O Governo do Paraná e o empresário João Destro Filho, representante do pai, João Destro, no processo de desapropriação, não chegaram a um acordo pelo Pinheirão, estádio que já foi casa de Athletico, Paraná Clube e também abrigou jogos históricos do Coritiba. As partes estiveram reunidas em audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira (8), em Curitiba.
Apesar de não terem solucionado o caso, a Justiça determinou mais dez dias para que o empresário faça uma nova proposta à administração estadual. O impasse permanece devido à alta diferença entre os valores do terreno no bairro Tarumã.
A perícia determinada pela Justiça oficializou o valor de R$ 132,1 milhões ao terreno do estádio Pinheirão. A quantia apontada pelo laudo pericial foi mais que o dobro apontado pelo governo paranaense e quase três vezes menor que o alegado pelo empresário. A administração estadual estimou o valor em R$ 64,9 milhões, enquanto Destro defende que o antigo estádio tem valor de R$ 358,6 milhões. O Governo do Paraná impugnou a perícia e contestou os critérios utilizados pelo perito na avaliação do terreno.
Sem o eventual acordo, a tendência é que seja convocada uma nova avaliação pericial, que consiga abranger dois pontos críticos do Pinheirão: aproveitamento da área e os direitos de construção. Com isso, o processo segue e ainda não existe expectativa para uma sentença final que solucione o caso.
Em resposta ao UmDois Esportes, o governo do Paraná reafirmou que tem um “projeto ambicioso para revitalizar a área onde está o Pinheirão” e está com confiança em um desfecho rápido na esfera judicial.
“(…) a área que está sem uso há 17 anos colocaria o Paraná na rota de grandes eventos do Brasil, potencializando o turismo e o setor de serviços. O Estado está confiante em uma solução breve na Justiça para dar prosseguimento na desapropriação e no projeto”, diz, em nota.
Por que o estádio foi desapropriado?
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O Estado anunciou a desapropriação da área após anunciar projeto que previa a extinção do Pinheirão. No processo de desapropriação, o Estado ajuízou uma ação, deposita em juízo o valor do imóvel e o proprietário pode, então, concordar ou recorrer da avaliação.
No entanto, a Justiça já concede a posse do imóvel ao Estado, o que já foi feito. Com isso, o valor final a ser pago ao dono do terreno, que no caso é o empresário João Destro, vai ser definido judicialmente ou caso as partes cheguem a um acordo.
Inicialmente, o governo estadual sinalizou pagar R$ 64,9 milhões pelo terreno do Pinheirão. Na sequência, o plano do Estado seria arrecadar até R$ 1 bilhão da iniciativa privada para ser aplicado na construção do complexo. A arena multiuso, por exemplo, teria capacidade para 25 mil pessoas e teria hotéis, restaurantes e centros comerciais no entorno.
Pinheirão foi arrematado em leilão “por impulso”
Em 2012, o empresário João Destro desembolsou R$ 57,5 milhões pelo Pinheirão. Ele classificou a compra, na época, como algo que aconteceu “por impulso”. No entanto, revelou à Gazeta do Povo que gastava outros R$ 6 milhões anuais com limpeza e segurança da área, além de impostos. Desde o leilão, a área teve valorização imobiliária mesmo com estádio abandonado há 17 anos.
O valor final a ser pago pelo governo a Destro vai depender da avaliação da Justiça. Os trâmites judiciais já atrasaram o início das obras do governo do Paraná, inicialmente prevista para começar nos últimos meses de 2025 ou início deste ano.
Pinheirão foi idealizado como “Maracanã de Curitiba”, mas virou fantasma da cidade
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O projeto do estádio foi idealizado por José Milani, presidente da Federação Paranaense de Futebol na década de 60, que imaginava ter um “Maracanã” de Curitiba.
Contudo, o Pinheirão foi inaugurado no dia 16 de junho de 1985 com um jogo da Seleção do Paraná, que era uma mistura entre atletas do Athletico e do Coritiba. O time, no entanto, perdeu por 2 a 1 para a Seleção de Santa Catarina. Depois, o evento ainda contou com show da cantora Fafá de Belém.
O pontapé inicial da partida foi de Onaireves Moura, que foi presidente da Federação Paranaense de Futebol entre 1985 e 2007 e está preso desde 2022 após ter sido considerado foragido três anos antes. Ele foi condenado a 22 anos e quatro meses de prisão por apropriação indébita, estelionato e formação de quadrilha ou bando. Além disso, Onaireves ainda foi eleito como deputado federal na década de 90, mas foi cassado por aliciar outros parlamentares.
Já o último ato do estádio de futebol é melancólico. Em 2007, o Pinheirão foi lacrado pela Justiça e teve, como último jogo, a derrota do extinto J. Malucelli para o Cianorte, por 2 a 1, na última rodada da primeira fase do Campeonato Paranaense.