Comandado pelo técnico Alex de Souza, o Operário iniciou 2026 apostando em uma revolução refletida em seu uniforme de jogo. Ao alinhar na estreia no Campeonato Paranaense contra o Londrina, na última quarta-feira (7), a equipe de Ponta Grossa ostentou a nova camisa para a temporada em que disputará, além do Estadual, a Copa do Brasil e a Série B do Campeonato Brasileiro.

Depois de anos exibindo um emblemático uniforme multicolorido no melhor estilo “abadá”, o Fantasma, que chegou a ter 29 marcas na roupa de jogo, reduziu drasticamente o número de patrocinadores. A mudança visual é notável. A aposta é em um estilo mais clean, que valorizasse tanto o tradicional alvinegro, como o escudo do clube.

E que, simultaneamente, não representasse uma perda nas receitas comerciais. “O pontapé inicial veio da própria torcida e de percebermos este desejo dela”, argumenta o diretor de marketing do Operário, Junior Migliorini, explicando que o pedido por uma camisa menos ‘poluída’ partiu das arquibancadas.

“A principal ação era criar outras alternativas de receitas, tanto no estádio, com naming rights de setores, para manter o faturamento, ao mesmo tempo em que tentamos valorizar os patrocinadores que permaneceram conosco”, prossegue.

Uniforme anterior do Operário tinha 23 patrocínios. Foto: Arquivo/UmDois

Em relação a 2025, o Fantasma reduziu o número de patrocínios no uniforme de 23 para nove. Ainda estão disponíveis o patrocínio master e um espaço nas costas. A nova camisa deve começar a ser vendida ainda em janeiro, com preço em torno de R$ 230. O clube também prepara o lançamento de um aplicativo próprio por meio do qual os torcedores possam adquirir o produto. A expectativa interna, por sua vez, é de que haja um aumento de pelo menos 50% no número de unidades comercializadas.

Operário aposta em nova camisa como passo simbólico para entrada na elite nacional

Além do desejo da torcida e dos aspectos comerciais, o Operário aposta no simbolismo do uniforme da atual temporada. “Buscamos passar a imagem de profissionalização do clube. Se você observar hoje as empresas estampadas na camisa ou são multinacionais ou de alcance nacional”, conta o diretor comercial do Fantasma, Fernando Scheffer.

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Operário apresenta novos uniformes. Foto: Divulgação/Operário

“A gente tinha que partir do princípio de não diminuir receitas. Notamos que havia empresas locais competindo com outras 22 marcas na camisa, gerando a falsa sensação de que estar ali era melhor do que apresentar a marca no estádio, por exemplo”, complementa o responsável pela área comercial.

“A ideia era criar uma camisa pronta para a Série A, puxando uma grande marca para o patrocínio máster que reflita o trabalho de um grupo gestor que conseguiu tirar leite de pedra e revolucionar o clube”, reforça Migliorini. “Agora a gente percebe que o que nos trouxe até aqui não será o mesmo que irá nos fazer virar a chave para buscar a Série A. E isso parte da camiseta, como algo emblemático neste sentido”, arremata.

“Essa camisa traduz a nossa força”, destaca presidente do Operário

Após definir internamente a nova estratégia, o Operário buscou os parceiros comerciais para apresentar os novos preços dos espaços. Alguns não renovaram os acordos. Outros optaram por opções focadas no mercado de Ponta Grossa, como a divulgação em placas no Germano Krüger, 100% voltadas ao público da cidade.

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Detalhe da nova camisa do Operário. Foto: André Johnson/Operário

“E, além disso, conseguimos trazer novas empresas para o clube. A gente trouxe parceiros fortes de alcance nacional e isso passa maior credibilidade para quem assiste aos jogos na televisão. As receitas acabam se amarrando: uma ação dessas aumenta o valor do patrocínio, ajuda a trazer melhores jogadores, atrai mais torcida, vende mais camisetas e assim sucessivamente”, diz Scheffer.

O resultado foi aprovado pelo presidente do grupo gestor do Operário, Álvaro Góes. “Essa camisa traduz a força da nossa torcida, a identidade do Fantasma e o compromisso de seguir trabalhando com seriedade, mas com grandes objetivos”, afirmou, no lançamento oficial da peça, desenvolvida pelo designer do clube, Enzo Binotto, e produzida pela fornecedora Karilu Sports.

“Quem tem mais dinheiro possui um carro melhor e o Operário precisa disso”, completou o gestor, comparando o futebol a uma corrida de Fórmula 1.

Operário aposta alto no trabalho de Alex de Souza

A aposta do Operário em conseguir o acesso para a Série A do Brasileirão passa diretamente pelo trabalho do técnico Alex de Souza. Ídolo de clubes como Coritiba, Cruzeiro, Palmeiras e Fenerbahçe, Alex chegou ao Fantasma em junho do ano passado e ajudou o clube a garantir a permanência na Segunda Divisão.

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Alex é aposta do Fantasma em 2026. Foto: André Johnson/Operário

Agora, com o contrato renovado até o fim de 2026, o objetivo é empreender voos mais altos no cenário nacional. “Acreditamos que o caminho para grandes conquistas é o trabalho de longo prazo. O Alex vem mostrando isso no dia a dia. Estamos seguros de que essa parceria renderá frutos e orgulho para a nossa torcida”, declarou o mandatário do clube, Álvaro Góes, quando a renovação com Alex foi anunciada.

Já Alex promete um time agressivo e rápido. “Temos que manter a constância do trabalho que eu acredito ser a busca de qualquer ser humano”, analisou, ainda durante a pré-temporada.

“Vamos manter um time competitivo, aguerrido, que seja forte jogando em Ponta Grossa, um time que consiga boas coisas jogando fora. Sendo equilibrado sempre buscando as primeiras posições e o principal objetivo do clube, que é o acesso”, destacou. Antes de chegar ao Germano Krüger, Alex trabalhou como técnico na base do São Paulo, comandou o Avaí, além de ter passado pelo Antalyaspor, da Turquia.

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