Há exatamente um ano, o Coritiba anunciava a contratação do zagueiro Jacy em meio a um cenário turbulento dentro e fora de campo. Após um 2024 marcado por eliminações precoces e instabilidade na Série B, o defensor chegou ao Alto da Glória cercado por dúvidas, mas, com apenas 48 partidas disputadas, já colocou seu nome na história do clube.
Ainda no início do mês, em entrevista coletiva, Jacy abriu o coração ao falar sobre a relação construída com o Coritiba e relembrou os sentimentos vividos quando recebeu o convite para vestir a camisa alviverde.
Contratado junto ao Operário, o defensor revelou que a oportunidade mexeu com toda a família e admitiu que também chegou ao clube carregando insegurança pelo tamanho do desafio e pela pressão que o Coritiba enfrentava naquele momento.
“Acho que eu não esqueço a ligação do William. Eu estava deixando o Miguel na escola e ele me ligou. Quando ele fez o convite, eu falei que só precisava ajudar a minha mãe. Ele falou: ‘Pode vir que a gente vai dar todo o suporte’. Quando contei para minha esposa, ela comentou com meu cunhado, que é muito Coxa, e ele falou que já ia dar uma camisa para o Miguel”, relembrou.
O zagueiro admitiu que chegou ao clube com receio pela pressão vivida naquele momento. “Cheguei aqui com um pouco de medo. Eu sabia da pressão da torcida, da situação do clube no Paranaense, da queda precoce na Copa do Brasil”, revelou.
Estreia e afirmação no clube
Jacy estreou pelo Coritiba no dia 5 de junho de 20206, em jogo contra o Atletico-GO pela 11ª rodada da Série B. Inicialmente utilizado como volante, Jacy rapidamente foi deslocado para a zaga pelo então técnico Mozart e ganhou sequência. A identificação com a torcida aconteceu em pouco tempo, principalmente pela entrega dentro de campo e pela participação na campanha da defesa menos vazada da Série B.
“Em cada jogo, eu conseguia me entregar e mostrar quem eu era. Acho que a torcida entendeu isso e me abraçou de um jeito que eu não imaginava que seria tão rápido”, disse.
Bandeira com seu nome
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Depois de ajudar o Coritiba a conquistar o título da Série B e recolocar o clube na elite do futebol brasileiro após duas temporadas, Jacy viveu um dos momentos mais marcantes da trajetória no Alto da Glória.
No empate em 1 a 1 com o Vasco, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro, no Couto Pereira, a torcida alviverde exibiu um bandeirão especial em homenagem ao zagueiro antes da bola rolar.
A imagem mostrava Jacy segurando o filho Miguel, com a presença simbólica da mãe, Antonia Claudia, vítima de câncer e falecida em 2025. A faixa ainda trazia a mensagem: “Ela se orgulha, Jacy!”.
A homenagem emocionou o defensor, que revelou guardar até hoje as lembranças daquele momento. “Foi uma homenagem que até hoje eu fico vendo as fotos e o quadro que eu ganhei. É uma coisa que mexe muito comigo. Ao mesmo tempo que teve uma perda gigantesca na minha vida, também é uma alegria pelo que a gente construiu junto”, contou.
Fim próximo?
Como toda história no futebol, a de Jacy no Coritiba também terá início, meio e fim. Mas, pelo menos neste momento, o capítulo final parece estar longe de acontecer. Muito identificado com o clube, o zagueiro afirmou que vê no Coxa a oportunidade que mudou sua carreira e reforçou o desejo de construir uma longa trajetória no Alto da Glória.
“Meu pensamento está muito aqui no Coritiba. Foi o clube que me deu a oportunidade de aparecer para o Brasil e jogar uma Série A. Aprendi a gostar, amar e respeitar esse clube. Tento demonstrar isso todos os dias dentro de campo”, destacou.
Com contrato em vigor até 2028 e cada vez mais consolidado como referência do elenco, o zagueiro projeta seguir escrevendo sua história no clube. “Espero poder fazer dois, três anos e, se Deus permitir, bastante tempo aqui no Coritiba. Estou vivendo um momento de muita gratidão”, completou.
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