O último fim de semana foi atípico para o goleiro Jonas Moraes Martins, do Vila Fanny, líder da Série B da Suburbana de Curitiba. Especialista em cobranças de falta, o arqueiro 36 anos não balançou a rede adversária pela primeira vez desde o retorno campeonato amador da capital.

Mesmo assim, a média de gols de Jonas ainda chama a atenção: um por partida. Foram dois na estreia contra o União Ahú, um diante do  Shabureya, além de outro contra o Ipiranga.

O ‘Rogério Ceni' da Suburbana, contudo, jogou apenas metade dos oito confrontos disputados pelo Alvirrubro. “Tenho que revezar. Não consigo estar em todos por causa do meu serviço”, explica o camisa 1, que cumpre escala de 12h por 36h como segurança em um posto de saúde no Bairro Novo. Durante o dia, faz bicos de eletricista.

Em 2019, na última temporada da Suburbana antes da pandemia de Covid-19, o Jonas anotou oito gols pelo Santa Quitéria, terminando como vice-artilheiro do torneio. Foram cinco de falta e três de pênalti para o goleador de luvas, que chegou a atuar nas categorias de base do Paraná e J. Malucelli. Participou de peneiras de Athletico e foi barrado no Coritiba pela baixa estatura para posição – ele mede hoje 1,85 m.

“Tentei ser profissional, mas parei com 19 anos, no último ano de júnior. Na época, acabei casando, fui morar junto e tive que arranjar um emprego. Então, fui parar no amador, jogando pelo Santa Quitéria, onde fiquei por 16 anos”, lembra Jonas, que está no top 10 de artilharia da Suburbana.

“Fizeram um levantamento dos maiores goleadores no site Do Rico ao Pobre e apareci em décimo, com 51 gols. Uns amigos até me mandaram mensagens dizendo que tava na frente deles”, comemora.

Jonas marcou época no Santa Quitéria.
Jonas marcou época no Santa Quitéria.

Torcedor do Palmeiras, mas fã de Rogério Ceni, o jogador do Vila Fanny começou a tomar gosto por ser goleiro de maneira incomum. Foi sua avó, Ita, quem o inspirou. “Ela era goleira de um time de futebol feminino do bairro, jogava em campo de areia. Treinava com aquela camisa tradicional do Taffarel. Quando era mais novo, eu ajudava a preparar os treinos dela”, conta.

A avó que o criou, no entanto, não se arriscava nas cobranças de falta. O alto índice de gols vem de uma mistura entre intimidade com a bola e repetição, garante. São pelo menos 15 batidas após cada treino, mas em outras épocas Jonas já chegou a bater 30 em cada sessão.

Com a bola estiver na posição ideal, a cerca de 3m da risca da grande área, a probabilidade de gol é alta. “Eu bato firme na bola. Monto a barreira para tirar a visão do goleiro. Então, quando pego bem na bola, ele só a vê quando passa da barreira. E aí não dá tempo de chegar”, ensina o goleador-artilheiro do futebol amador de Curitiba

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