.

Nesse mesmo sentido, poderíamos observar o Athletico . O Furacão é um dos clubes politicamente mais estáveis do país (independentemente dos motivos), com alto índice de acerto no futebol e com ótimo balanço operacional. As conquistas da Copa Sul-americana e da Copa do Brasil foram os maiores resultados de um clube fora dos ditos "grandes", indubitavelmente, mas a própria realidade atual do Rubro-Negro prova como há uma imensa diferença entre os sucessos de uma boa fase e construção de uma hegemonia duradoura.

Novamente, aqui vamos: Palmeiras e Flamengo trabalharam para chegar onde chegaram? Sim, bastante. Qualquer outro clube seria capaz de fazer o mesmo, no mesmo curto espaço de tempo? Não.

Porque não dispõem dos mesmos recursos, e portanto não conseguirão ter o diferencial esportivo na hora decisiva. Não há uma correlação direta entre resultados esportivos e financeiros, ainda que possamos dizer que, sim, deve ser um dos nortes de qualquer clube no longo prazo. 

Ganhar títulos é gastar dinheiro

O futebol-negócio, em geral, constitui esse paradoxo. Clubes vivem na difícil decisão de segurar as contas – vivendo na mediocridade – ou de buscar gastar a mais com a expectativa de ganhar muito mais, mas sem a certeza de que isso acontecerá.

Essa lógica de cassino (atividade proibida no Brasil) é a razão central da complicada situação de muitos clubes brasileiros. Almejando maiores receitas em um período futuro, clubes pesam a mão nos investimentos que, em tese, geram resultados esportivos: altos salários, altas premiações, pagamento de rescisões contratuais. 

Ao alcançar esse novo patamar esportivo e financeiro, o processo se renova: para disputar uma Série A – ou uma Libertadores, se for o caso –, essa demanda por maiores investimentos ou comprometerá a organização financeira pregressa ou, do contrário, resultará em mediocridade esportiva.

Essa é a razão para a falência de inúmeros clubes ingleses. Para disputar a English Premier League e garantirem a entrada das estratosféricas receitas televisivas – que tem a divisão mais equilibradas do mundo! – inúmeros clubes de médio porte já quebraram. Seja por não alcançarem o acesso após um pesado investimento ou – é preciso deixar isso bem claro – exatamente porque subiram de divisão sem possuírem as condições estruturais para disputá-la de forma digna.

É por essas razões que produções acadêmicas sobre o futebol – desde as mais críticas, como Peter Kennedy e David Kennedy, até as mais irreverentes como Simon Kuper & Stefan Szymanski – não cansam de frisar como mesmo o futebol mais profissionalizado do mundo é incapaz de apresentar resultados financeiros minimamente satisfatórios.

E se, uma vez que é assim que o futebol opera, o que ocorre aos proprietários de clubes de futebol? Simples, comportam-se como os velhos mecenas de sempre, sustentado empresas desportivas que dão prejuízos financeiros, mas retornando imensos dividendos políticos.

Entre Paulo Nobre, Silvio Berlusconi, Castor de Andrade, Sebástian Piñera, Mauricio Macri, Sheik Mansour e Charles Tate só mudam as escalas e os objetivos finais. O procedimento é o mesmo.

Nunca é demais manter a calma

Lembremos que, apesar disso tudo, poderíamos estar nesse momento falando que o Internacional e o Santos são modelos a serem seguidos. O clube gaúcho perdeu o disputadíssimo Brasileirão por um único gol; o alvi-negro praiano deixou a Libertadores escapar da mesma forma que poderia a ter conquistado: com um gol surpresa no último minuto de um jogo extremamente disputado do início ao fim.

Aliás, essa é uma tendência repetitiva e contumaz no futebol brasileiro. Dirigentes, jornalistas e “especialistas” sempre se deixam levar pelas circunstâncias momentâneas das taças e resultados. Seja pelo anseio de ser testemunha da história, seja por um imediatismo exagerado que prejudica a capacidade de enxergar a própria história como parâmetro para os feitos atuais.

Palmeiras e Flamengo gozam, juntos, do mesmo tipo de superioridade que São Paulo, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro desfrutaram em distintos momentos dos anos 2000 e 2010. Dinheiro no futebol nunca está em excesso, mas geralmente está à disposição em uma medida suficientemente maior para que o desequilíbrio some ao seu favor.

É certo que o futebol global tem se tornado cada vez mais previsível e monótono: Bayern, Juventus e PSG colecionam uma quase década ininterrupta de títulos nacionais, mas esse ainda não é o caso do Brasil. O dinheiro ganha muito título, mas nossa condição de país periférico na indústria do futebol global ainda joga contra pretensas hegemonias eternas.

Ainda bem.

Irlan Simões é pesquisador Capes Doutorado PPGCom/UERJ, membro do Laboratório de Estudos em Mídia e Esportes (PPGCom/Uerj) e integrante do Na Bancada (nabancada.online), autor dos livros "Clientes versus rebeldes - Novas culturas torcedoras nas arenas do futebol moderno" e "Clube Empresa: abordagens críticas globais às sociedades anônimas no futebol"

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