Primeiro adversário do Coritiba no Paranaense, o Cascavel Clube Recreativo sonha com uma zebra neste domingo (28), às 16h, no Couto Pereira.

"A intenção é surpreender sim, fazer um grande jogo", espera o técnico Alex Alves, que assumiu a Cobra há cerca de 40 dias depois de três temporadas no Juventus-SP.

O ex-atacante, dono de passagens marcantes por Portuguesa e Botafogo, contudo, não esconde as limitações do pequeno time do Oeste, dono de uma das menores folhas salariais do campeonato e com estrutura bastante modesta.

O gasto mensal com o futebol não deve passar de R$ 80 mil por mês para os 34 atletas do elenco e comissão técnica. Como comparação, o orçamento do Coxa está na casa de R$ 2,1 milhões/mês - aproximadamente 26 vezes superior.

"Quando cheguei e vi que a estrutura não estava tão boa, não paramos para reclamar. Começamos a treinar para não passar [esse problema] para os jogadores. A 2RA [empresa que faz a gestão compartilhada do clube] e o presidente [Tony Almeida] estão fazendo um esforço para que tudo melhore – e soube que realmente já melhorou muito em comparação outros anos", indica o treinador.

Cascavel CR vem treinando em Santa Tereza do Oeste

No fim de 2020, o CCR precisou deixar seu centro de treinamento alugado em Cascavel. O time, então, foi acolhido pela cidade vizinha de Santa Tereza do Oeste. A prefeitura local cedeu campos para os treinos e também alojamento.

Apesar das dificuldades naturais para quem tem baixo investimento, o objetivo é fazer um bom campeonato e, novamente, surpreender.

"Não é salário que vai nos fazer chegar, mas sim a disposição, a entrega, acreditar que é possível. Hoje temos o sonho de uma classificação para o mata-mata. Brigando pela vaga, vamos nos afastando da zona de rebaixamento", pensa o treinador, que é paranaense de Barbosa Ferraz.

Estilo de jogo sem retranca total

Mas o que o Coritiba pode esperar da Cobra na estreia do Estadual? Retranca não será a tática utilizada, avisa Alex Alves.

"Temos um time que toca bem a bola, que procura ter a posse no campo ataque. Quando perdemos a bola, sim, a ideia é fechar bem o sistema e sair em velocidade no contra-ataque", explica.

"Fui atacante, não posso fugir do meu estilo. Gosto de atacar. Mas vamos nos defender com linha baixa", completa.

Com a experiência de quem foi artilheiro da Copa do Brasil de 2004, Alex Alves espera concentração total dos seus homens de frente.

"Falo muito que a diferença do jogador de time grande é que quando a bola chega, ele faz. Espero 200% de atenção deles para a bola que vai sobrar. Dentro da área quem tem de estar preocupado é o goleiro. O atacante tem que dominar bem e finalizar o mais rápido possível, sem dar chance para o goleiro se preparar", ensina.

Oportunidade para ser visto e crescer na carreira

Há outra lição importante antes de um duelo diante de um grande clube do estado. Uma boa atuação na estreia, coletiva e individualmente, pode ajudar a abrir portas no futuro.

"É a oportunidade das nossas vidas. Nossos jogadores vão poder mostrar futebol deles para um clube grande que está passando por um momento com problemas, mas que muitas vezes pode ver a solução nos times do Interior", diz o técnico.

"Você pode deixar uma pulga atrás da orelha de um diretor com uma boa atuação. Não apenas indo bem nesse jogo, claro. Mas se continuar bem no campeonato, há possibilidade de ir para um Coritiba da vida mais frente, conseguir um emprego depois", conclui Alex Alves, que chegou a formar dupla de ataque com Ricardo Oliveira na Lusa, no início dos anos 2000.

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