A saída de Fernando Seabra do comando técnico do Coritiba para o Vasco, antecipada pelo UmDois na última quinta-feira (1), mexe diretamente no planejamento esportivo do clube para a sequência da temporada, mas não muda a convicção interna de que o projeto de futebol segue sólido no Alto da Glória para o segundo semestre de 2026.
Seabra era muito bem avaliado internamente no Coxa. E vinha conduzindo um trabalho que superava as expectativas, afinal de contas, o time chegou à parada da Copa do Mundo na 7ª posição, com 26 pontos, a apenas quatro de distância do rival Athletico, que abre o G4.
Além da pontuação expressiva, o Coritiba de Seabra garantiu resultados importantes contra equipes de maior orçamento como Santos, Atlético-MG, Corinthians e Cruzeiro. E tirou o melhor de atletas como o atacante Breno Lopes, maior contratação da história alviverde.
Desta maneira, mesmo com a perda de um treinador crucial para o bom momento vivido na Série A, que irá ganhar um salário muito maior no Vasco, o Coxa entende que a estrutura montada para 2026 segue segura e vê no head esportivo William Thomas uma peça central para dar continuidade ao trabalho.
Seabra conversou com lideranças no CT da Graciosa antes de fechar com o Vasco
A ida de Seabra para o clube carioca foi definida na última quarta-feira (1), após o treinador comandar normalmente o treino no CT da Graciosa, já em preparação para os jogos-treinos contra Internacional e Chapeconese. No entanto, a proposta do Vasco, com expressivo aumento salarial, mexia com os ânimos do técnico.
Seabra chegou a conversar reservadamente com algumas das lideranças do grupo, confirmando a procura do Vasco e revelando estar balançado. Chegou a pedir a opinião de alguns dos atletas mais experientes. Já o Coxa negava qualquer acerto.
Nos bastidores, entretanto, a ida para o Cruzmaltino dependia apenas de questões burocráticas, como o acerto salarial, comissões, etc. No Vasco, a transação era dada como certa, restando apenas o pagamento da multa, que gira em torno de R$4 milhões. Horas depois, o negócio foi selado.
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Durante a tarde, Admar Lopes, diretor executivo de futebol do clube carioca foi para Curitiba, onde negociou a multa rescisória do treinador com a diretoria do Coxa, garantindo a contratação do treinador.
Seabra deixa o Coritiba após 28 jogos, com 11 vitórias, nove empates e oito derrotas. Internamente, o trabalho era considerado positivo, com visão de longo prazo, margem de evolução e identificação com a proposta construída desde o início do ano. A saída, porém, obriga o clube a abrir conversas por um novo treinador em meio à temporada.
Apesar do impacto da mudança, o Coritiba trata o momento com tranquilidade. A avaliação no CT da Graciosa é de que o projeto não estava sustentado apenas na figura do treinador, mas em uma ideia de clube, modelo de jogo, gestão de elenco e planejamento esportivo liderado pelo head. O principal objetivo da temporada segue sendo a permanência na Série A.
Os valores que definiram a saída de Fernando Seabra do Coxa
As cifras oferecidas pelo Vasco são muito superiores aos números que o técnico recebia no Alto da Glória. Os cariocas fecharam o pagamento da multa de R$ 4 milhões de forma parcelada, o que foi acordado pelo Coxa.
Segundo o jornal O Globo, Fernando Seabra vai levar dois auxiliares, um preparador físico e um analista de desempenho para o Cruzmaltino. Todos juntos vão receber cerca de R$ 1,3 milhão, o que representa um valor três vezes maior do que os vencimentos do treinador no Coxa. Ainda de acordo com o veículo carioca, isso é menos do que a comissão do técnico Renato Gaúcho, que recebia R$ 1,7 milhão do clube. Ou seja, o Vasco ainda terá uma economia em relação ao que vinha desembolsando anteriormente.
Coritiba se apega a histórico de mudanças para manter confiança
A saída de Seabra não estava nos planos da diretoria, mas também não muda a confiança interna no restante da temporada. Em conversas de bastidor, a avaliação é de que o planejamento esportivo conduzido por William Thomas dá segurança para o clube atravessar a troca no comando técnico sem romper a linha de trabalho.
O próprio Coritiba já viveu uma situação semelhante no fim da última temporada, quando Mozart deixou o clube após a conquista do título da Série B. Na ocasião, a diretoria precisou agir rapidamente no mercado e encontrou em Seabra o nome para conduzir a equipe no retorno à Série A.
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Além da mudança no comando técnico, o Coxa também precisou lidar com outros impactos importantes ao longo de 2026. O principal deles foi a lesão do goleiro Pedro Morisco, um dos nomes mais valorizados do elenco, que passou por cirurgia no ombro direito e ficou fora de combate. Com isso, Pedro Rangel assumiu a meta e teve destaque, sendo eleito o melhor jogador da Série A de abril.
Em outros momentos, o time também precisou conviver com ausências de peças importantes, como o atacante Lucas Ronier e o meia Josué, destaques do elenco, sem perder completamente a organização em campo e encerrar a primeira metade do ano longe da zona de rebaixamento.
Em preparação, o Coritiba volta a campo de forma não oficial nos jogos-treino contra Internacional, no sábado (4) em Porto Alegre, e Chapecoense, na sexta-feira (10) em Curitiba. Pelo Campeonato Brasileiro, o Coxa retoma a disputa diante do Palmeiras, no Couto Pereira, na quinta-feira (23) às 21h30.