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O Alex boleiro já era. Em 2021, inicia como técnico: “Vou gastar energia com o atleta”; veja entrevista

O Alex boleiro já era. Em 2021, inicia como técnico: “Vou gastar energia com o atleta”; veja entrevista
| Foto: Arte: Osvalter Urbinati/UmDois Esportes
  • Por Fernando Rudnick
  • 22/11/2020 13:36

O meia Alex se despediu do futebol no dia 7 de dezembro de 2014, em uma vitória por 3 a 2 do Coritiba sobre o Bahia, pela última rodada do Brasileirão. Quase seis anos depois, o curitibano de 43 anos garante que, finalmente, tirou a roupa de ex-jogador.

Pronto para começar a carreira de técnico, ele falou por mais de uma hora com o UmDois Esportes sobre o processo de preparação para seu próximo passo. Além de curso de gestão na Universidade de Futebol, também tirou as Licenças A e B na CBF Academy.

Alex de Souza comentou sobre suas influências, desejos e a dura realidade do futebol brasileiro. Falou sobre Coritiba, destacou quais times nunca treinaria e também sobre seu estilo de trabalho.

“O que eu posso oferecer é que sou um cara que quando jogava era muito preocupado com os detalhes – e como treinador também vou ser. Sou um cara que só funciona se a coisa estiver muito organizada, então quero que a coisa esteja muita organizada. E vou ser um cara que quer gastar muita energia com o indivíduo, com o atleta”, resume.

Leia a primeira parte da entrevista de Alex:

UmDois Esportes - Está definido, sua carreira de técnico começa em 2021?

É, na verdade já imaginava isso quando jogava. Eu, por um acaso, sorte ou escolhas, fui capitão da maioria das equipes em que joguei. E a partir do momento em que você é capitão, há muita conversa com comissão técnica, com diretoria. E a partir do momento que encerrei, em 2014, fiz um organograma para que pudesse seguir. A primeira coisa era tirar minha roupa de jogador. Mesmo sendo capitão, tendo que muitas vezes enxergar um pouco além da tua figura – o jogador por si só é individualista, se protege muitas vezes. Então eu queria tirar essa vestimenta de ex-jogador, curtir um pouco a família, me distanciar do universo do futebol e criar uma isenção para que eu pudesse imaginar uma nova situação na frente, na época ainda não sabia se como gestor ou treinador. Então, dentro desse organograma eu consegui seguir e acredito que tenha chegado o momento final – ou inicial para a nova função.

Assista a entrevista de Alex na íntegra:

Hoje, às vésperas de começar a nova carreira, você sente aquele friozinho na barriga do início no futebol?

Eu tenho dito que o meu sentimento hoje é o mesmo que tinha por volta de 1994, 1995. Naquele período, me imaginava jogando futebol, jogando no Coritiba, e depois seguiria dentro daquilo que eu conseguisse fazer a minha carreira. Vou ver o que vai acontecer em termos de primeiro emprego, de início de carreira, sabendo que é bem diferente da carreira de um futebolista, mas que eu também vou depender daquilo que apresentar, daquilo que acontecer como resultado.

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Mas nesse reinício você conta com uma experiência, uma bagagem que não tinha no início da carreira de atleta. Em paralelo, você também se preparou bastante para o próximo passo..

Pra entrar nisso tem que voltar lá atrás, em 2014, quando eu jogava. Até naquele período participei de maneira efetiva das eleições no Coritiba. Naquela disputa o presidente Vilson [Ribeiro de Andrade] tentava se reeleger numa chapa contra o [Rogério] Bacellar e sua turma. Naquele período eu conversava muito com o Ricardo Guerra e, de início, o Guerra imaginava que seria o candidato a presidente, o que não acabou acontecendo – foi o Bacellar. Naquele período, conversava muito com o João Paulo Medina e com o Paulo Autuori. A ideia era que os dois assumissem o futebol do Coritiba. O Medina até acabou vindo e eu viria um pouquinho mais à frente. Eu descansaria um pouco e voltaria mais à frente – nós teríamos que conversar em qual função, mas seria para um aprendizado. Em março, mais ou menos, o Medina saiu do Coritiba, o Paulo Autuori nem chegou a vir e acabei não retornando. Aí eu crio um processo diferente pra mim. Eu imaginava que teria essa relação com o Coritiba, mas tive de quebrá-la porque a coisa não funcionou como imaginávamos. E aí aparece a televisão. O João Palomino, o Arnaldo [Ribeiro] e o [André] Plihal me procuraram para ser funcionário da ESPN e eu acabo aceitando até como um aprendizado. Durante meu período como atleta, me perguntava como os jornalistas chegavam a determinadas conclusões. Fui para a Universidade do Futebol com o professor Medida fazer curso de gestão. Enxerguei que é interessante, é importante, mas que realmente não é a minha. Não me vejo falando de parte administrativa, envolvido com parte financeira, me via muito mais dentro do campo.

Nesse período me inscrevi duas vezes no curso da CBF e acabei desistindo no momento final por razões pessoais. Falava: não é a hora ainda, vou me segurar. E me segurei. E quando realmente decidi, fiquei na dúvida se ia direto para a Licença A ou faria a Licença B. Fiz a opção pela Licença B para entender essa questão da formação do jovem jogador no Brasil. Tinha na minha mente como eu havia sido formado e as situações mudaram demais. Então falei: eu vou estudar para entender como essa rapaziada está trabalhando. Até porque entendo que muito dessa rapaziada está sendo formada hoje vão ser os atletas que vou dirigir ali na frente. Acredito que foi uma escolha boa. Aí fiz o estágio no Coritiba, mais fixo no sub-17, mas conversando com os técnicos de todas as categorias. Naquele momento o Mozart ainda era o auxiliar e conversávamos bastante. O treinador era o Umberto Louzer, que também me permitiu acompanhar.

E neste ano fiz a Licença A e agora vou retornar para acompanhar o Rodrigo [Santana]. Eu ia para o Palmeiras acompanhar o [Vanderlei] Luxemburgo, mas com a pandemia deu uma parada. De 2016 pra frente o processo disso tudo foi basicamente diário. De algumas formas estava ligado ao estudo do futebol e me desatrelando da história do Coritiba, dos jogadores e de processos políticos nos quais tinha me envolvido lá atrás. Já são quatro anos sem nenhuma participação direta no futebol profissional. Então, minha relação foi um período como comentarista quando a ESPN detinha direitos de algumas competições. E nos últimos dois anos minha participação é meramente no programa Resenha, contar histórias de ex-jogadores e já ter contato com pessoas do futebol para busca de aprendizado mesmo, de estudo, de pesquisa. E agora voltar pra parte efetiva, que é campo.

E como vai ser esse estágio no Coxa?

Não sei se é a palavra é estágio. Tenho curiosidade em saber o que os treinadores pedem, no caso o Rodrigo Santana e o Pacheco, e saber como os jogadores recepcionam. Ideias de futebol eu tenho as minhas e cada um tem as suas. A dificuldade maior é aplicar. Mas tenho curiosidade, principalmente, de saber a recepção do jogador de hoje em dia. Mudou muito. A maneira com que meus treinadores se comunicavam comigo nem cabe mais, né? Jogador nem assimila isso. Não sei se é um estágio, é mais um acompanhamento para que eu tenha essa percepção. Se eu tiver oportunidade vou fazer em outros clubes, mas a pandemia prejudica um pouco nesse sentido. O que eu puder fazer como processo final vou tentar fazer.

Como você acha que será sua comunicação com os atletas mais jovens?

Estou bem tranquilo em relação a isso, até porque tenho uma filha adolescente em casa que também é atleta. Também vejo muito paralelo com o que eu sonhava aos 16 anos e o que ela sonha hoje aos 16 anos. É óbvio que são esportes diferentes, mas as expectativas, os sonhos, o comportamento, o dia a dia, isso cria algumas semelhanças. Como falei, nesse período observei muito isso. Têm jogadores hoje no Coritiba, que estão beirando para entrar no time profissional que os acompanho desde 12, 13 anos, desde quando eram atletas de futsal. Isso eu fiz questão de fazer, de conversar, de ver a recepção deles, de ver sentimento. O Igor Jesus, que foi embora agora, acompanhava desde os 16 anos no Coritiba. Eu sabia o processo que ele estava alimentando na carreira. E têm outros assim. O Matheus Cunha é titularíssimo na Alemanha, sonhando com medalha olímpica, mas lembro dele jogando decisão de juvenil aqui em Curitiba. Eu estava ali quietinho acompanhando. Fiz esse tipo de acompanhamento nos últimos anos. É óbvio que no dia a dia isso se torna diferente. Mas o que eu quero é algo parecido com o que tinha no passado, onde os treinadores conversavam diretamente comigo, gastaram tempo e energia comigo. Isso é algo que prefiro repetir, óbvio que entendendo o processo de cada um, o processo familiar de cada um, os desejos individuais. E aí desenvolver o trabalho que acredito ser necessário.

Você sempre cita que foi um atleta que buscou muita informação e questionou muito seus técnicos. Agora, em outro papel, vai fomentar esse tipo de comportamento?

Vou. Sempre busquei duas situações: por que e como. Por que isso e como vamos fazer para atingir tal situação. Alguns [treinadores] me convenceram, outros nem tanto. E acredito que vão fazer o mesmo comigo. E outra coisa que acho importante é que a geração atual ganha dinheiro um pouco mais cedo do que a minha geração. Existe também a questão da divulgação, a importância que se dá hoje ao que as outras pessoas pensam. Tem que tomar muito cuidado quando você recebe um elogio e uma crítica. O que é normal, os jornalistas e comentarista fazem esse papel, o desenvolvimento hoje de um torcedor na rede social é de jornalista e de comentarista. Temos que entender isso. E nessa questão, entender o que o atleta busca. A nossa geração falava muito em deixar legado, ganhar títulos… quero jogar no Couto, quero jogar no Morumbi, quero marcar meu nome. Entender o tamanho do desejo que aquele atleta tem. Porque vai diferenciar. Um vai querer mais que o outro. Um vai estar mais preocupado da condição do próximo contrato do que propriamente do próximo o jogo. Generalizar é que é perigoso. Temos que procurar entender o processo de cada um e vou seguir nessa linha pra tentar entender o que vou ter na minha mão. Se vou ter um jogador muito sonhador ou um jogador que só está pensando no contrato dele. Não estou aqui pra fazer juízo de ninguém porque isso pertence a cada indivíduo. E aí, em cima disso, tentamos equacionar para fazer um time. Fazer time é isso, é tentar equacionar as várias qualidades e problemas que, de repente, existam naquele local para atingir o objetivo desenhado.

E os jogadores vêm de várias realidades diferentes…

São várias realidades, vários processos. E tem muita gente que releva isso, acha detalhe pequeno. Eu, sinceramente, acho isso um detalhe muito grande. Ao longo da minha carreira vi jogadores espetaculares ao meu lado e muita gente não entender por que o cara não deu certo. A partir do momento que você entende o processo de vida dele, você entende por que a coisa não aconteceu.

Seu trabalho também vai se tentar direcionar esses atletas…

Minha ideia é poder ajudar para que o jogador evolua. E jogador nenhum chega numa equipe profissional sem ter o mínimo de qualidade. E qualidade não é só jogar bola, é entender o jogo, entender a situação do clube. Um caráter de muito trabalho atrás dele. Você imagina, um menino quando começa jogar bola com 10, 11 anos está num processo eliminatório. Ele briga com os meninos de 18 anos. Daqui a quatro, cinco anos eles vão estar ocupando o mesmo espaço. O nível competitivo para chegar no time de cima é muito grande. E muitas vezes não entendemos isso. Eu vi muita coisa nesse sentido quando ainda estava no clube. Mas cada processo tem que ser respeitado para que num funil a coisa se junte em favor de um grupo. Os processos individuais se juntam atrás de um resultado. E quando essa equação chega numa coisa legal você bate campeão, faz campanhas boas, seu trabalho é valorizado. Mas a dificuldade é fazer isso, o normal é ter dificuldade. Essa conclusão eu tenho antes de ser treinador porque vivenciei isso muito tempo. E na parte teórica vários exemplos são dados.

O curso da CBF foi o que você imaginava?

Foi, pra mim ajudou muito. Tem muita discussão, mas volto no que estou falando: as análises são muito individuais. Particularmente, gostei muito do curso. Me ajudou a juntar as ideias que tinha. São coisas que havia vivido no futebol. Não fiz faculdade de Educação Física, então fui atrás de cursos que me dessem a condição a montar as ideias e juntar com o processo de liderar uma comissão técnica e um grupo de jogadores. E fico muito feliz com a escolha de ter feito a Licença B, que me deu um processo mais amplo. E digo uma coisa chata, mas real: as pessoas ainda contratam pelo nome, não pelo conhecimento da pessoa. Pelo nome eu já estaria trabalhando se quisesse porque os convites chegam. Eu me sentia desconfortável quando um convite desses vinha. Sei de vários profissionais que não tiveram a mesma felicidade de ter uma carreira como a minha jogando ou não foram jogadores e estão na profissão através das faculdades e que de repente não têm as mesmas oportunidades, os mesmos convites. Então, a forma que fiz para me sentir confortável é só falar do que tenho conhecimento. Eu não tinha conhecimento nenhum da parte teórica e fui buscar. São quatro anos buscando quase que diariamente. Acredito que tenho o embasamento para falar da parte teórica e o embasamento pra falar da parte prática enquanto jogador. A parte prática de treinador só vai acontecer na hora em que trabalhar. E com a consciência muito tranquila de que existe uma expectativa grande e que vou errar muito porque treinador realmente erra muito porque é a posição pessoal dele que tem de ser executada através de outros. E muitas vezes não se atinge a expectativa de um diretor de clube, de um torcedor, jornalistas. Essa consciência eu tenho bem resolvida comigo, mas estou pronto para encarar o processo sabendo de tudo isso que é inerente ao jogo e à minha profissão.

E qual o pacote Alex? Como você se rotularia?

Não me rotulo. Primeiro por que não treinei ninguém. Não me sinto treinador de futebol ainda. E segundo por que preciso saber onde vou estar. Porque uma coisa vai ter de mudar no Brasil, que vai ser o inverso também… saber o que o clube vai oferecer para o treinador. E não digo nem oferecer, digo o que esperar desse treinador. Veja como acontece no Brasil hoje: Treinador A caiu. Então vamos tentar contratar o treinador B, que é super ofensivo. Eu tenho um time super ofensivo. Mas ele não quer vir agora. Então vamos atrás do Treinador C, mas ele não é tão ofensivo assim. Mas tem um treinador que já fez sucesso aqui uma vez e é reconhecido, o torcedor gosta, traz ele. Aí ele é longe daquilo que o clube montou, longe daquilo do que diretor imagina, do que o executivo e o clube desejam. Mas ele é famoso no clube, vai tapar um baita buraco que existe no momento, vai ser escudo de uma pressão. Se eu virar pra você e dizer assim, olha eu vou jogar atacando, marcando alto, minha linha de zagueiros vai morrer no meio de campo e aí chego no meu clube e meu zagueiro é mais veterano, mais pesado, não vai aguentar fazer isso. Eu quero mandar o cara embora, mas não posso. Então tudo que eu disser aqui é utópico. É como se eu tivesse numa mesa de botão, imaginasse os jogadores com as características que desejo, sendo que não tenho esse direito ainda. O dia em que, de repente, eu me torne um baita de um treinador, super vitorioso, poderei fazer as minhas exigências. Hoje não, hoje eu preciso trabalhar. E a partir do momento que eu vá trabalhar no clube A, B ou C, vamos olhar o que que a gente tem. Você tem categoria de base, usa a base, o clube aceita usar a base? Vai usar a base pra ser efetivo, pra completar grupo? Sem conversar com o clube, sem saber qual o clube, não dá pra imaginar isso. Até porque, no Brasil, muitos clubes ainda vivem da realidade da década de 1970, 1980. Era aquela coisa de eu sou grande no meu estado, sou vencedor do meu Estadual. Mas a nível Brasil, tenho uma difícil aceitação de que o processo todo mudou. Então poderia dizer como a maioria fala, e que eu acho engraçado: ah, quero jogar como o Liverpool joga. Não dá pra jogar como o Liverpool joga.

E o que você vai levar em conta para aceitar um convite?

Minha conversa olho no olho com quem comanda o clube, entender bem quem comanda. Tem clube que têm várias pessoas, tem clube que tem uma. Existem diferenças de clube pra clube, de cidade pra cidade. E o que eu posso oferecer, o que tenho dito pra todos, é que sou um cara que quando jogava era muito preocupado com os detalhes – e como treinador também vou ser. Sou um cara que só funciona se a coisa estiver muito organizada, então quero que a coisa esteja muita organizada. E vou ser um cara que quer gastar muita energia com o indivíduo, com o atleta. Se ele está ali, ele é um produto do clube, que é massacrado diariamente. Ele é exigido pela família, pela imprensa, pelo torcedor, e muitas vezes a coisa não acontece. A confiança desse cara vai pro espaço e recuperar a confiança é importante. A gente vê isso todos os dias. Se você acompanhar o futebol, vai ver que as entrevistas são muito parecidas. O Carlos Eduardo, no Athletico, deu uma entrevista dizendo que o Paulo Autuori deu uma confiança que ele não tinha. Ou seja, antes do Paulo chegar alguma coisa devia estar acontecendo com ele, o Paulo elevou o moral dele e ele já ajudou nesse processo no jogo contra o Goiás. Isso é algo que quero fazer, de estar dia a dia com o atleta e de buscar instigar esse cara do porquê que ele está ali. Pô, você joga no Coritiba, no Athletico, no Paraná, Corinthians ou qualquer time. Por que você está aqui, o que te trouxe aqui? Daqui você quer ir pra onde? Como você quer ser lembrado aqui? Eu, por exemplo, parei de jogar em 2014, mas é satisfatório voltar em Minas e ver que meu nome está marcado na história do Cruzeiro, vou no Couto Pereira e sei que faço parte da história do clube. O mesmo vale no Palmeiras, na Turquia. Por exemplo, me dá tristeza de saber que tive a chance de jogar no Flamengo e saber que, por falha minha, não consegui me dar bem. Então, isso que quero fazer. Quero estar diuturnamente ligado ao meu trabalho, ao clube onde estiver. E ajudando esses jogadores, porque quem resolve ou te oferece o problema é o jogador. Treinador é um meio de facilitar ou de dificultar essas ações. Meu trabalho vai ser nesse sentido.

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