A redução gradual do número de jogadores estrangeiros permitidos no futebol brasileiro a partir de 2027 já provoca repercussão entre os clubes do Paraná. Athletico, Coritiba, Operário e Londrina participaram da votação da proposta apresentada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas não houve consenso entre os representantes paranaenses.

Dos quatro clubes, apenas o Londrina foi contrário à mudança. Athletico, Coritiba e Operário votaram a favor da redução do limite de estrangeiros nas partidas do Campeonato Brasileiro.

A alteração faz parte de um pacote de mudanças aprovado pela CBF e prevê uma diminuição gradual do número de atletas estrangeiros que poderão ser relacionados por partida nas competições nacionais.

Limite de estrangeiros vai cair gradualmente

Em 2024, os clubes brasileiros aprovaram o aumento do limite para nove estrangeiros relacionados por partida. A regra, porém, não é aplicada às competições organizadas pela Conmebol, como Libertadores e Copa Sul-Americana.

Com a nova decisão, o limite será reduzido gradualmente a partir de 2027:

  • 2027: oito estrangeiros;
  • 2028: sete estrangeiros;
  • 2029: seis estrangeiros;
  • 2030: cinco estrangeiros.

O número de cinco atletas será o mais baixo desde a flexibilização da regra nos últimos anos.

Segundo a CBF, a mudança busca equilibrar a presença de jogadores estrangeiros com a valorização dos atletas brasileiros, principalmente aqueles formados nas categorias de base.

“A medida que propomos agora mantém um número importante de estrangeiros, entendemos a importância do estrangeiro no futebol brasileiro, mas, tanto com a redução do limite de estrangeiros, quanto com alterações no molde de inscrição de atletas na competição, tentamos dar mais espaço para os jogadores sub-23 e melhorar a qualidade técnica dos nossos times, principalmente no médio e longo prazo”, afirmou Helder Melillo, diretor executivo da CBF.

Athletico tem 11 estrangeiros no elenco e votou a favor

Mendoza em Botafogo x Athletico pelo Brasileirão. (Foto: Affonso Andrade/Ag. F8/Folhapress).

A decisão chama atenção especialmente no Athletico. O Furacão conta atualmente com 11 jogadores estrangeiros no elenco, sendo o segundo clube do Campeonato Brasileiro com mais atletas de fora do país.

Mesmo assim, o clube votou a favor da proposta da CBF. O Athletico foi representado na votação pelo diretor de futebol Márcio Lara.

À reportagem do ge.globo, a cúpula athleticana classificou a mudança como “muito boa e necessária”, destacando que a medida pode aumentar a atenção dos clubes aos jogadores formados nas categorias de base.

A posição do Furacão ocorre justamente em um momento em que o clube tem apostado bastante no mercado sul-americano para reforçar seu elenco.

Coritiba também apoia a mudança

O Coritiba também votou pela redução do número de estrangeiros, apesar de ter aumentado a presença de atletas de outros países no elenco durante a última janela de transferências.

O Coxa possui atualmente sete estrangeiros e foi representado pelo head esportivo William Thomas na votação.

Em nota, o clube afirmou que vê “com bons olhos” a redução e que a medida pode contribuir para a valorização do jogador brasileiro.

“O Coritiba vê com bons olhos a redução do número de estrangeiros, principalmente por entender que a medida pode contribuir para a valorização do jogador brasileiro e fortalecer o trabalho dos clubes formadores”, destacou o clube.

William Thomas, diretor executivo do Coritiba. (Foto: Divulgação/Coritiba).

Operário foi favorável; Londrina votou contra

Entre os outros clubes paranaenses envolvidos na votação, o Operário também se posicionou a favor da mudança. O Fantasma conta atualmente com quatro estrangeiros em seu elenco.

Já o Londrina foi o único representante do Paraná a votar contra a proposta. O Tubarão não possui jogadores estrangeiros atualmente.

O dono da SAF do LEC, Guilherme Bellintani, reconheceu que a redução pode abrir espaço para atletas brasileiros e jovens, mas demonstrou preocupação com possíveis efeitos sobre a competitividade do futebol nacional.

“A queda do número de estrangeiros abre mais espaço para o jogador brasileiro e, teoricamente, abre mais espaço para o jovem, mas eu tenho dúvida sobre isso ainda. Sempre tem vantagem, mas há perda de potencial esportivo da liga brasileira”, afirmou Bellintani em entrevista coletiva.

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